Escolha as suas informações

OPINIÃO: Rio corre para o mar!
Portugal 3 min. 23.10.2014 Do nosso arquivo online
Praça Pública

OPINIÃO: Rio corre para o mar!

Rui Rio
Praça Pública

OPINIÃO: Rio corre para o mar!

Rui Rio
LUSA
Portugal 3 min. 23.10.2014 Do nosso arquivo online
Praça Pública

OPINIÃO: Rio corre para o mar!

Avenida da Liberdade - Os mais recentes indícios atiram Rui Rio para uma candidatura à Presidência da República. Esse parece ser o desejo dele próprio, e Passos Coelho pode aceitar essa possibilidade.

Até agora, tem-se falado muito de uma solução governativa de bloco central, com António Costa como primeiro-ministro e Rio como segunda figura e líder do PSD. Mas isso é pouco para o antigo presidente da Câmara do Porto. Rui Rio só quer a liderança do PSD se isso lhe permitir ganhar umas eleições legislativas e formar Governo. Menos que isto é muito pouco para as suas ambições.

Para lá chegar, teria de derrubar Passos Coelho, como defendem alguns dos seus apoiantes, de modo a poder disputar as próximas legislativas, contra António Costa. E isso parece de todo improvável, até pelo calendário eleitoral. Sendo assim, Rui Rio prefere uma candidatura a Belém, convencido que a norte do país, conquistará muitos votos à esquerda e que isso lhe pode garantir uma vitória, contra qualquer candidato socialista do sul.

Para isso, no entanto, tem de vencer outros proto-candidatos do PSD. O mais adiantado, nesta corrida, parece ser Marcelo Rebelo de Sousa que ainda não foi claro, nem definitivo, sobre as suas intenções. As sondagens dizem que ele é o social-democrata preferido pelo eleitorado. Mas Passos Coelho, na hipótese remota de renovar o mandato, não o quer ver em Belém. Marcelo é um homem prolixo, diria mesmo incapaz de ficar calado por muito tempo, e isso incomoda Passos Coelho.

Outro putativo candidato é Pedro Santana Lopes. Mas Passos Coelho acha que ele não é capaz de reunir o velho eleitorado do PSD e muito menos de cativar votos à esquerda. A sua passagem pela chefia do Governo foi um desastre que o eleitorado não esquece. É isso que Passos Coelho tem dito aos mais próximos. Finalmente, Luís Marques Mendes. Quando Marques Mendes iniciou a sua caminhada para a liderança do PSD, contou sempre com o apoio de Passos Coelho. Era até o actual primeiro-ministro que organizava os almoços de apoiantes de Marques Mendes, às sextas-feiras, no restaurante “Comilão”, de Campo de Ourique. Essa cumplicidade mantém-se, ao ponto de Marques Mendes ser o mensageiro do Governo. Mas depois disso, a vida deu muitas voltas e Passos Coelho não acredita que a figura do velho amigo seja capaz de galvanizar o eleitorado. Com Marques Mendes à cabeça, o PSD perde qualquer eleição, é esta a convicção de Passos Coelho.

E assim sendo, sobra Rui Rio. Passos Coelho e Rui Rio nunca foram grandes amigos, mas agora podem iniciar uma amizade de conveniência com interesses mútuos. Com o antigo autarca do Porto posicionado na grelha de partida para Belém, Passos Coelho afasta o único adversário interno e manter-se-á, com alguma tranquilidade, na liderança do PSD.

Mas estas contas podem ainda sair furadas. Se as legislativas forem antecipadas para a próxima Primavera, como defendem largos sectores, incluindo os parceiros sociais, tudo mudará. Previsivelmente, Passos Coelho perde-as e abandonará a liderança do partido. Será então o seu sucessor a escolher o candidato às presidenciais de Janeiro de 2016. Neste quadro, Rui Rio voltará ao ponto de partida, hesitando entre uma candidatura à liderança do PSD e uma candidatura à Presidência da República. E quem decide esse calendário eleitoral ainda é Cavaco Silva. É ele o dono do segredo. Mas se for coerente com o que sempre disse, as legislativas serão mesmo antecipadas, para o país ter novo Orçamento de Estado, na data prevista na lei e para que o Presidente da República tenha condições para cumprir a promessa que fez de nunca empossar um governo minoritário.

Sérgio Ferreira Borges


Notícias relacionadas

AVENIDA DA LIBERDADE, POR SÉRGIO FERREIRA BORGES - O ano de 2015, politicamente, vai ser marcado pelas eleições legislativas e pelos respectivos efeitos, que podem ainda ter reflexos nas presidenciais de 2016, sobretudo na área do PSD.
O ano político de 2015 em Portugal será protagonizado por estes dois homens, Passos Coelho e António Costa - excepto se houver alguma surpresa!