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Opinião Portugal 2 min. 06.12.2021
Política portuguesa

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Foto: Lusa
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Sérgio FERREIRA BORGES
Sérgio FERREIRA BORGES
Pelo caminho, [Rui Rio] deixou Pedro Santana Lopes, Luís Montenegro e, agora, Paulo Rangel. Já há quem esteja a clamar: próximo!

Rui Rio venceu, pela terceira vez, as eleições directas para a presidência do PSD. Pelo caminho, deixou Pedro Santana Lopes, Luís Montenegro e, agora, Paulo Rangel. Já há quem esteja a clamar: próximo!

Muitos comentadores e analistas diziam que Rui Rio partiu em clara desvantagem, contra um adversário que, em minha opinião, não apresentava atributos suficientemente sedutores. Nunca se percebeu muito bem onde foram descobrir razões para o favoritismo que atribuíam a Rangel.

Com o decorrer da campanha eleitoral, foram moderando o discurso e, à beira das urnas, já admitiam uma vitória de Rui Rio. Enquanto isto, Paulo Rangel foi reduzindo o pouco entusiasmo com que entrou na corrida. Em cada dia de estrada, mais se acentuava a figura frouxa de um homem sem encantos suficientes para conquistar a maioria.

O brilho intelectual que muita gente lhe reconhecia também não se deixava ver, tinha sido obscurecido por uma fraca figura, cansada, descrente de si própria. E enquanto se assistia ao ocaso de Rangel, Rui Rio ia recuperando confiança, sem, no entanto, se deixar tomar por qualquer tipo de vaidade ou prosápia.

Olhando para o histórico de Rangel, constata-se que está muito mais habituado a perder eleições, do que a ganhá-las.

No final, feitas as contas, Rui Rio venceu com 52 por cento e Paulo Rangel ficou-se pelos 48 por cento. Foi uma diferença que pode considerar-se mínima. Mas isso tem uma explicação. Paulo Rangel confederou à sua volta todos os descontentes e críticos de Rui Rio e assim conseguiu uma votação tão expressiva. Foi aquilo a que se pode chamar uma "derrota boa". Mas são 48 por cento que não lhe auguram nada de promissor para o futuro. Olhando para o histórico de Rangel, constata-se que está muito mais habituado a perder eleições, do que a ganhá-las. Regressa agora a Bruxelas para conservar o lugar de eurodeputado, até que a dourada reforma o desperte de um sono apaziguador.

Por aquilo que foi dizendo, já se percebeu que é em Bruxelas que Rui Rio o quer manter, dispensando-o de qualquer outro esforço. Não está à espera dele, por exemplo, para a campanha eleitoral de Janeiro, contra o PS e António Costa.

Esse vai ser o próximo desafio de Rui Rio. E, sem se deixar iludir pelos resultados desta pugna interna, já percebeu que o PS tem argumentos para vencer as eleições de 30 de Janeiro. Ao PSD, resta evitar uma vitória com maioria absoluta e esperar por uma qualquer oportunidade para surpreender tudo e todos, com uma vitória em que poucos acreditam, a dois meses de distância.

Se nada de agradável acontecer, é bem possível que Rui Rio seja de novo posto em causa, como líder do PSD. E, nessa circunstância, podemos ouvi-lo de novo a gritar: a seguir, próximo! Ou então, vira as costas à política e regressa ao seu Porto natal.

(Este autor escreve de acordo com o antigo Acordo Ortográfico.)

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