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Que nem ginja
Opinião Portugal 3 min. 22.01.2022
Legislativas

Que nem ginja

O líder parlamentar do Partido Comunista Português (PCP), João Oliveira, visita o Clube Desportivo e Recreativo Águias Unidas do Fanqueiro no âmbito da campanha eleitoral para as Eleições Legislativas.
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Que nem ginja

O líder parlamentar do Partido Comunista Português (PCP), João Oliveira, visita o Clube Desportivo e Recreativo Águias Unidas do Fanqueiro no âmbito da campanha eleitoral para as Eleições Legislativas.
Foto: Lusa
Opinião Portugal 3 min. 22.01.2022
Legislativas

Que nem ginja

Luís Pedro Cabral
Luís Pedro Cabral
João Oliveira, informal candidato a ser um dos candidatos a secretário-geral do PCP, vai trocando as voltas às perguntas que os jornalistas lhe colocam a cada momento sobre a substituição na liderança do partido, como se fosse a substituição de um pneu.

Ora as questões de nomenclatura no PC nunca se colocaram assim, e também esta alteração de paradigma não parece estar no horizonte comunista. Também já vai sendo hábito, mais uma tradição, dos candidatos em campanha não responderem às perguntas que lhes são colocadas, às vezes mudando drasticamente de assunto, noutras, usando o expediente clássico de responder a uma pergunta com outra. 

Foi o que vez João Oliveira, que é alentejano de gema e candidato pelo círculo de Évora - que não é um círculo qualquer na esfera da CDU -, quando pela enésima vez o questionaram sobre a renovação. Em vez de uma evasiva, João Oliveira, por terras algarvias, passou ao ataque: "Para onde vai António Costa?" Essa é fácil: estava na Guarda, a beber um penalti de ginjinha para aquecer a samarra e ia para Castelo Branco, para um comício mais para a noitinha. 

João Oliveira explicou: "o senhor primeiro ministro cada vez mais se afasta da convergência com o PC". Todos os dias, várias vezes ao dia, os comunistas falam do PS ao arrepio da geringonça, não disfarçando a hecatombe que prevêem os arautos da desgraça e, já agora, as sondagens.

Rui Rio, que anda todo divertido a ensaiar o seu novo estilo "relaxed fit", foi atacado por todos os quadrantes. Das gloriosas memórias do olimpismo português, eis que Rosa Mota se junta a um grupo de apoiantes do PS, não estando pelos ajustes quando foi instada à prosa sobre o legado de Rui Rio enquanto presidente da segunda maior edilidade do país, o Porto. Rosa Mota, com aquele seu ar queridíssimo, de eterna menina da nação, foi mais contundente que 30 debates de 25 minutos, chamando ao líder do PSD um "nazizinho". 

Mas porquê, Rosa Mota? Não me diga que foi por causa da derrapagem transcendental nas obras de requalificação do mercado do Bolhão, do encerramento do Rivoli e do nó górdio com que estrangulou o sector da Cultura na Invicta? Ou terá sido por causa dos negócios em torno da recuperação (muito abusivo o termo) do bairro do Aleixo, que é hoje um imenso supermercado de droga?

A Rosa Mota, Rui Rio não respondeu. Nem mesmo o famoso Zé Albino, o seu gato, que neste momento compete com Bruno de Carvalho, colocou uma sílaba no Twitter sobre a comparação que fizeram ao seu dono, desde logo uma enorme injustiça para André Ventura. Um pouco mais tarde, seria o actual presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, a apontar baterias ao líder do PSD, sem o nomear, embora também não precisasse. 

Rui Moreira, após ser ilibado do Selminhogate, não cabia em si de contente, lembrando imediatamente quem usou politicamente a acusação de que era alvo nas últimas autárquicas, fazendo tábua-rasa do respeito institucional e da presunção de inocência. Rui Rio apareceu no Isto é Gozar com Quem Trabalha com excelente disposição para a brincadeira, sapateando com RAP, folheando um livrinho com piadolas fotocopiadas a cores, a imitar o Orçamento de Estado, a bíblia sagrada do Pb, 14º elemento da tabela periódica.

À chegada a Castelo Branco, António Costa passou em surf pela pergunta de um milhão de dólares, ou mais: "Senhor primeiro-ministro, o engenheiro José Sócrates é um activo tóxico?" António Costa aproveitou para dizer que as palavras de Rosa Mota de Rosa Mota são. E, desconhecendo que Rui Rio estava em maré de entretenimento para a audiência da SIC usando uma paródia do OE, acusava o líder de PSD de fugir "como o diabo da cruz" da apresentação do seu programa de governo. O dr. Rui Rio, disse o primeiro-ministro, anda para aí em arruadas a distribuir graçolas (o tempo dos brindes já lá vai), às vezes "a tocar o bombo", noutras, "a jogar à Raspadinha". Ainda não lhe saiu nada. Não fosse um jogo de azar.

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