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Rio está de volta
Editorial Portugal 2 min. 26.10.2019

Rio está de volta

Rio está de volta

Foto: LUSA
Editorial Portugal 2 min. 26.10.2019

Rio está de volta

Sérgio Ferreira Borges
Sérgio Ferreira Borges
Luís Montenegro tem mais experiência parlamentar, mas Rui Rio sabe mais de economia.

Rui Rio terminou o período de reflexão, com o anúncio da sua – mais que esperada – recandidatura à liderança do PSD. Foi um discurso breve, com as promessas de sempre.

Deixou bem claro que quer um partido de centro, de tendência social-democrata, com ideologia própria. Com isso, propôs uma ruptura com as tendências mais à direita, de inspiração exclusivamente liberal. Um recado que atinge os seus dois opositores já conhecidos, Luís Montenegro e Miguel Pinto Luz.

Este anúncio foi antecipado, em alguns dias. Estava previsto para mais tarde. Muitos dos membros da sua direcção só foram informados, na tarde de segunda-feira. Por essa razão, nem todos conseguiram estar no Porto, à hora da conferência de imprensa.

Rui Rio, sem o dizer, pretende que as eleições directas para a liderança e o Congresso sejam de ruptura e clarificação, para que o partido adquira um rumo. Mas apesar dessa desejada ruptura, Rio prometeu que a sua candidatura pretende “evitar uma grave fragmentação”, no interior do PSD.

Com isto, criticou veladamente um dos seus adversários, Luís Montenegro, que já está a trabalhar, junto das “distritais”, para recolher Com isto, criticou veladamente um dos seus adversários, Luís Montenegro, que já está a trabalhar, junto das “distritais”, para recolher

apoios orgânicos. Isto é, para organizar sindicatos de voto, para as eleições directas.

Para combater esta acção, Rio vai usar o Conselho Nacional – que decidirá as datas das “directas” e do Congresso – apelando ao “voto livre”. Vai dizer aos militantes do partido que devem votar em consciência, porque ninguém os obriga a fazê-lo, de acordo com as preferências das lideranças distritais.

Por decisão sua, será ele a presidir à bancada parlamentar, adiando a respectiva eleição, para depois do congresso. Rio quer aproveitar a circunstância de agora ser deputado, para usar o debate sobre o Orçamento de Estado, como etapa decisiva, para a corrida à liderança do PSD. Muitos dos seus próximos acreditam que, nesse debate, Rui Rio vai bater António Costa e isso pode ajudar à sua afirmação, como líder de uma real alternativa ao Governo e retirar alguns dividendos da falência do CDS.

Mas não há processo para calar Luís Montenegro. Ele vai usar todas as eventuais falhas de Rui Rio, para atacar o Orçamento de Estado e António Costa. A batalha entre os dois vai passar por aí. Luís Montenegro tem mais experiência parlamentar, mas Rui Rio sabe mais de economia.

Se Rio ganhar as “directas”, Luís Montenegro e Miguel Pinto Luz terão de esperar até às eleições autárquicas de 2021. Se o PSD as perder, tudo pode voltar ao princípio.

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