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Reviravolta. Amante de Rosa Grilo sai em liberdade e pode "ser absolvido"
Portugal 4 min. 07.12.2019

Reviravolta. Amante de Rosa Grilo sai em liberdade e pode "ser absolvido"

Reviravolta. Amante de Rosa Grilo sai em liberdade e pode "ser absolvido"

Portugal 4 min. 07.12.2019

Reviravolta. Amante de Rosa Grilo sai em liberdade e pode "ser absolvido"

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
O MP acusa os amantes de terem morto o triatleta por amor e 500 mil euros. António Joaquim foi ontem libertado e o seu advogado diz que vai ser considerado inocente. Rosa continua presa.

A notícia de que António Joaquim iria sair da prisão e cumprir o resto da prisão preventiva em liberdade até à sentença, a 10 de janeiro de 2020, apanhou Portugal de surpresa.

António Joaquim, estava em prisão preventiva, tal como a sua amante, Rosa Grilo, desde setembro de 2018, quando foram acusados de terem morto o marido desta, o triatleta Luís Grilo para poderem viver livremente a relação e beneficiar do seguro de vida do desportista.

Ambos sempre negaram a autoria e Rosa Grilo garante que foram uns angolanos que mataram o marido, por causa de uns negócios de diamantes. 

O julgamento está a decorrer e a sentença será lida em janeiro.

Ministério Público pede anulação de decisão

António Joaquim, que se encontrava em prisão preventiva desde setembro de 2018, assim como Rosa Grilo, que se mantém com a mesma medida de coação, saiu ontem em liberdade, na sequência de um requerimento apresentado pela defesa, há dois dias, no qual solicitava a revogação da prisão preventiva por entender que "não existiam elementos provatórios que pudessem sustentar a tese da acusação".  

Ainda ontem, poucas horas depois do acusado sair da prisão, o Ministério Público entrou com um pedido de anulação desta revogação para que o amante de Rosa Grilo volte para a prisão.

"O Ministério Público apresentou requerimento de declaração de nulidade do despacho proferido por violação do contraditório relativo ao Ministério Público. Arguiu ainda a irregularidade da alteração da medida de coação por ausência de fundamentação da decisão", explicou a Procuradoria-Geral da República, em resposta enviada à agência Lusa.

Ricardo Serrano Vieira, advogado do arguido, explicou à Lusa que "as circunstâncias que determinaram a prisão preventiva estavam invariavelmente alteradas, assim como a ausência das exigências cautelares".

E, em declarações à SIC este advogado considerou que "este despacho abre caminho à defesa para sustentar a absolvição da prática deste crime" de que António Joaquim é acusado.

Serrano Vieira declara-se confiante de que o seu cliente vai ser considerado inocente. "Não pode ter outro desfecho que não seja a absolvição", disse. Para o advogado António Joaquim poderá ser apenas castigado pelo uso de arma que assumiu ter. Quanto aos "outros crimes, não".

Esta é a arma que a acusação diz que o amante usou para matar o triatleta. 

Um crime por amor e 500 mil euros

A acusação do MP atribui a António Joaquim a autoria do disparo sobre Luís Grilo, na presença de Rosa Grilo, no momento em que o triatleta dormia no quarto de hóspedes na casa do casal, na localidade de Cachoeiras, Vila Franca de Xira (distrito de Lisboa).

O crime, que ocorreu em 15 de julho de 2018, terá sido cometido para poderem assumir a relação amorosa e beneficiarem dos bens da vítima - 500 mil euros em indemnizações de vários seguros e outros montantes depositados em contas bancárias tituladas por Luís Grilo, além da habitação.

O corpo foi encontrado com sinais de violência e em adiantado estado de decomposição, mais de um mês após o desaparecimento, a cerca de 160 quilómetros da sua casa, na zona de Benavila, concelho de Avis, distrito de Portalegre.

Em 26 de novembro, o MP pediu no Tribunal de Loures penas acima dos 20 anos de prisão para Rosa Grilo e António Joaquim.

Penas de prisão superior a 20 anos

Nas alegações finais do julgamento, o procurador do MP, Raul Farias, defendeu perante o tribunal de júri penas acima dos 20 anos e meio de cadeia para os arguidos, sustentando que ambos planearam, delinearam e executaram um plano com vista a matar a vítima, para, segundo a acusação, assumirem a relação extraconjugal e ficarem com cerca de 500 mil euros provenientes de seis seguros.

O procurador admitiu que a prova pericial e testemunhal contra António Joaquim "é zero", sustentando, no entanto, que foi o arguido quem efetuou o único disparo que matou Luís Grilo, quando este se encontrava na sua casa nas Cachoeiras, concelho de Vila Franca de Xira, na madrugada de 16 de julho de 2018, baseando-se apenas nas declarações da arguida Rosa Grilo.

Rosa "desconhecia que marido foi morto"

O procurador justifica esta conclusão com o facto de a arguida "não saber disparar" uma arma e também por "desconhecer como é que o marido foi morto", pois esta afirmou ter ouvido dois tiros quando a autópsia confirma que Luís Grilo foi morto com um disparo apenas.

O arguido está a ser julgado, segundo o procurador, apenas devido às declarações de Rosa Grilo, que assumiu ter ido buscar e depois levar a arma à casa de António Joaquim, sem este saber, para se sentir mais segura em sua casa, alegando que o seu marido estaria a ser ameaçado por causa de negócios com diamantes.

Rosa Grilo e António Joaquim conhecem o acórdão em 10 de janeiro de 2020, pelas 14h00.

Com Lusa

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