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Reinaldo Rodrigues: "Podemos tratar do assunto racial depois do Giovani ter um funeral. A sociedade já não funcionava bem antes deste caso."
Portugal 2 min. 06.01.2020

Reinaldo Rodrigues: "Podemos tratar do assunto racial depois do Giovani ter um funeral. A sociedade já não funcionava bem antes deste caso."

Desenho de autoria de Reinaldo Rodrigues

Reinaldo Rodrigues: "Podemos tratar do assunto racial depois do Giovani ter um funeral. A sociedade já não funcionava bem antes deste caso."

Desenho de autoria de Reinaldo Rodrigues
DR
Portugal 2 min. 06.01.2020

Reinaldo Rodrigues: "Podemos tratar do assunto racial depois do Giovani ter um funeral. A sociedade já não funcionava bem antes deste caso."

Reinaldo Rodrigues, primo do jovem cabo-verdiano assassinado em Bragança, mostra-se contra que a Polícia Judiciária tenha negado que o racismo possa ter sido um dos motivos do crime.

Estava marcada para esta manhã a sessão de reconhecimento do corpo de Giovani, o jovem cabo-verdiano de 21 anos que foi brutalmente espancado e depois de 10 dias de internamento acabou por falecer. No entanto, às 11 da manhã, Reinaldo Rodrigues, familiar mais próximo da vítima a residir no Porto, ainda não havia sido contactado pelo Instituto de Medicina Legal da mesma cidade. A Polícia Judiciária, segundo o jornal Público, afasta a suspeita de que se tratou de um crime racial e aponta para um motivo fútil. A autópsia terá sido “inconclusiva, não esclarecendo se a morte foi provocada pela agressão à saída da discoteca ou pela queda que sofreu depois”.

“Acho que em primeiro lugar a policia não devia sequer tomar já uma posição sobre ser ou não um crime racial, porque isso tira o foco da investigação do caso e parece estarem já a desculpar-se perante a opinião pública. Tornar isto já um assunto de raça sem o caso estar esclarecido é o caminho mais fácil. Eu percebo perfeitamente o que se está a passar, mas o Giovani nunca foi tratado de forma diferente no hospital por ser preto, eu e o pai fomos sempre bem recebidos por toda gente durante o processo todo”, garante. 

Reinaldo não está satisfeito com as ondas públicas que se têm levantado com o caso “eu não gosto que a morte dele seja secundária e que se torne motivo de discussão social. Primeiro trata-se da investigação da morte dele, depois é que se pode falar.” O jovem a viver no Porto há 13 anos diz não querer discutir a questão racial associada publicamente através das redes sociais “eu acho que podemos tratar do assunto racial depois do Giovani ter um funeral. Vir usar a morte como bode expiatório para falar do caso racial, não faz sentido, a sociedade já não funcionava bem antes deste caso.”

Reinaldo garante que durante todo o processo nunca houve tratamento diferenciado pela família ser cabo-verdiana. “A polícia, o hospital, toda gente sempre nos recebeu bem, a parte burocrática foi sempre célere e isto só foi noticiado nesta fase porque nós achámos sempre que ele ia acordar na manhã seguinte”. 

O jovem cabo-verdiano afirma que não é porta-voz da família e que dá a sua opinião enquanto “pessoa que acompanhou tudo isto de perto e foi responsável pela comunicação entre as instituições e a família”. “Eu não estou a representar Cabo Verde, não estou a representar a família, nem estou a representar a minha cor. Estou a dar a minha opinião individual. Sim sou preto e sei que o racismo está presente nos detalhes mais pequenos do dia-a-dia e que sim, é preciso ser falado, mas não deve ser utilizado um caso destes como motivo de ódio e agitação social, quando há um luto ainda para ser digerido”, afirma.   

Ana B. de Carvalho

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