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Samuel Klopp. Um luxemburguês feliz em Lisboa

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Samuel Klopp. Um luxemburguês feliz em Lisboa

Samuel Klopp. Um luxemburguês feliz em Lisboa
Luxemburgueses Felizes

Samuel Klopp. Um luxemburguês feliz em Lisboa


por Paula SANTOS FERREIRA/ 11.05.2022

O luxemburguês, de 30 anos, confessa-se um apaixonado pela capital portuguesa e não pensa em voltar para o Grão-Ducado. Foto: Rodrigo Cabrita

O restaurante italiano do luxemburguês Samuel Klopp na capital portuguesa é ponto de encontro dos luxemburgueses residentes em Portugal, e visita obrigatória dos familiares e amigos quando vêm a Lisboa.

A paixão por Lisboa levou Samuel Klopp a deixar o seu Grão-Ducado e vir morar para "esta cidade incrível". Até os seus pais já pensam em seguir-lhe o exemplo, como conta na segunda reportagem sobre os "Luxemburgueses Felizes em Portugal".

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Amor antigo
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Rodrigo Cabrita

Samuel Klopp? Klopp? “És familiar do treinador Jürgen Klopp, do Liverpool?”. Que Samuel Klopp, luxemburguês de 30 anos saiba, não é, mas já perdeu a conta às vezes que teve de responder à questão, como realça o empresário a rir, no seu restaurante em Lisboa, que se tornou num cantinho “secreto” do Luxemburgo, nesta capital.

Secreto, porque nada associa o restaurante italiano “Pastaria” ao Grão-Ducado, onde serve pastas frescas caseiras, mas que se tornou predileto dos luxemburgueses residentes em Lisboa, e ponto obrigatório dos familiares e amigos quando o visitam e de outros turistas do Grão-Ducado. “Acabamos por receber sempre gente do Luxemburgo”, conta Samuel Klopp, sem disfarçar a satisfação, e depois de tirar o avental e deixar a cozinha do restaurante, após um dia de almoços, muito movimentado.

Samuel Klopp nasceu e cresceu no Luxemburgo e já viveu e trabalhou na comuna suíça de Montreux, em Paris e Amesterdão, mas foi por Lisboa que se apaixonou e aqui chegou sozinho, em 2018.

Samuel Klopp com a equipa da "Pastaria" (esq.para a dir.): o sócio inglês Luan, o bangladechiano Hifgur, a italiana Cine e o sócio francês Xavier.
Samuel Klopp com a equipa da "Pastaria" (esq.para a dir.): o sócio inglês Luan, o bangladechiano Hifgur, a italiana Cine e o sócio francês Xavier.
Foto: Rodrigo Cabrita

A luz, o sol e as pessoas

 Esta capital, é um amor antigo, dos tempos do seu primeiro trabalho, no Algarve, após a licenciatura em gestão hoteleira num prestigiado instituto na Suíça. “Quando acabei o curso fui trabalhar para restaurante na Quinta do Lago, como supervisor das comidas e das bebidas. Estive lá um ano e nessa fase visitei Lisboa umas cinco vezes. Apaixonei-me logo por esta cidade. A luz de Lisboa, o sol e as pessoas são fantásticas”, vinca Samuel Klopp enquanto caminha de t-shirt num início de tarde ensolarado pela movimentada Avenida Almirante Reis, perto do restaurante, que fervilha de gentes de diversas nacionalidades e culturas. 

"Acabamos por receber sempre gente do Luxemburgo."

O seu restaurante é reflexo disso mesmo, poiso predileto de gente do bairro, estudantes estrangeiros “que trazem cá os pais quando os visitam”, turistas e claro, dos amigos e familiares dos três sócios, Samuel, luxemburguês, Xavier, francês e Luan, inglês. 

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Magia e pasta
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Rodrigo Cabrita

 “O clima de Lisboa torna as pessoas mais felizes e faz bem à saúde mental. Eu sou mais feliz aqui do que no Luxemburgo, onde os dias de inverno são cinzentos, longos e pesados, mais propensos a depressões”, considera Samuel que sempre ouviu os portugueses amigos do Grão-Ducado confessarem “as saudades do sol e do mar”. A praia “perto” é outra das alegrias portuguesas do empresário que adora ir dar um mergulho à Costa da Caparica, ou passar uns dias na costa alentejana.

"O clima de Lisboa torna as pessoas mais felizes e faz bem à saúde mental."

Depois há a Lisboa turística onde “não existem estações mortas, porque há sempre turistas a chegar”, o que é bom para a restauração. E há a segurança: “Aqui podemos andar sem receio à noite, e é muito bom esta liberdade”.

Foto: Rodrigo Cabrita



Reportagem sobre luxemburgueses que vivem em Portugal. Na imagem, Gerrard Hoss e Catarina Hoss fotografados para o jornal CONTACTO.
@Rodrigo Cabrita
Gerard Hoss. "Em Portugal aproveita-se mais a vida"
Esta é a primeira de três reportagens sobre "Luxemburgueses Felizes em Portugal", uma comunidade com quase 500 residentes e que mais do que duplicou em apenas cinco anos.

Apesar de ter vivido um ano no Algarve, não se mudou imediatamente para a capital, pois quis regressar a casa no Luxemburgo. “Quis voltar, já não viva há uns anos no meu país”, recorda.  Durante quatro anos ficou pelo Grão-Ducado, perto dos pais e familiares. Mas Lisboa ficou-lhe no coração e em 2018, despediu-se do restaurante onde trabalhava como gerente, e veio para a capital portuguesa, sozinho. 

“Quando cheguei cá não tinha emprego, nada em vista. Durante quatro meses trabalhei no Estádio do Benfica, como responsável pelos camarotes, durante os jogos estava encarregado de garantir que tudo decorria na perfeição ao nível da restauração, cada camarote tem um chef privado. Foi uma boa experiência”, assume. 

Voar alto

Depois de outra passagem mais longa por um restaurante, este luxemburguês quis voar mais alto e ter o seu próprio espaço. Com outro sócio, inaugurou a “Pastaria” em junho de 2020, “em plena pandemia, foi preciso coragem”, atira a rir. “Afinal correu bem e agora tenho mais dois sócios e ainda aqui estamos felizes”, diz este proprietário que juntamente com a equipa segue o lema inscrito num pedacinho pequeno de papel pendurado atrás do balcão. “A vida é uma combinação de magia e pasta”.

A magia está na cidade e nos amigos e a pasta fresquíssima é feita diariamente ali mesmo no restaurante. “Somos nós que duas vezes por dia, de manhã e à noite, fazemos as massas”, explica Samuel Klopp. “Todos os molhos também são feitos por nós, e os queijos são caseiros, confecionados por um italiano que tem uma pequena fábrica em Lisboa e que nos fornece”, realça Samuel Klopp, de volta ao seu restaurante onde a conversa continua, na pausa da tarde.

Também o francês Xavier e o britânico Luan não resistem a comentar o quanto gostam de viver em Lisboa, uma cidade mais pequena e acolhedora do que Paris ou Londres, mas igualmente “cosmopolita”. 

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O futuro é aqui
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Rodrigo Cabrita

Por já ter vivido em várias cidades e viajado muito, Samuel Klopp diz que “agora é altura de assentar”. É em Lisboa que quer continuar a viver no futuro. Além de tudo, a capital “é uma boa cidade para ter filhos”. Aprecia poder ir a pé da sua casa para o restaurante, num percurso de dez minutos e de viver num bairro “calmo”, no Saldanha, com tudo o que precisa perto de si, e mais afastado dos locais turísticos.

“Até os meus pais adoram Lisboa e estão a pensar em passar aqui grandes temporadas quando se reformarem.”

“Até os meus pais adoram Lisboa e estão a pensar em passar aqui grandes temporadas quando se reformarem”, conta o luxemburguês que namora com uma jovem italiana aqui radicada. Acabam por ser os pais de Samuel a viajar mais vezes para Portugal do que o jovem ir ao Grão-Ducado. “Vou ao Luxemburgo quatro a cinco vezes por ano”, diz.

Burocracia a mais

O que é preciso melhorar na capital portuguesa? Samuel Klopp e o sócio Xavier que se juntara à conversa, são unânimes: “um melhor serviço de atendimento nos serviços públicos em geral”. “Há muita burocracia e descoordenação. Andamos de um local para o outro e as informações são sempre diferentes É um pesadelo. No Luxemburgo, funciona muito melhor”, critica Samuel Klopp. Também o serviço nacional de saúde “deveria ser mais eficaz e menos demorado”, acrescentam. 

Uma lentidão que passa para os “serviços privados”, sobretudo de manutenção ou conserto, quer seja um eletricista ou os técnicos de equipamentos da restauração. Por isso, Samuel e Xavier rezam para que no seu restaurante nada se avarie, porque senão vai ser uma dor de cabeça, “um filme que se arrasta por dias e dias”, contam a rir. 

Mas, não são estes aspetos negativos que os fazem desistir de viver em Lisboa. Nem os salários “mais elevados do Luxemburgo” pesam na balança de Samuel Klopp entre o dinheiro e o bem-estar. “Penso que as pessoas são mais felizes nesta cidade tão especial, mesmo tendo um salário inferior ao do meu país”, considera o luxemburguês. 

Este fim-de-semana não perca a última reportagem sobre os "Luxemburgueses Felizes em Portugal".

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