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Quase 120 suspeitos detidos. O que os leva a atear fogos?
Portugal 4 2 min. 14.08.2022
Incêndios Portugal

Quase 120 suspeitos detidos. O que os leva a atear fogos?

Um popular observa o Incêndio em Celorico da Beira, Guarda, que sábado assustou as populações.
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Quase 120 suspeitos detidos. O que os leva a atear fogos?

Um popular observa o Incêndio em Celorico da Beira, Guarda, que sábado assustou as populações.
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Portugal 4 2 min. 14.08.2022
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Quase 120 suspeitos detidos. O que os leva a atear fogos?

Redação
Redação
Os incendiários são homens, mulheres das mais diversas idades. Aborrecimento e raiva são das motivações frequentes. Mas há mais.

Este ano já foram detidos 119 suspeitos do crime de incêndio florestal, revelou este domingo, o ministro da Administração Interna, José Luís Carneiro. E poderá haver mais detenções, pois "outras investigações estão em curso para detetar as causas de outros incêndios", precisou.

Neste mês de agosto, as autoridades policiais já detiveram 15 suspeitos de incêndios por todo o país, homens e mulheres das mais diversas idades, alguns dos quais poderão ter originado vários fogos florestais. Dois homens em Aveiro, de 17 e 20 anos foram detidos por suspeita de oito crimes de incêndios e outro indivíduo, de 42 anos, em Vila Real, suspeito de atear, pelo menos, nove fogos.

As medidas de coação dos suspeitos podem variar entre apresentações períodicas à esquadra ou ficar em prisão preventiva.

As principais razões dos incendiários

O perfil dos incendiário é muito diverso, embora haja motivações mais frequentes, como revela um estudo da Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP), em 2017, em parceria com a Escola da Polícia Judiciária, a que a Lusa teve acesso. A investigação abrangeu 247 pessoas arguidas e condenadas por crime de incêndio que estavam, à data, em execução de pena ou medida na comunidade.

"Chamar a atenção, vingança/raiva, aborrecimento e o prazer em ver o combate ao fogo (161 casos, 73%), foram as motivações "intrínsecas ou expressivas", reveladas pelos inquiridos.  Os restantes casos enquadraram-se nas desigandas “motivações mais extrínsecas ou instrumentais”, nomeadamente formas de resolver problemas e a obtenção de benefícios (59 casos, 27%).

Idades e profissões

A maioria das pessoas arguidas e condenadas por incêndio eram homens (91%), situando-se a média de idades nos 44 anos e a faixa etária entre os 41 e os 64 anos era a mais representada.

Aquele estudo refere também que a maioria dos incendiários residia na zona Norte (104 casos, 42%), seguida do Centro (98 casos, 40%), Sul e Ilhas (45 casos, 18%) e estavam ativos profissionalmente (114 casos, 47%), sendo a área profissional mais representada a agricultura e pastorícia (50 casos, 21%), seguida da construção civil (17%) e dos serviços (10%).


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Consumos e doenças

  Os casos deste perfil apresentam problemáticas de consumo de álcool e de saúde mental, nomeadamente ao nível do défice cognitivo.  

O estudo identificou ainda padrões distintos de comportamento incendiário associados a diferentes características dos respetivos arguidos e condenados, tendo concluído que 42% dos casos estudados não têm prática de outro tipo de crime para além do incêndio e, quando existem, os antecedentes criminais são pelo mesmo tipo de crime.

Os casos deste perfil apresentam problemáticas de consumo de álcool e de saúde mental, nomeadamente ao nível do défice cognitivo.

Com LUSA

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