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Quando os ricos são presos…!
Opinião Portugal 2 min. 20.12.2021
Detenção de João Rendeiro

Quando os ricos são presos…!

O ex-banqueiro português João Rendeiro, no Tribunal de Verulam, na África do Sul, onde foi detido a 11 de dezembro.
Detenção de João Rendeiro

Quando os ricos são presos…!

O ex-banqueiro português João Rendeiro, no Tribunal de Verulam, na África do Sul, onde foi detido a 11 de dezembro.
Foto: Lusa
Opinião Portugal 2 min. 20.12.2021
Detenção de João Rendeiro

Quando os ricos são presos…!

Sérgio FERREIRA BORGES
Sérgio FERREIRA BORGES
A dignidade de Rendeiro perdeu-se, com as falcatruas que ele cometeu e pelas quais se recusa a retractar-se, perante a sociedade.

Foram dias marcados pela discussão de casos de justiça, com argumentos pouco entendíveis, para quem leva estas coisas de forma mais séria. Muita gente está hoje contra aquilo que ontem apoiou e vice-versa.

Em poucos dias, João Rendeiro passou de enorme patife, a um imaculado escuteiro, despojado da sua dignidade, pela justiça, jornais e televisões. Bastou que tivessem exibido uma foto do homem, trajando um pijama nada condizente com a ostentação de luxo e riqueza que o caracteriza.

Quero dizer que, fosse eu o editor desses meios e, tanto quanto me fosse possível, furtar-me-ia a tal exibição que, não considero indigna. Na ausência de outras imagens, procuraria um enquadramento, dando todo o plano à cara da criatura e poupando o beatífico pijama que tanta felicidade distribuiu a quem tem manifesta falta de assunto.

Ter dinheiro em offshores é uma escolha da mais transparente legalidade, dizem. Mas não será lídimo.

Mas, com essa operação, a foto podia ficar cheia de grão, como se diz em calão jornalístico. Nessa circunstância, eu publicaria a foto, sem comentários ao pijama ou à sua cor. E não vejo que um homem que roubou, burlou e fugiu à justiça só perca a dignidade, com a publicação de uma foto em traje prosaico. A dignidade de Rendeiro perdeu-se, com as falcatruas que ele cometeu e pelas quais se recusa a retractar-se, perante a sociedade.

Houve outras imagens que me chocaram, verdadeiramente. Por exemplo, vê-lo a entrar numa carrinha celular que mais parecia um veículo de transporte de gado. Não me escandalizei por ser o Rendeiro, mas sim, por se tratar de um ser humano. Mas isto não mereceu a comiseração das virgens ofendidas com o pijama de Rendeiro.

Manuel Pinho foi outro caso que fez derramar lágrimas sem fim, em páginas de jornais e écrans de televisão. Tudo, por que o processo em que é arguido mudou de juiz e, com essa troca, foi-lhe aplicada, como medida de coacção, a prisão domiciliária, a que ele não vai escapar, por não possuir os seis milhões de euros que foram estabelecidos para a caução. O valor parece ser inédito, mas, com toda a certeza, está justificado no despacho do juiz.

Tudo isto mereceu laudatórias manifestações de indignação que devem ter sensibilizado o próprio Pinho. Não há perigo de fuga, por isso não se justifica a prisão domiciliária, nem a exorbitância da caução, disseram agora aqueles que no passado recente o atacaram.

Surgem depois os advogados, clamando a inocência dos seus clientes. Ter dinheiro em offshores é uma escolha da mais transparente legalidade, dizem. Mas não será lídimo, nem se percebe a razão de tal opção, se não for para esconder dinheiro.

(Este autor escreve de acordo com o antigo Acordo Ortográfico.)

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