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Primazia a Lisboa? Após chuva de críticas, TAP recua no plano de voos
Portugal 3 min. 28.05.2020

Primazia a Lisboa? Após chuva de críticas, TAP recua no plano de voos

Primazia a Lisboa? Após chuva de críticas, TAP recua no plano de voos

Foto: Ricardo Raminhos
Portugal 3 min. 28.05.2020

Primazia a Lisboa? Após chuva de críticas, TAP recua no plano de voos

Catarina OSÓRIO
Catarina OSÓRIO
Após o anúncio do novo plano de voos choveram várias críticas à empresa, incluindo do Governo. Uma delas é de que a empresa estaria a privilegiar Lisboa em detrimento do Porto.

O anúncio do novo plano de voos da TAP para os próximos meses está a gerar controvérsia, sendo uma das razões a primazia a Lisboa em detrimento do Porto. Entre Governo, autarquias e setor do turismo várias vozes se levantaram nos últimos dias contra a lista de voos da transportadora aérea, o que levou mesmo a empresa a recuar no plano de voos para os próximos meses.

Em comunicado enviado à Agência Lusa, o Conselho de Administração da TAP afirma que irá "ajustar" o plano de retoma de rotas anunciado, garantindo que este ficará "subordinado aos constrangimentos legais" à mobilidade, por causa da pandemia de covid-19.  

No mesmo documento, os administradores da companhia indicam também que o novo plano "considerando o período difícil que Portugal atravessa, ficará, naturalmente, subordinado aos constrangimentos legais que existam quanto à mobilidade das pessoas e ao transporte aéreo".   

A 25 de maio, a empresa publicou a lista de voos para os próximos dois meses que implica 27 ligações em junho e 247 em julho, sendo a maioria de Lisboa. Ora, após as críticas a TAP voltou atrás e diz que vai "ajustar" a lista de retoma de rotas. 

Plano sem estratégia de reabertura de fronteiras de Portugal "não tem credibilidade", diz Costa

O recuo da TAP segue-se às fortes críticas do primeiro-ministro, António Costa, que afirmou que a Comissão Executiva da TAP tem o dever legal de "gestão prudente" e considerou mesmo que um plano de rotas sem prévia informação sobre a estratégia de reabertura de fronteiras de Portugal "não tem credibilidade". "Não é compatível com a definição, divulgação e promoção de planos de rotas cuja viabilidade depende da vontade soberana da República Portuguesa na gestão das suas fronteiras", afirmou Costa esta quarta-feira à Agência Lusa. De relembrar que vários países europeus ainda mantêm as fronteiras encerradas e os planos de desconfinamento estão a ser levantados de forma progressiva. 

Costa acrescentou ainda que o aeroporto de Lisboa está saturado e que "o aeroporto Francisco Sá Carneiro no Porto é uma infraestrutura extraordinária, mas tem subutilização". Após o recuo da transportadora o primeiro-ministro mostrou-se satisfeito pela empresa "emendar o erro".

Mas, entretanto, já a chuva de críticas tinha chegado do norte, tendo-se espallhando-se depois para o sul. Em declarações ao Público, o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, acusou a TAP de "impor um confinamento ao Porto e ao Norte". O secretário-geral adjunto do PS, José Luís Carneiro,também desafiou a empresa a corrigir a estratégia de recuperação de rota, já que o plano que tinha anunciado "lesa o interesse nacional". E mesmo Marcelo Rebelo de Sousa afirmou à Lusa estar a acompanhar "a preocupação manifestada por vários partidos políticos e autarcas relativamente ao plano (...) em particular no que respeita ao Porto". 


Covid-19. TAP avança com plano de voo e atinge 247 ligações semanais em julho
Os voos de e para o Luxemburgo devem ser retomados em julho.

Da mesma forma, também os municípios e Turismo do Algarve criticaram o plano da empresa por ser pouco robusta para a região fortemente afetada pela pandemia.

No comunicado entretanto divulgado a transportadora diz que a lista de rotas "pode ser ajustada sempre que as circunstâncias assim o exijam". 

De acordo com o plano divulgado, que entretanto será revisto, a empresa contava voar apenas entre Luxemburgo e Lisboa em junho, e só em julho retomaria a ligação Luxemburgo-Porto. Questionada pelo Contacto sobre o plano de rotas entre os dois países para os próximos meses a empresa não respondeu em tempo útil.

A companhia aérea é detida a 45% pelos privados da Atlantic Gateway (Humberto Pedrosa e David Neeleman), em 50% pelo Estado, através da Parpública, e em 5% pelos trabalhadores, mas a gestão, assegurada pela Comissão Executiva, cabe aos privados. Além do novo plano de rotas outros pontos têm suscitado dúvidas ao Estado, entre eles a atribuição de prémios em ano de prejuízos e a forma como será dado apoio para minimizar as consequências da pandemia. 

Com Lusa

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