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Portugal. Linha aberta para denúncias de abusos sexuais na igrejas recebeu 50 queixas no primeiro dia
Portugal 3 min. 12.01.2022
Investigação

Portugal. Linha aberta para denúncias de abusos sexuais na igrejas recebeu 50 queixas no primeiro dia

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Portugal. Linha aberta para denúncias de abusos sexuais na igrejas recebeu 50 queixas no primeiro dia

Foto: António Cotrim/Lusa
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Portugal. Linha aberta para denúncias de abusos sexuais na igrejas recebeu 50 queixas no primeiro dia

Lusa
Lusa
No primeiro dia de canais abertos para denúncias de abusos sexuais na igreja católica portuguesa, esta quarta-feira, a linha telefónica "esteve quase sempre preenchida" e ao final da tarde já tinham sido validados "cerca de 50 testemunhos".

O coordenador da Comissão Independente para o Estudo de Abusos Sexuais na Igreja Católica Portuguesa, o pedopsiquiatra Pedro Strecht, disse à Lusa que "a linha telefónica esteve quase sempre preenchida" no primeiro dia aberto à recolha de denúncias e testemunhos através dos diversos canais abertos para o efeito.

"Por inquérito online ou preenchido em telefonema foram já validados cerca de 50 testemunhos", disse Strecht, sublinhando, por volta das 18h30, que a linha telefónica só encerra pelas 20:00, deixando antever que o número possa ser superior.

"A comissão congratula-se com o facto de a sua mensagem inicial ter sido bem acolhida por pessoas que foram vítimas deste tipo de abusos", disse ainda Pedro Strecht.

A comissão que vai investigar abusos sexuais na igreja católica em Portugal começou esta quarta-feira a receber denúncias de vítimas, de casos ocorridos desde 1950, que podem ser remetidos às autoridades e investigados se os crimes ainda não tiverem prescrito.

A comissão recebe testemunhos de vítimas que o queiram fazer, ou de terceiros que queiram denunciar casos que conheçam, sendo que o grupo de trabalho tem mecanismos instalados para triar falsos testemunhos que possam surgir, disse Pedro Strecht.

As denúncias e testemunhos podem chegar à comissão através do preenchimento de um inquérito online no site Dar Voz ao Silêncio, que adota o lema e objetivo da comissão no seu endereço, mas também do número de telefone +351 917 110 000, disponível entre as 10h e as 20h diariamente, mas que não pretende ser nem uma "linha SOS, nem de apoio psicológico", como frisou Filipa Tavares, assistente social com experiência em acompanhamento de crianças e famílias, que integra a comissão.

Os testemunhos podem também chegar por email, por escrito, enviadas para um apartado que vai estar disponível no site da comissão ou presencialmente, mediante marcação prévia de entrevista. A comissão pretende recolher testemunhos e denúncias de pessoas que tenham sofrido abusos na infância e adolescência, até aos 18 anos.

O trabalho desta comissão independente vai decorrer ao longo deste ano, até 31 de dezembro, num espaço físico "descaracterizado" e "autónomo" da Igreja, estando prevista a apresentação de um relatório em dezembro. O financiamento dos trabalhos será assegurado pela Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), mas estará aberto a eventuais contribuições de outras instituições, que serão divulgadas "mais à frente" deste processo, segundo Pedro Strecht.

No final dos seus trabalhos, a comissão vai elaborar um relatório, a ser entregue à CEP, que decidirá que ações tomar. Na apresentação da comissão, em dezembro, o presidente da CEP, o bispo José Ornelas, reivindicou a importância de se trilhar "um caminho de verdade, sem preconceitos nem encobrimentos" para a Igreja Católica portuguesa, reforçando o interesse da Igreja em apurar a verdade, mas evitando traçar expectativas sobre as descobertas e conclusões da comissão, a quem garantiu que terá meios de trabalho.

Em conferência de imprensa na terça-feira, que decorreu na Fundação Calouste Gulbenkian (Lisboa), foi apresentada publicamente a composição da comissão, que, para além do coordenador, integra o psiquiatra Daniel Sampaio, o antigo ministro da Justiça Álvaro Laborinho Lúcio, a socióloga e investigadora Ana Nunes de Almeida, a assistente social e terapeuta familiar Filipa Tavares e a cineasta Catarina Vasconcelos.

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