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Portugal. Funerárias com dificuldade em dar resposta ao elevado número de mortes
Portugal 3 min. 13.01.2021

Portugal. Funerárias com dificuldade em dar resposta ao elevado número de mortes

Portugal. Funerárias com dificuldade em dar resposta ao elevado número de mortes

Foto: AFP
Portugal 3 min. 13.01.2021

Portugal. Funerárias com dificuldade em dar resposta ao elevado número de mortes

Faltam câmaras frigoríficas e há atrasos nos funerais. De acordo com números divulgados pela TSF, durante sete dias consecutivos Portugal ultrapassou as 500 mortes diárias.

Em Portugal, as agências funerárias começam a sentir dificuldades em dar resposta ao elevado número de mortes. De acordo com a TSF, desde 2009, quando passou a haver registos no Sistema de Informação dos Certificados de Óbito da Direção-Geral de Saúde (DGS), apenas em dois dias - em janeiro de 2017 e em agosto de 2018 - a mortalidade total em Portugal tinha ultrapassado a barreira dos 500 óbitos diários.

Com o agravamento da pandemia e as baixas temperaturas, segundo os dados da DGS divulgados pela emissora, entre a última terça-feira e o último domingo, o limite das cinco centenas de mortes foi ultrapassado consecutivamente durante sete dias.

Em declarações à TSF, Carlos Almeida, presidente da Associação Nacional de Empresas Lutuosas, que trabalha no setor funerário há cerca de 35 anos, admitiu que nunca tinha visto nada assim.

Em dezembro, uma investigação da mesma emissora revelava que desde 1949 que Portugal não registava tal volume de óbitos quando o ano ainda não tinha terminado. Os dados recolhidos referiam-se ao período entre 1 de janeiro e 10 de dezembro de 2020 e indicavam a morte de 115 mil pessoas.

A TSF concluia então que este fenómeno se devia à pandemia mas também ao envelhecimento da população.  Agora, o sistema de vigilância da mortalidade da DGS mostra que nos sete dias anteriores a terça-feira existiram 1.254 óbitos em excesso. Pelas contas da TSF, de 1 a 10 de janeiro faleceram 5.052 portugueses, mais 1.085 que na média dos cinco anos anteriores (2016 a 2020), sendo que apenas cerca de 200 óbitos não são explicados pela Covid-19, que nesse mesmo período matou 897 pessoas.

Com este cenário, as funerárias pedem contentores frigoríficos para atender elevada mortalidade. Carlos Almeida destacou que já se nota há muito esta tendência e o atual agravamento também se deve ao frio mais intenso.

"Há subidas nesta altura, mas não me lembro de nada com esta intensidade durante tanto tempo e penso que ainda não atingimos esse pico", referiu Carlos Almeida à TSF, que diz que a capacidade do sistema "está muito no limite, pois, seguramente, já não existe capacidade de frio para a rapidez com que os cadáveres devem ser retirados dos grandes hospitais".

"Os hospitais deveriam ter já contentores frigoríficos externos para precaver toda esta situação", defendeu o representante do setor, que está convencido de que as câmaras de frio estão "superlotadas, existindo já, com certeza, muitos cadáveres que não chegarão a ir ao frio, ficando em salas com temperaturas mais reduzidas através de equipamentos de ar condicionado".

Nesse sentido, a associação que Carlos Almeida preside pede compreensão às famílias pela dificuldade em dar resposta a pedidos mais complexos e a realizar funerais noutros concelhos. Um dos exemplos das dificuldades são os atrasos nas marcações de funerais nos crematórios de Lisboa. Com marcações para 48 a 72 horas mais tarde quando antes se faziam cremações em 24 horas.

"Um processo de funeral iniciado agora não faz com que o funeral aconteça 24 horas como os portugueses estavam habituados, o que vem marcar ainda mais as pessoas, pois é o prolongar de uma dor que não está resolvida", concluiu o presidente da Associação Nacional de Empresas Lutuosas.

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