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Projeto vai criar plataforma sobre trabalhadores forçados portugueses na Alemanha nazi
Portugal 3 min. 21.07.2020 Do nosso arquivo online

Projeto vai criar plataforma sobre trabalhadores forçados portugueses na Alemanha nazi

Projeto vai criar plataforma sobre trabalhadores forçados portugueses na Alemanha nazi

Portugal 3 min. 21.07.2020 Do nosso arquivo online

Projeto vai criar plataforma sobre trabalhadores forçados portugueses na Alemanha nazi

Lusa
Lusa
Estima-se que um milhar de portugueses tenha caído às mãos do III Reich. Muitos eram emigrantes em França, outros alinharam pelos republicanos na Guerra Civil de Espanha.

Um projeto transnacional pretende criar uma plataforma pública com informações sobre os trabalhadores forçados portugueses e espanhóis na Alemanha nazi, tendo para isso recebido financiamento de um programa europeu, anunciou o Instituto de História Contemporânea.

Em comunicado, o Instituto de História Contemporânea (IHC) da Universidade Nova de Lisboa salienta que o projeto “Portuguese and Spanish Forced Labourers under National Socialism: History, Memory and Citizenship” (“Trabalhadores forçados portugueses e espanhóis sob o nacional-socialismo: História, memória e cidadania”, em tradução livre), coordenado por Cláudia Ninhos, foi o único trabalho português contemplado pelo programa “Europa para os Cidadãos – Memória Europeia”.

Tendo a Universidade Autónoma de Barcelona, a Universidade de Paris 8 e o Observatório Europeu sobre Memórias como parceiros, o projeto procura alargar o âmbito de um trabalho desenvolvido desde 2015 por uma equipa liderada pelo historiador Fernando Rosas, que partiu do estudo dos portugueses no campo de concentração de Mauthausen, na Áustria, e que se foi estendendo aos principais campos nazis.

“A nossa ideia era ir estendendo isto progressivamente por forma a perfazer a lista dos portugueses que passaram pelos principais campos de concentração”, afirmou à Lusa Fernando Rosas, salientando a importância desse estudo não só para as famílias, mas também para o conhecimento histórico em Portugal.

Cláudia Ninhos sublinha que “esta segunda fase, no fundo, é um alargamento desse projeto inicial”, realçando a parceria com o lado espanhol.

“Juntamos esforços com o objetivo de criar uma base de dados que congregue informações sobre portugueses e espanhóis. Há uma parte da informação que já está feita, mas este financiamento vai permitir-nos voltar aos arquivos portugueses, espanhóis, mas sobretudo aos alemães e franceses”, afirmou a coordenadora do projeto, que aponta o final do primeiro semestre de 2022 como data para a colocação ‘online’ da plataforma.

A lista já identificada de portugueses que foram forçados a trabalhar na Alemanha nazi será “a ponta de um icebergue muito maior”, reiterou Cláudia Ninhos, visto que muitos documentos estão ainda por revelar e outros terão sido destruídos no contexto da Segunda Guerra Mundial.

Entre essa lista, que incluirá cerca de um milhar de pessoas, estão indivíduos com “percursos muito distintos” e “uma história de vida muito específica”.

“De forma geral, são emigrantes portugueses que se estabeleceram em França ao longo das décadas de 1920 e 1930. Há também outro grupo, muito interessante, que são os portugueses que participaram na Guerra Civil de Espanha e depois acompanharam a vaga de refugiados que se criou para França. São destes dois grupos que saem os trabalhadores forçados que depois vão parar a empresas alemãs, também a campos de concentração”, explicou Cláudia Ninhos, que frisou tratar-se de um “assunto muito complexo, porque há várias categorias de trabalhadores forçados”.

Pelo meio, há ainda portugueses voluntários e cujo regresso ao local de origem, “com o evoluir da guerra”, se tornou impossível.

Fernando Rosas, que enalteceu o apoio do Ministério dos Negócios Estrangeiros ao projeto, lamenta que a pandemia de covid-19 tenha levado a uma suspensão dos trabalhos de investigação e espera que, no último trimestre do ano, já seja possível o retomar dos trabalhos, com as viagens previstas aos arquivos estrangeiros.

O projeto vai também incluir “ações de formação para professores em Portugal e em Espanha, bem como a produção de material pedagógico”, com a colaboração da Associação de Professores de História e dos parceiros alemães dos Arolsen Archives - International Center on Nazi Persecution.

Adicionalmente, “será ainda organizada uma exposição sobre esta temática, a inaugurar em Paris”.

A equipa do IHC é composta por, para além de Cláudia Ninhos e Fernando Rosas, Ansgar Schaefer e ainda pelo investigador associado e também diretor do Museu Nacional de Arqueologia, António Carvalho.

Em 2017, devido à investigação realizada pelo IHC, sob coordenação de Rosas, foi descerrada uma placa em Mauthausen, de homenagem aos portugueses, de todas as origens e credos, vítimas do regime nazi.

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