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Refugiados ucranianos rezam pela paz no santuário de Fátima
Portugal 2 min. 13.05.2022
13 de maio

Refugiados ucranianos rezam pela paz no santuário de Fátima

A ucraniana Nellya Chernyshenko (centro), que fugiu de uma cidade perto de Donetsk depois do início da invasão russa, participou esta quinta-feira na procissão das velas com o marido Oleksandr, a filha Maryna e a neta Nikol
13 de maio

Refugiados ucranianos rezam pela paz no santuário de Fátima

A ucraniana Nellya Chernyshenko (centro), que fugiu de uma cidade perto de Donetsk depois do início da invasão russa, participou esta quinta-feira na procissão das velas com o marido Oleksandr, a filha Maryna e a neta Nikol
Foto: FILIPE AMORIM / AFP
Portugal 2 min. 13.05.2022
13 de maio

Refugiados ucranianos rezam pela paz no santuário de Fátima

AFP
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Nellya Chernyshenko, uma refugiada ucraniana em Portugal, juntou-se a dezenas de milhares de peregrinos que se reuniram quinta e sexta-feira no santuário de Fátima para rezar pela paz na Ucrânia.

Acompanhada por familiares, alguns dos quais vivem em Portugal desde 2019, a mulher ortodoxa de 64 anos fez a sua primeira peregrinação à cidade.

"Esta peregrinação é muito importante, é uma grande oportunidade de pedir a Deus a paz na Ucrânia, porque somos muitos e isso dá força", disse à AFP.


Fotos. Milhares de velas voltaram a iluminar o Santuário de Fátima
A noite de 12 de maio voltou a ficar marcada por um Santuário de Fátima cheio. Esta foi a primeira grande peregrinação sem as restrições impostas nos últimos dois anos pela pandemia da covid-19.

Após dois anos de restrições sanitárias, cerca de 200 mil fiéis juntaram-se no recinto do santuário, que pode acomodar até 300 mil pessoas, segundo os funcionários da instituição.

Aquando da invasão russa, no final de fevereiro, Nellya Chernyshenko fugiu de Avdiivka, a sua cidade natal a cerca de 20 quilómetros de Donetsk, no leste do país, onde era dona de um minimercado.

"As orações irão ajudar o nosso país"

Agora vive com uma das suas filhas, Yana Murzaieva, que está imigrada em Portugal desde 2019. Reunida sob o mesmo teto, esta família de oito membros, incluindo quatro refugiados, gere uma pequena exploração de azeite em Telhados Grandes, uma aldeia montanhosa a meia hora de carro a sul de Fátima.

Os conflitos que têm assolado a região de Donetsk desde 2014 têm despertado os sentimentos religiosos desta mulher: "Comecei a acreditar, a religião ajudou-nos."

"Sinto-me bem em Portugal, mas espero regressar um dia à Ucrânia. Atualmente ninguém sabe se o Donbass se tornará russo ou não", acrescenta em lágrimas.

Elena Kostetskaya veio de Kiev especialmente para a peregrinação a Fátima depois de uma viagem de comboio de três dias. Foi ao santuário com o seu neto de sete anos, Grisha, um refugiado ucraniano que vive em Lisboa há dois meses com o pai.

"Sou budista, mas acredito firmemente que Fátima tem uma energia especial e que as nossas orações irão ajudar o nosso país", afirmou a mulher de 58 anos, envergando uma típica blusa bordada com um broche de cores ucranianas.

"É preciso parar de matar pessoas inocentes, é horrível", insurgiu-se, "dominada pela emoção ao descrever o quotidiano na capital ucraniana interrompido pelos bombardeamentos russos.


Milhares de peregrinos esperados esta quinta-feira em Fátima no regresso sem restrições ao Santuário
As autoridades esperam uma afluência “próxima da habitual em anos pré-pandemia”. O arcebispo Edgar Peña Parra, substituto da Secretaria de Estado do Vaticano, preside à peregrinação de 12 e 13 de maio a Fátima.

Nossa Senhora abençoada e enviada para Lviv

"Espero que a presença maternal de Maria brilhe nestes tempos difíceis, agora que ainda estamos a braços com uma pandemia que afeta toda a humanidade e uma guerra que atinge a Ucrânia com uma ferocidade trágica e destrutiva", exortou o Bispo de Fátima, José Ornelas, na missa de sexta-feira.

Do altar montado em frente ao Santuário de Fátima, um dos locais de culto a Nossa Senhora mais visitados do mundo, tal como Lourdes, em França, uma figura da santa foi abençoada e depois enviada para Lviv, na Ucrânia ocidental.

A multidão de crentes reuniu-se na quinta-feira ao fim do dia para a primeira grande peregrinação do ano e, ao cair da noite, o santuário foi iluminado com milhares de velas seguradas em silêncio durante a tradicional procissão.

Sob um sol abrasador, os numerosos fiéis reuniram-se novamente esta sexta-feira para acender velas ou rezar em frente da Capela das Aparições, erguida no local onde os três pastorinhos afirmaram ter visto a Virgem em 1917.