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Racismo e o que é ser negro na Europa em debate em Lisboa
Portugal 2 min. 04.07.2019

Racismo e o que é ser negro na Europa em debate em Lisboa

Racismo e o que é ser negro na Europa em debate em Lisboa

Portugal 2 min. 04.07.2019

Racismo e o que é ser negro na Europa em debate em Lisboa

Na organização e no palco da conferência de três dias com mais de 200 oradores que começou hoje no ISCTE vão estar “pessoas a debater nos seus próprios termos”.

Começou esta quinta-feira no ISCTE, em Lisboa, a conferência Afroeuropeus: in/visibilidades negras contestadas. São três dias de uma programa que inclui cerca de 200 oradores escolhidos através de uma open call, em que na organização e no “palco” vão estar “pessoas a debater nos seus próprios termos”, não como objetos de estudo, mas como sujeitos produtores de conhecimento, disse ao Público uma das organizadoras, a socióloga Cristina Roldão.

Com mais de um ano de montagem, a conferência foi preparada por uma equipa sem “um único grande nome da academia”: todos os membros da comissão organizadora – além de Cristina Roldão, Otávio Raposo, Jovita dos Santos Pinto, Mojana Vargas, Pedro Varela, Raquel Lima, Raquel Matias, Apolo de Carvalho e Carla Fernandes – são investigadores em situações precárias, sublinhou ao mesmo jornal. “Não temos em Portugal muitas oportunidades de ter uma discussão com este nível de sofisticação, variedade, disponibilidade, profundidade sobre as questões do racismo e do que é ser negro na Europa”, analisou. 

Na organização colaboraram também vários centros de investigação de universidades portuguesas, do CES de Coimbra ao CIES da Universidade de Lisboa. A iniciativa, com entrada livre para quem não precisa de certificado, acontece depois de uma proposta da comissão organizadora à rede internacional Afroeuropeans, que reúne académicos e intelectuais que têm refletido sobre a presença dos afrodescendentes na Europa.

Justificava-se fazê-lo em Portugal, acredita a socióloga, por várias razões, entre elas os debates sobre o racismo que se tornaram mais intensos no espaço público nos últimos anos. Cristina Roldão recordou o caso da Esquadra de Alfragide, em 2015, a discussão sobre a criação de uma pergunta sobre a origem étnico-racial no Censos 2021​, na qual participou, a campanha pela mudança da lei da nacionalidade, a criação do memorial para a escravatura ou a polémica com o Museu dos Descobrimentos.

“Uma das razões que nos dá grande entusiasmo em fazer esta conferência é porque Portugal tem um papel central no que é a produção do racismo e na construção de uma diáspora subalternizada dos negros no mundo. É como que um voltar ao sítio onde as coisas começam”, afirmou.

“É importante trazer a conferência para Portugal porque há uma falta de espaço, quer em termos da representatividade étnico-racial dos investigadores/professores universitários, quer na possibilidade de uma linha de pesquisa de racial studies ou de black studies. Como não existem nos nossos programas autores negros, esta é uma forma de resistência ao branqueamento e apagamento no palácio de cristal da academia da produção de conhecimento feito pelos sujeitos racializados.”

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