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Portugal já é o segundo país a seguir ao Reino Unido com mais casos da nova variante
Portugal 3 min. 29.12.2020 Do nosso arquivo online

Portugal já é o segundo país a seguir ao Reino Unido com mais casos da nova variante

Portugal já é o segundo país a seguir ao Reino Unido com mais casos da nova variante

Foto: AFP
Portugal 3 min. 29.12.2020 Do nosso arquivo online

Portugal já é o segundo país a seguir ao Reino Unido com mais casos da nova variante

Ana TOMÁS
Ana TOMÁS
Apesar de ter só 18 casos confirmados e todos associados à Madeira, o país aparece em segundo lugar de uma lista de 15 países que já detetaram a variante. Instituto Ricardo Jorge está a investigar amostras suspeitas e admite que possa haver casos no continente.

Portugal já detetou 18 casos da variante do vírus SARS-Cov-2 identificada no Reino Unido. E apesar de todos se concentrarem no arquipélago da Madeira, esse número, que poderá vir a ser maior, faz do país o segundo com mais pessoas infetadas com a nova estirpe, a seguir ao Reino Unido e numa lista de estados que também detetaram casos semelhantes.

Quem o afirma é João Paulo Gomes, investigador e coordenador do estudo de variabilidade genética SARS-Cov-2 no Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), que calculou esta posição com base apenas nos dados comprovados dos países onde a variante já foi identificada.

"Quando vamos às bases de dados públicas as sequências dos genomas já sequenciados com o vírus que correspondem a esta variante, na realidade existem 15 países: o Reino Unido em primeiro, com cerca de 4.200 sequências, e Portugal, [que] aparece em segundo. Apesar de termos só estes 18 já estamos em segundo", afirmou esta terça-feira, na conferência de imprensa de balanço epidemiológico da Direção-Geral da Saúde.

O investigador desdramatiza, no entanto, esse lugar, lembrando que o país e, em particular, a região da Madeira, são destinos turísticos e que há também muitos emigrantes portugueses no Reino Unido. 

Apesar de ainda não ter sido confirmado nenhum caso no continente, admite que a variante já possa estar a circular também aí, tendo sido detetados casos suspeitos na região de Lisboa e Vale do Tejo, mas que não se confirmaram.

Segundo o especialista, os 18 casos confirmados são todos associados à Madeira e foram identificados entre cidadãos portugueses e alguns estrangeiros.

Reconhecendo que a variante britânica "tem um poder de transmissão bastante superior a todas as outras" e que há uma preocupação geral e científica em torno desse facto, João Paulo Gomes refere que "é algo para o qual devemos estar preparados” e que é normal que o número de casos "aumente" e que a circulação da nova variante seja detetada também no continente.

Por isso, o INSA está a seguir "duas pistas" de investigação: uma relacionada com o historial de viagens ao Reino Unido, com dados fornecidos pela DGS, e a outra com os testes de rastreio à covid-19.

"Por um lado, de acordo com a indicação que a DGS nos deu sobre os casos com historial de viagem, estamos a receber indicação de muitos laboratórios sobre a presença de amostras de covid positivas de pessoas com historial de viagem associado ao Reino Unido", referiu. 

A segunda abordagem, que, de acordo com o especialista "é particularmente relevante", prende-se com o facto de se ter percebido que os testes de diagnóstico da covid-19, que se baseiam em várias regiões do vírus, por vezes falham a deteção de uma dessas regiões. "E isto é uma fortíssima indicação de se tratar da presença da variante do Reino Unido."

INSA está a recolher amostras de todo o país

"Estamos a perseguir esta variante no país e, eventualmente, a tentar encontrar outras", declarou o investigador.

Para o efeito, o INSA está a receber amostras laboratoriais "suspeitas" de todo o país, assim como dos aeroportos de Lisboa e Porto.

"Estamos não só a contactar os laboratórios, a solicitar o envio de amostras que cumpram este requisito, como estamos a ser contactados por laboratórios que, não tendo recebido qualquer contacto da nossa parte, nos estão a indicar voluntariamente a existência de amostras que cumprem este requisito", afirmou. 

Apesar da maior transmissibilidade da variante britânica não há notícia de que seja mais grave que as restantes, nem que as vacinas criadas não sejam eficazes contra ela. 

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