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Presidente do IAC diz que jovem sem-abrigo não quis matar filho que deitou no lixo
Portugal 08.11.2019

Presidente do IAC diz que jovem sem-abrigo não quis matar filho que deitou no lixo

Presidente do IAC diz que jovem sem-abrigo não quis matar filho que deitou no lixo

Photo: Istock
Portugal 08.11.2019

Presidente do IAC diz que jovem sem-abrigo não quis matar filho que deitou no lixo

Segundo Dulce Rocha, a mãe, de 22 anos, estava numa situação de vulnerabilidade que a levou a abandonar o filho.

A presidente do Instituto de Apoio à Criança (IAC) defendeu esta sexta-feira que a jovem sem-abrigo que deitou na terça-feira o filho recém-nascido no lixo, em Lisboa, expôs o bebé ao abandono sem querer matá-lo.

Segundo Dulce Rocha, a mãe, de 22 anos, estava numa situação de vulnerabilidade que a levou a abandonar o filho.

"Esta mãe está muito sozinha, muito desesperada, sem apoio familiar, senão não tinha praticado o que praticou", disse a magistrada à Lusa, considerando que o crime em causa é "exposição ao abandono" e não tentativa de homicídio.

A presidente do IAC entende que "não há indícios", como lesões ou sinais de asfixia, que apontem para tentativa de homicídio.

A mãe, detida hoje de madrugada em Lisboa e ouvida em primeiro interrogatório judicial, vai aguardar julgamento em prisão preventiva, indiciada da prática de homicídio qualificado na forma tentada, indicou fonte da PJ, que conduziu as investigações.

Dulce Rocha reiterou que o bebé deve ser encaminhado para adoção e entregue a uma família que o ame, saiba cuidar dele e "não coloque a criança novamente em perigo".

"A mãe não está em condições de cuidar do bebé e a sua família também não cuidou desta mãe", afirmou, sustentando que a jovem "tem de ser muito acompanhada" e necessita de uma casa.

Dulce Rocha pede uma maior "cooperação institucional" na sinalização, acompanhamento e resolução de casos envolvendo pessoas sem-abrigo.

O IAC divulgou hoje um comunicado em que alerta "para a necessidade de uma reflexão humanizada sobre as vulnerabilidades das pessoas em situação de sem-abrigo" e defende "uma ação integrada, concertada nos diversos domínios, para uma maior eficácia na inclusão destas pessoas".