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Portugueses fazem cada vez menos exercício físico
Portugal 3 min. 25.01.2019 Do nosso arquivo online

Portugueses fazem cada vez menos exercício físico

Portugueses fazem cada vez menos exercício físico

Foto: Pixabay
Portugal 3 min. 25.01.2019 Do nosso arquivo online

Portugueses fazem cada vez menos exercício físico

O número de portugueses com 15 ou mais anos que "raramente" ou "nunca praticaram" exercício ou desporto aumentou nos últimos anos, passando de 66% em 2009 para 74% em 2017, segundo dados divulgados pela Direção-Geral da Saúde (DGS).

Os dados fazem parte do Eurobarómetro (dados de Dezembro 2017) e estão publicados no relatório anual do Programa Nacional para a Promoção da Atividade Física (PNPAF), divulgado esta semana. Segundo o Eurobarómetro, que permitiu analisar evolutivamente vários indicadores face aos dados obtidos em 2009 e 2013, apenas 5% dos portugueses inquiridos disseram praticar regularmente atividades físicas, como andar de bicicleta para deslocações, dançar ou fazer jardinagem, valor inferior à média europeia (14%).

Em contraste, o número dos que nunca praticaram estas atividades situou-se nos 64% (60% em 2013 e 36% em 2009). Quase metade (47%) disse caminhar 10 minutos ou mais em, pelo menos, quatro dias por semana, enquanto 29% nunca andaram mais de 10 minutos por dia, em 2017. Este último valor corresponde ao segundo mais alto da Europa, depois do Chipre (32%), sendo a média europeia de 15%.

Comentando estes dados à agência Lusa, Marlene Silva, da direção do PNPAF, afirmou que estes revelam "não só que a população portuguesa tem dados elevados de inatividade física", como essa tendência se vai “agravando de Eurobarómetro para Eurobarómetro”.

Ao mesmo tempo, mais de um terço (34%) dos portugueses passaram mais de cinco horas e meia por dia sentados em 2017, contra 24% em 2013, um dos valores mais baixos da Europa, onde a média é de 41%. Apenas 10% dos portugueses reportam passar mais de oito horas e trinta por dia sentados (12% é a média europeia). Os principais motivos pelos quais os portugueses praticam atividade física prende-se com o desejo de melhorar a saúde (51%), relaxar (38%) e melhorar a aptidão física (36%).

A falta de tempo é a principal barreira, referida por 43%, seguida da falta de interesse ou motivação (33%), valor que é o mais elevado da Europa (média de 20%). Portugal também lidera na perceção de que a atividade física é demasiado dispendiosa, com 13% a referir essa barreira (7% na Europa).

Marlene Silva explicou que o facto de a população portuguesa ser "predominantemente inativa e com elevados níveis de sedentarismo" esteve na origem da criação do Programa Nacional para a Promoção da Atividade Física no final de 2016, pela DGS. O programa tem como objetivo desenvolver políticas públicas de promoção da atividade física. Apesar de se observar “uma tendência crescente para as pessoas utilizarem os espaços públicos”, com cada vez mais pessoas a caminhar, a utilizar a bicicleta, a brincar com os filhos no parque, "isso ainda não marca uma tendência nacional expressiva que se reflita ao nível de dados epidemiológicos". "Mas estamos confiantes que estamos a traçar o melhor caminho", adiantou.

Portugal em 11° nos países com maior prevalência de inatividade física

O relatório divulga também dados do Inquérito Nacional "Os Portugueses e a Atividade Física: Barómetro 2017", que demonstra que 76% dos portugueses considera que a atividade física é um comportamento muito importante para a saúde, mas apenas 2% conhecem as recomendações internacionais da Organização Mundial da Saúde para a prática de exercício. 

O estudo coloca Portugal na 11ª posição no ranking dos países com maior prevalência de inatividade física no mundo. 43% dos inquiridos não reconhecem atividades da rotina diária, como subir escadas, como formas de atividade física, referem os dados.

Globalmente, os dados mostram atitudes positivas em torno da atividade física: 93% consideram que é muito importante aumentar a utilização diária dos transportes públicos ou da bicicleta como formas de mobilidade, 100% consideram que a prática regular de atividade física aumenta a qualidade de vida. Mas a prática revela uma realidade contrária.

O documento identifica algumas medidas de ação, como a investir na literacia da população face ao tema, através de estratégias de comunicação robustas, bem como na promoção da atividade física através do Seviço Nacional de Saúde (SNS).

Lusa


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