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Ordem dos Enfermeiros não recomenda vacinar crianças entre os 5 e 11 anos
Portugal 4 min. 25.11.2021
Covid-19

Ordem dos Enfermeiros não recomenda vacinar crianças entre os 5 e 11 anos

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Ordem dos Enfermeiros não recomenda vacinar crianças entre os 5 e 11 anos

Portugal 4 min. 25.11.2021
Covid-19

Ordem dos Enfermeiros não recomenda vacinar crianças entre os 5 e 11 anos

Paula DE FREITAS FERREIRA
Paula DE FREITAS FERREIRA
EMA autorizou, esta quinta-feira, a vacina da Pfizer para crianças dos cinco aos 11 anos. Bastonária da OE, Ana Rita Cavaco, mantém que "não existe robustez científica” para se avançar com a vacinação generalizada das crianças.

A Ordem dos Enfermeiros (OE) defende que não se deve iniciar, para já, a vacinação das crianças dos 5 aos 11 anos, mas sim "aguardar por uma maior evidência científica quantos aos custos-benefícios a médio e a longo prazo" da imunização nessa faixa etária. Esta quinta-feira, o comité de peritos da Agência Europeia de Medicamentos (EMA) autorizou a administração da vacina Comirnaty, da Pfizer/BioNTech, em crianças dos cinco aos 11 anos. 

Num parecer enviado, na terça-feira, à Diretora-Geral da Sáude, Graça Freitas, a bastonária da OE, Ana Rita Cavaco, refere que "após ascultação ao Colégio de Especialidade em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica", os benefícios individuais da toma da vacina por crianças dos 5 aos 11 anos "serão, provavelmente, limitados" e que, por isso, a prioridade se deve centrar na vacinação de pessoas adultas da forma mais célere possível.

No documento, a OE diz que os estudos indicam que “ao vacinar adultos se reduz o risco de exposição das crianças e adolescentes” e também que o Comité do Medicamento de Uso Humano da EMA “ainda não reuniu consenso quanto à utilização de alguma ou algumas das vacinas disponíveis nas crianças”.

“Considera a OE que o benefício da vacinação para as crianças entre os 5 e os 11 anos não constitui, por si, fundamento bastante para o processo de decisão”, conclui a OE.


A diferença em relação aos maiores de 12 anos está na dosagem: para as crianças dos cinco aos 11 anos são permitidas 10 microgramas.
EMA aprova vacina da Pfizer para crianças dos cinco aos 11 anos
A diferença em relação aos maiores de 12 anos está na dosagem: para as crianças dos cinco aos 11 anos são permitidas 10 microgramas.

“Respeitamos, mas não concordamos com a decisão da EMA”  

Apesar da aprovação da EMA, o jornal Expresso avança que Ana Rita Cavaco mantém que “não existe robustez científica” para se avançar com a vacinação generalizada das crianças, referindo que a OE, enquanto entidade de saúde pública, “recusa-se a ir com a corrente, sem evidências científicas de benefícios-risco” da toma da vacina por esta faixa etária. “Respeitamos, mas não concordamos com a decisão da EMA”, diz a bastonária.

“Há uma grande pressão pública, política e social para que as crianças em idade escolar sejam vacinadas para evitar surtos nas escolas, mas a salvaguarda da saúde pública não pode ser tomada com base em 'achismos'”, disse Ana Rita Cavaco ao Expresso.

A vacina da Pfizer já estava aprovada para uso a partir dos 12 anos. A diferença em relação aos maiores de 12 anos está na dosagem: para as crianças dos cinco aos 11 anos são permitidas 10 microgramas, menos do que as 30 microgramas administradas nos adolescentes.


Há cada vez mais surtos de covid-19 nas escolas do Luxemburgo
Quase 17% das novas infeções ocorreram na comunidade escolar, na semana passada, com maior incidência nas escolas do ensino fundamental.

Apesar da menor dosagem, a vacina também será dada em duas doses, com três semanas de intervalo, tal como nos mais velhos.

Em comunicado, a EMA explica que o comité de peritos concluiu que os benefícios de imunizar estas crianças superam os riscos, em particular nas crianças que apresentem comorbilidades associadas a risco acrescido para a covid. 

Madeira começa a vacinar crianças em dezembro 

A Madeira estima receber, em dezembro, 7.500 doses da vacina contra a covid-19 para começar a administrar às crianças com idades entre 5 e 11 anos, anunciou na quarta-feira o secretário regional da Saúde, Pedro Ramos.

O governante reafirmou, em conferência de imprensa, que a região está preparada para vacinar as 14.715 crianças com idades entre os 5 e os 11 anos, noticiou a Agência Lusa.

“Nesse sentido, e enquanto esperamos, a primeira remessa das vacinas, fruto da primeira reunião que tive esta manhã com o coronel Penha e ontem [terça-feira] com o secretário de Estado adjunto para a Saúde, a primeira remessa de vacinas para Portugal, para vacinar crianças dos 5 aos 11 anos, chegará a Portugal em 20 de dezembro e serão cerca de 300 mil doses”, adiantou, acrescentando que 7.500 doses são para a Madeira.

“A chegada das vacinas está prevista para o dia 20 de dezembro. Se chegarem à Madeira dois dias depois, se a logística permitir que isso seja uma realidade, nós estamos em condições, com as 7.500 primeiras doses, de vacinar 50% dessa população”, garantiu, indicando que será dada prioridade às crianças com comorbilidades.

O secretário regional apelou também para que os pais levem as crianças - “um reservatório da doença” - a tomar a vacina, argumentando que “entidades internacionais e especialistas estão a recomendar” a vacinação deste grupo etário e “finalmente começam a chegar a consenso”.

O responsável pela Saúde no arquipélago referiu ainda que, entre os 1.083 casos de covid-19 registados em novembro, “11% são crianças”.

Na ocasião, Pedro Ramos recordou que o número de casos de covid-19 na Madeira tem vindo a aumentar, avançando que a região registava, na quarta-feira, mais de 100 novos casos de covid-19.

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