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Portugueses já sentem o pau nas costas
Opinião Portugal 2 min. 20.09.2022
Governo português

Portugueses já sentem o pau nas costas

Governo português

Portugueses já sentem o pau nas costas

Foto: Patrícia de Melo Moreira/AFP
Opinião Portugal 2 min. 20.09.2022
Governo português

Portugueses já sentem o pau nas costas

Sérgio FERREIRA BORGES
Sérgio FERREIRA BORGES
Muito pior será a prestação das casas que pode agravar-se em mais de metade do seu custo atual.

A situação de emergência social, provocada pelo surto inflacionista, será a primeira arena para o combate entre António Costa e Luís Montenegro. Nenhum concorda com as propostas do outro, como seria de esperar.

O chamado pacote de apoio elaborado pelo Governo contém três linhas de actuação. Uma dedicada às famílias, outra aos pensionistas e uma terceira às empresas. Em todas elas parece existir uma engenharia financeira, sugerida pela União Europeia, com um único objectivo: reduzir ao máximo os custos para o Estado.

A oposição diz que isto são habilidades do Governo, que não resolvem a situação de emergência social.

Por exemplo, os pensionistas vão usufruir, já em Outubro, de um benefício financeiro, de valor igual a metade da pensão que agora recebem. Mas em Janeiro, no momento de actualização das suas pensões, a fórmula de cálculo será diferente da que consta na lei e com prejuízo para os pensionistas. António Costa já o admitiu. E assim se irá manter pelos anos seguintes, o que quer dizer que os pensionistas serão prejudicados, para o resto da vida. É isto que os partidos da oposição, com destaque para o PSD, têm denunciado, com evidente razão.

As famílias, por seu lado, receberão um subsídio de 125 euros por membro do agregado ainda no activo, desde que o rendimento líquido não exceda os 2.700 euros. Terão direito ainda a um suplemento de 50 euros, por cada filho com idade inferior a 24 anos.

Diz a oposição que este valor é escasso e não consegue retirar as famílias da situação de estrangulamento em que se encontram. E recordam que alguns bens essenciais já viram os seus preços agravados em mais de nove por cento. Muito pior será a prestação das casas que pode agravar-se em mais de metade do seu custo actual.

Para as empresas, o Governo decidiu conceder linhas de crédito e um apoio directo à factura do gás, no valor de 235 milhões de euros. No total, as empresas vão receber 1400 milhões, podendo este valor sofrer uma majoração, se a Comissão Europeia o permitir. Mas a maior fatia é concedida através de empréstimos.

A oposição diz que isto são habilidades do Governo, que não resolvem a situação de emergência social, em que o país se encontra.   

O PS contra-ataca e diz que as medidas propostas pelo PSD são de carácter caritativo e nada têm de política social. Mas António Costa tem igualmente de dar ouvidos às vozes que, dentro do PS e do Governo exigem mais apoio concreto. Uma delas é a do ministro da Cultura. Pedro Adão e Silva diz que o Governo não se pode limitar a gerir conjunturas. E o presidente do partido, Carlos César, diz que é preciso mais acção, por parte do Governo.

(Autor escreve de acordo com a antiga ortografia.)

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