Escolha as suas informações

Presidente da Câmara de Góis nomeia marido como chefe de gabinete
Portugal 4 min. 14.05.2019

Presidente da Câmara de Góis nomeia marido como chefe de gabinete

Presidente da Câmara de Góis nomeia marido como chefe de gabinete

Foto: Captação/SIC Notícias
Portugal 4 min. 14.05.2019

Presidente da Câmara de Góis nomeia marido como chefe de gabinete

Em declarações à imprensa portuguesa, a presidente da autarquia realçou a legalidade da contratação.

Entre o namoro e casamento, o marido da presidente da Câmara de Góis foi promovido de motorista a chefe de gabinete da autarca. Lurdes Castanheira vincou que a nomeação de António Gonçalves, seu marido, é legal e até saiu "mais barata" ao erário público. 

A presidente da Câmara de Góis, Lurdes Castanheira, tem como chefe de gabinete o seu marido, António Gonçalves, que durante mais de 10 anos foi motorista da autarquia. No total, o homem trabalha há 20 anos na Câmara, segundo o Observador.

'Tonito', apelido pelo qual é tratado pelos mais velhos, foi promovido a secretário em 2012, e nomeado chefe de gabinete nos dois últimos mandatos, pela presidente da câmara socialista. O segundo ocorreu, no final de 2017, já depois do seu casamento com Lurdes Castanheira. Em declarações ao Observador, a autarca revelou que nomeou o marido pela "confiança pessoal" e que até foi o "nomeado mais barato".

 Os habitantes de Góis estão divididos quanto a esta escolha e às relações pessoais existentes entre autarca e chefe de gabiente, como revelou uma reportagem do Correio da Manhã (CM). "É mau. Era motorista dela e desde que passaram a ter uma relação foi promovido e agora já é senhor doutor e todos lhe levantam a pala", disse uma moradora que pediu para não ser identificada pelo CM. A mesma opinião foi dada por outro habitante: "É errado por ser marido e mulher. Na questão moral não é aceitável", referiu.

Por outro lado, há quem concorde com a nomeação caracterizando o marido da autarca como uma pessoa "competente". É o caso de Ilda Pascoal que não vê "qualquer problema" em António Gonçalves ser chefe de gabinete visto  que é "competentíssimo". Também Casimiro Simões destacou ao CM a "competência" do chefe de gabinete que é  também "um homem da serra". "Ele [António Goncalves] pode não ter currículo, mas é competente para o cargo", classificou igualmente Maria de Lurdes Barata.

Namoro e casamento na câmara de Góis

Quando a socialista Lurdes Castanheira ganhou a Câmara Municipal de Góis, em 2009, António Gonçalves passou a ser seu motorista. Foi promovido a secretário em 2012 e a chefe de gabinete de apoio à presidência em dois mandatos consecutivos, como consta em Diário da República. Aquando da primeira nomeação para chefe de gabinete, em 2015, já era conhecida a relação da autarca com António Gonçalves, com quem viria a casar.

Ao Observador, a presidente da autarquia de Góis realçou a legalidade da contratação. "A lei em vigor determina o conteúdo funcional e o grau de compromisso de o/a chefe de Gabinete" e "deixa a possibilidade de recair em pessoas de confiança política e pessoal", sem indicar "habilitações", considerou. A autarca diz mesmo que, se quisesse, o marido poderia até candidatar-se a Belém. "O ainda chefe de gabinete da câmara Municipal de Góis, à luz da lei em vigor, pode ser, inclusivamente, candidato a Presidente da República", acrescentou.

Lurdes Rodrigues desvalorizou também a falta de currículo profissional para a função de António Gonçalves. "Mais do que as qualificações ou habilitações, como defende a fraca oposição de Góis, nós por cá defendemos que mais importante são a disponibilidade, a confiança política e pessoal e a certeza de que um nomeado serve e respeita o interesse pessoal", considerou. E vincou ainda que o seu marido foi "o nomeado mais barato", explicando que "como trabalhador da Câmara custa ao erário público metade do que custaria recrutar uma pessoa externa ao município".

A autarca contou ainda ao Observador que, no final do ano passado, António Gonçalves lhe pediu para sair do cargo, mas que a própria não aceitou. "O atual chefe de gabinete solicitou a sua renúncia em finais do ano passado. Até ao momento, não foi aceite porque ainda não estão criadas as condições para a sua cabal substituição".

Relações familiares no executivo de Costa: 50 pessoas e 20 famílias

As relações familiares dentro do governo de António Costa têm causado uma das maiores polémicas do seu mandato, e já levaram mesmo a demissões. 

Segundo as contas do Jornal Económico, existiam no governo de Costa 50 pessoas com laços familiares envolvendo um total de 20 famílias, mais um ex-casal. Uma teia que levou a três demissões: do secretário de Estado do Ambiente, Carlos Martins (abril de 2019) , do seu primo Armindo Alfes  - que tinha sido nomeado para adjunto do gabinete de Carlos Martins - e da exoneração de João Ruivo da secretaria de Estado do Desenvolvimento Regional por ser marido da secretária de Estado da Cultura, Ângela Ferreira.

No governo há vários exemplos de relações familiares próximas como a do ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, que é casado com e a ministra do Mar, Ana Paula Vitorino. Também o atual ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, José António Vieira da Silva, trabalha lado a lado com a filha, Mariana Vieira da Silva, como ministra da Presidência e da Modernização Administrativa. Mas há muitos mais exemplos, segundo a  investigação recente do Jornal Económico

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba a nossa newsletter das 17h30.