Escolha as suas informações

Portugal. Segunda fase do desconfinamento arranca com concelhos sob avaliação
Portugal 4 min. 06.04.2021

Portugal. Segunda fase do desconfinamento arranca com concelhos sob avaliação

Portugal. Segunda fase do desconfinamento arranca com concelhos sob avaliação

Foto: AFP
Portugal 4 min. 06.04.2021

Portugal. Segunda fase do desconfinamento arranca com concelhos sob avaliação

Ana TOMÁS
Ana TOMÁS
Mais alunos voltam à escola e esplanadas e museus reabrem, mas há mais de 20 concelhos de risco que podem não seguir para a terceira fase.

A segunda fase de desconfinamento, em Portugal, arrancou na segunda-feira. Depois do fim de semana de Páscoa, o país entrou numa nova etapa da estratégia de reabertura da sociedade e da economia. Sentar para almoçar ou tomar um café fora de casa já não é uma memória longínqua. Pela primeira vez em quase três meses, restaurantes, cafés e pastelarias puderam voltar a receber e a servir clientes nas esplanadas e as lojas até 200 m2 e porta para rua já não precisam de vender só ao postigo.

A partir desta semana também a cultura e o património começam a ter o seu público de volta, com a reabertura dos museus e monumentos, assim como os ginásios, ainda que sem aulas de grupo para já.

Nas escolas, mais alunos voltaram a retomar as aulas presenciais, com os estudantes dos 2º. e 3º ciclo a retornarem aos seus estabelecimentos de ensino, depois dos do 1º.ciclo, creches e pré-escolar. Desde terça-feira que passou a ser igualmente possível circular livremente entre concelhos.


Portugal. Seis mortes e 159 novos casos no último dia
Número de internamentos voltou a subir, depois de um período em sentido decrescente.

Mas se esta é a segunda fase do segundo desconfinamento português, ela é, por outro lado, a primeira a determinar que zonas do país seguem ou não para a etapa seguinte, que está prevista começar a 19 de abril, com o regresso às salas de aula dos estudantes do ensino secundário e superior e a abertura de centros comerciais, cinemas, auditórios, teatros e salas de espetáculos.

Na passada quinta-feira, 1 de abril, quando o Governo fez o balanço da primeira fase de desconfinamento e o primeiro-ministro, António Costa, confirmou que se seguiria a segunda nos termos definidos, foi também feito um ponto de situação da situação epidemiológica por concelhos e deixado um aviso: os 19 concelhos que, a 31 de março, estavam acima do limite de 120 casos por 100 mil habitantes, a 14 dias, ficariam sob vigilância e se se mantivessem no mesmo nível, nas duas semanas a seguir, seriam sujeitos a "medidas particulares", assim como os concelhos limítrofes. No grupo dos 19 municípios acima do limiar de risco, à data, seis estavam em risco muito elevado, acima dos 240 casos por 100 mil habitantes. 

"De acordo com o que os especialistas propuseram, devemos ter em conta que se os mesmos concelhos estiverem acima do limiar de risco em duas avaliações sucessivas, não deverão avançar com medidas de desconfinamento", referiu António Costa, na altura, salientando a necessidade de "assegurar que os casos que existem são identificados e isolados, e as cadeias de transmissão isoladas para que daqui a 15 dias não estejam nesta situação e possam avançar com o resto do país".

Esta segunda-feira, no dia em que se iniciou a segunda fase do desconfinamento, o boletim da Direção-Geral da Saúde (DGS) apontava para uma ligeira subida do número de concelhos acima do limiar de risco de incidência da covid-19. De acordo com a informação atualizada, são agora 26, em território continental, os que estão acima dos 120 casos por 100 mil habitantes, e entre eles sete superam os 240 casos. Se a sua situação não se alterar, estes concelhos poderão não avançar no processo desconfinamento e já esta terça-feira, o primeiro-ministro reuniu-se, por videoconferência, com os autarcas dos sete municípios no "vermelho": Alandroal, Carregal do Sal, Moura, Odemira, Portimão, Ribeira de Pena e Rio Maior.

Portugal no limite da "zona verde"

Desde 15 de março, quando se iniciou o desconfinamento, que as autoridades de saúde portuguesas publicam uma matriz de risco, onde é apresentada a evolução diária dos índices de incidência e de transmissibilidade - R(t) - dos casos de covid-19, em Portugal. Os dois indicadores ajudam a avaliar a progressão ou regressão da dinâmica de contágios.

Dessa altura até esta segunda-feira, 5 de abril, o índice de transmissibilidade veio a crescer, enquanto o de incidência estabilizou numa tendência descendente, situando-se nos 60,9 casos no continente. No início desta semana o R(t), em Portugal continental, era já de 1, o limite acima do qual a epidemia começa a revelar uma taxa de contágio crescente e constante.


Portugal e Reino Unido vão testar eventos de massas
Enquanto o Governo português abre a possibilidade de fazer testes piloto, com a DGS, em eventos culturais, o executivo britânico prepara-se para, já este mês, avançar com os "passaportes" covid-19, em cinemas, teatros e eventos desportivos.

Se o número for superior a 1 isso corresponde a um avanço da epidemia, enquanto se for inferior é sinal de que os contágios estão a abrandar. Um R (t) igual a 1, como acontece agora no país, significa que cada pessoa infeta, potencialmente, uma outra pessoa.

Marcelo pede "esforço nacional de todos para todos"

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, assinalou esta nova fase do desconfinamento comparando-a a uma "nova primavera" e um sinal de que o país pode avançar. Mas para isso pediu "um esforço nacional de todos para todos" para se evitar um recuo ou pôr em causa as próximas etapas de reabertura da economia e a da sociedade.

O chefe de Estado salientou que o mês de abril é fundamental para consolidar o processo de desconfinamento, que se decorrer como previsto terá a sua derradeira fase a 3 de maio, com novas aberturas e alívios nas restrições.   

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.


Notícias relacionadas