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Reportagem fotográfica. O estranho mundo do adeus na pandemia
Portugal 27 14.05.2020

Reportagem fotográfica. O estranho mundo do adeus na pandemia

Reportagem fotográfica. O estranho mundo do adeus na pandemia

Foto: Sara Matos
Portugal 27 14.05.2020

Reportagem fotográfica. O estranho mundo do adeus na pandemia

A morte é um assunto delicado. Remete para o nosso medo mais primitivo. Por isso, falar, pensar ou mostrar a morte é, para muitos, um tema considerado...mórbido. Numa altura em que o mundo enfrenta uma pandemia nunca antes vista, os nossos medos mais primitivos estão à flor da pele. E a questão, por mais mórbida que seja, coloca-se: como se cuida dos mortos?

Estas fotografias resultam de um dia a acompanhar o trabalho da Servilusa, a maior empresa funerária de Portugal, com 320 colaboradores, que nesta nova realidade têm de respeitar medidas de segurança mais apertadas.

Estas pessoas têm todos os dias de lidar com essas mortes. Pessoas que tomam o seu peso. Uma e outra vez. Parecem astronautas num cenário de filme. Mas não. Os funcionários que recolhem os corpos usam um fato completo, descartável e impermeável, com capuz incorporado, com touca impermeável e dois tipos de luvas descartáveis: uma normal e outra de nitrilo. Também têm de usar óculos de proteção e um cobre-calçado. 

 Têm todos os meios para desinfetar o material e as viaturas têm de ser devidamente higienizadas depois do serviço – medidas concertadas com a Direção Geral de Saúde – de modo a garantir a segurança de todos os que trabalham nesta nova realidade. Estas medidas têm permitido que, até agora, não exista nenhum trabalhador infetado. 

Nos casos covid-19 os funerais são realizados com a maior brevidade possível, o corpo viaja preferencialmente do local de óbito para o cemitério ou crematório, não havendo velório. O número de familiares que pode participar é muito restrito – por vezes apenas um padre e os funcionários da funerária estão presentes. Como a cremação é recomendável, este número aumentou 50% nos 7 crematórios da Servilusa (segundo o último balanço disponível e que inclui a primeira semana de abril). 

A forma de trabalhar e de socializar está a mudar com a covid-19, mas também a forma de fazer o luto está mais diferente que nunca e ainda ninguém consegue dizer qual o impacto que isso vai ter na sociedade.  

Sara Matos

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