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Reduzir a covid a uma constipação? Cientistas portugueses descobrem a 'fórmula'
Portugal 2 min. 25.08.2021 Do nosso arquivo online
Pandemia

Reduzir a covid a uma constipação? Cientistas portugueses descobrem a 'fórmula'

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Reduzir a covid a uma constipação? Cientistas portugueses descobrem a 'fórmula'

Foto: Serge Waldbillig
Portugal 2 min. 25.08.2021 Do nosso arquivo online
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Reduzir a covid a uma constipação? Cientistas portugueses descobrem a 'fórmula'

Lusa
Lusa
Investigação portuguesa descobriu três compostos que diminuem entre 60% a 70% a atividade do vírus, cada um, e existem perspetivas de chegar rapidamente ao mercado.

Uma equipa de investigadores portugueses do Instituto de Tecnologia Química e Biológica da Universidade Nova de Lisboa (ITQB NOVA), em Oeiras, descobriu três compostos que podem reduzir o impacto da covid-19 a uma constipação.

Em entrevista à Lusa, a investigadora coordenadora Cecília Arraiano salienta que “cada um dos compostos em ação individual reduz 60 a 70% a atividade do vírus SARS-CoV-2”, num projeto que aponta numa direção distinta das vacinas e que está em fase de registo de patentes e tem perspetivas de poder chegar rapidamente ao mercado, porque dois estão aprovados para uso em outras doenças pelo regulador americano: a FDA [Food and Drugs Administration].

Luta "direta" com o vírus

“A vacina é uma abordagem diferente, porque põe o hospedeiro a lutar contra o vírus e nós lutamos diretamente com o vírus, porque atacamos a ‘maquinaria’ interior. A vantagem é que [a nossa] é mais independente da resposta imunitária do hospedeiro”, nota a geneticista, continuando: “A covid-19, que está tão grave, passa a ser como uma constipação. Se uma pessoa não tiver outras complicações, não vai para o hospital com uma constipação”.

O trabalho desta equipa, que contou com a colaboração do Laboratório Nacional de Referência de Saúde Animal do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV), assenta na especialização dos investigadores em RNA e ribonucleases, isto é, as moléculas que controlam os níveis de RNA na célula. E na base da investigação está a existência de duas ribonucleases no SARS-CoV-2, que desempenham um papel essencial na replicação do vírus.

Fármacos com solução

“O nosso objetivo era pôr o nosso conhecimento de forma a poder ajudar a controlar a multiplicação do vírus e tornar esta doença - que tem sido tão perigosa - mais ligeira”, frisa Cecília Arraiano, destacando a “garantia de futuro” destas descobertas: “Quando entra nas células, o vírus normalmente pode ter mutações e esta ‘maquinaria’ funcional é sempre conservada, o que dava uma garantia de ser uma forma de atacar com futuro”.

Com a ajuda da colega investigadora Margarida Saramago, Cecília Arraiano conta que o projeto arrancou ainda durante o primeiro confinamento, em abril/maio de 2020, com os três fármacos a serem ‘encontrados’ nas bases de dados internacionais, que contêm muitos milhares de compostos químicos. E, sustenta a investigadora, todo este processo “foi uma grande aventura” para a instituição e os profissionais.


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Também as pessoas com doenças que aumentem o risco de desenvolverem formas mais graves de covid-19 ou de mortalidade, como a diabetes ou a obesidade, passam a estar abrangidas pela toma de uma dose adicional da vacina.

“As minhas colaboradoras fizeram um ‘screen’ e começaram a ver, tendo em conta as características destas ribonucleases, quais seriam aqueles que poderiam - como uma chave numa fechadura - encaixar nos sítios vulneráveis e fazer com que se ligasse e não funcionasse bem”, refere, sem deixar de enfatizar que a ambição é que seja rapidamente utilizado pelas pessoas para se poder “voltar à normalidade que havia antes desta pandemia”.

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