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Rangel tenta atravessar o Rio!
Opinião Portugal 2 min. 24.10.2021
Liderança do PSD

Rangel tenta atravessar o Rio!

O candidato à liderança do Partido Social Democrata (PSD), Paulo Rangel, discursa num encontro com militantes e simpatizantes no Porto.
Liderança do PSD

Rangel tenta atravessar o Rio!

O candidato à liderança do Partido Social Democrata (PSD), Paulo Rangel, discursa num encontro com militantes e simpatizantes no Porto.
Foto: Lusa
Opinião Portugal 2 min. 24.10.2021
Liderança do PSD

Rangel tenta atravessar o Rio!

Sérgio FERREIRA BORGES
Sérgio FERREIRA BORGES
Paulo Rangel não tem o talento político de Sá Carneiro, nem o punho forte de Cavaco Silva.

Paulo Rangel desafiou Rui Rio e decidiu entrar na corrida, pela liderança do PSD. Rio aceitou o repto e agora toda a gente espera pela decisão, marcada para 4 de Dezembro.

Tenho a impressão que as contas saíram furadas a Paulo Rangel. Ele esperava por uma derrota do PSD nas eleições autárquicas, bem mais expressiva do que realmente foi. Com isso, sentiria mais força para afrontar a liderança de Rui Rio.

Preparou tudo para isso. Inclusivamente, fez uma confissão pública sobre as suas opções sexuais, de modo a que ninguém pudesse questionar a sua reputação, por causa da vida íntima.

Mas os desejos pessoais de cada um são uma coisa e a realidade é outra, por vezes, bem distinta. De facto, o PSD perdeu as eleições autárquicas, mas não pela margem esmagadora que muita gente previa. Conseguiu até pequenos triunfos que poucos esperavam. Por exemplo, contra todas as previsões, ganhou a Câmara de Lisboa, ganhou a Câmara de Coimbra e, no Porto, perdeu, tal como o PS também não ganhou.

Com estes resultados, Rui Rio sentiu-se à vontade para permanecer na liderança, até às próximas legislativas que, se nada houver em contrário, devem acontecer em 2023. Abortou assim a estratégia de Paulo Rangel.

Mas o eurodeputado não teve paciência para esperar dois anos por uma hipotética derrota de Rio nas legislativas e avançou desde já, prometendo “unir o PSD”, tarefa que se apresenta difícil, para não dizer impossível. Quem conhece a história deste partido sabe que nem Sá Carneiro conseguiu fazê-lo. Só Cavaco Silva calou os descontentes, com mão de ferro, sancionando os desobedientes.

Paulo Rangel não tem o talento político de Sá Carneiro, nem o punho forte de Cavaco Silva, tão pouco as manhas de Durão Barroso, ou as artimanhas de Passos Coelho. Falta-lhe o carisma, o talento político, a envergadura intelectual que seduza multidões. É aquilo a que se pode chamar uma fraca figura. Tudo isto são imperfeições que António Costa saberá explorar, se acaso os dois se defrontarem, em 2023.

Rio é hoje o homem de quem poucos gostam. Rangel será amanhã o homem de quem ninguém gosta.

Rio é hoje o homem de quem poucos gostam. Rangel será amanhã o homem de quem ninguém gosta. Tudo indica que o PSD vai continuar sem uma liderança forte e o país vai continuar sem uma oposição robusta que se imponha aos devaneios e às fantasias do Governo.

Paulo Rangel, a esta hora, já estará arrependido de se ter lançado nesta aventura excessiva. Mas já é tarde para recuar. Está farto de discorrer sobre banalidades, mas ainda não apresentou as linhas mestras de um programa político. Parece que espera o milagre de uma epifania, para então falar seriamente ao país.

(Este autor escreve de acordo com o antigo Acordo Ortográfico.)


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