Escolha as suas informações

Quem mete a polícia na ordem?
Opinião Portugal 2 min. 21.11.2022
Investigação

Quem mete a polícia na ordem?

Uma transeunte passa pelo edifício sede da Policia Judiciária em Lisboa, em agosto de 2022.
Investigação

Quem mete a polícia na ordem?

Uma transeunte passa pelo edifício sede da Policia Judiciária em Lisboa, em agosto de 2022.
Foto: Tiago Petinga/Lusa
Opinião Portugal 2 min. 21.11.2022
Investigação

Quem mete a polícia na ordem?

Sérgio FERREIRA BORGES
Sérgio FERREIRA BORGES
A insubordinação dos polícias é um desafio à autoridade do Estado que tem de ser rapidamente reprimido.

Uma reportagem de um consórcio de jornalistas mostrou aquilo que há muito se sabia e de que se falava em surdina: as forças policiais estão infiltradas por agentes de extrema-direita.

Contas feitas, serão cerca de 600 operacionais, da PSP e da GNR que inundam as redes sociais com incentivos à violência. Também já se sabia que grande parte deste pessoal que devia zelar pela segurança de nós todos, é afecto ao Chega, o partido de extrema-direita, com assento parlamentar.

A insubordinação dos polícias é um desafio à autoridade do Estado que tem de ser rapidamente reprimido.

Tudo isto é de uma enorme gravidade, por várias razões. Primeiro, eles mostram que só estão dispostos a defender os cidadãos que comunguem do mesmo ideário político. Todos os outros, são marginais que devem ser tratados a tiro, como dizem em mensagens que publicam, sem o menor pejo.

A insubordinação dos polícias é um desafio à autoridade do Estado que tem de ser rapidamente reprimido, com o músculo que a situação exige.

Alguns dirigentes dos imensos sindicatos que representam as polícias tentam desculpá-los, com um argumento que não faz vencimento. Dizem que isto é apenas um grito de revolta e protesto, contra o seu baixo estatuto salarial.

Também eu aceito que os agentes das forças de segurança são mal pagos e que o Estado tem de ser célere, no reparo desta injustiça. Mas também se exige dos agentes a paciência necessária, até que se consigam os meios financeiros necessários para resolver uma questão que é antiga. Tal como os polícias, também os militares, os professores, os trabalhadores da administração pública se queixam da escassez dos seus salários.

Mais ainda: quando optaram pelo ingresso na PSP ou na GNR, fizeram-no voluntariamente, no pleno uso das suas faculdades. E, nessa altura, já sabiam que os salários eram estreitos de mais, para ambições muito largas. Portanto, não têm muita razão de queixa.

Pode a PSP tratar destes casos, no âmbito estritamente disciplinar? Provavelmente não há profilaxia para tão grave patologia. Um dos agentes mais activos na provocação ao Estado e à sua autoridade já foi afastado da PSP, há alguns anos. Mas contestou a sua exclusão, com uma acção nos tribunais cíveis. E o resultado foi desarmante: a PSP foi obrigada a reintegrá-lo, com uma indemnização choruda e com o pagamento dos salários referentes aos anos em que esteve suspenso.

Segundo me disseram, fontes da PSP, desde sempre, este agente se manifestou uma criatura problemática, com evidentes sintomas de perturbações que os seus superiores hierárquicos repetidamente denunciaram. Mas nada disso foi suficiente para o colocar onde agora devia estar.

 (Autor escreve de acordo com a antiga ortografia.)

O Contacto tem uma nova aplicação móvel de notícias. Descarregue aqui para Android e iOS. Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.


Notícias relacionadas