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Portugal. Fardas geram descontentamento na PSP
Portugal 3 min. 18.05.2019

Portugal. Fardas geram descontentamento na PSP

Portugal. Fardas geram descontentamento na PSP

Foto: LUSA
Portugal 3 min. 18.05.2019

Portugal. Fardas geram descontentamento na PSP

Em causa estão peças defeituosas, encomendas trocadas, roupa de má qualidade que os agentes são obrigados a pagar.

De acordo com o Público, chegaram “centenas” de reclamações de agentes da Polícia de Segurança Polícia (PSP) que o presidente do Sindicato Nacional da Polícia (Sinapol), Armando Ferreira, diz ter recebido, desde que entrou em vigor, no início deste ano, o novo regime de aquisição de fardas, que obriga os agentes a adquirirem este equipamento numa única plataforma online.

A Latino, empresa responsável pelo fardamento e pela plataforma, nega estes números, embora admita que há coisas a melhorar, e diz que das mais de 18 mil peças já entregues, só recebeu 63 reclamações por defeitos.

Calças com o tecido a desfazer-se junto aos velcros ao fim de apenas uma semana de uso. Camisolas com cinco centímetros a menos do que o tamanho estipulado pelas regras. Artigos que não chegam a tempo ou que, quando chegam, não correspondem à encomenda que tinha sido feita, descreve o Público.

Uma das últimas reclamações que chegaram às mãos do sindicato relata a saga de um agente para comprar quatro peças de fardamento. Em vez das quatro peças começou por receber apenas duas (uma camisola e umas calças) mas, ao experimentá-las, percebeu que não lhe serviam e ao verificar as medidas, confrontando-as com as que são disponibilizadas na plataforma de aquisição de fardas, constatou que não eram coincidentes.

Também a Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP) denuncia a situação e, na semana passada, fez uma exposição à direção nacional, questionando-a sobre o que vai fazer para resolver o problema. “Não tivemos qualquer feedback nem disseram se vão fazer alguma diligência”, explicou ao Público Paulo Rodrigues. O dirigente sindical diz que até concorda com o método alcançado ao fim de um longo período concursal e afirma que a plataforma está a funcionar “muito bem”. O problema, explica, é em relação ao produto que chega às mãos dos agentes. “Há pólos com uma manga ou gola mais comprida do que outra, com três botões quando outros só têm dois, são problemas mesmo básicos”, afirmou. A consequência é os agentes, mesmo não podendo, acabarem por ir comprar fardas em locais alternativos, admite.

Desde Janeiro que os agentes da PSP só podem adquirir fardamento através de uma plataforma digital, da responsabilidade do grupo têxtil Latino. Foi com este grupo que, em julho de 2018, a PSP assinou um contrato pelo período de seis meses (prorrogável por períodos de um ano, até ao limite de cinco), para a “gestão comercial integral do fardamento da PSP”.

A empresa minhota, com mais de 30 anos, ficou responsável pela plataforma electrónica e também por garantir “níveis mínimos de stock” que assegurem a entrega atempada das peças, mas não é obrigada a ter meios de produção próprios das fardas. Ou seja, pode recorrer à “subcontratação”, mesmo que a sua especialização de origem, segundo a página da internet da Latino Group, seja a “produção de uniformes e equipamentos técnicos para as forças militarizadas.” Clementina Freitas justifica esta necessidade com o enorme volume de produção, mas garante que desde o início do processo as peças do fardamento estão a ser produzidas na empresa e noutras entidades subcontratadas, maioritariamente em território nacional. “Apenas um artigo está a ser produzido no estrangeiro”, sublinha.

Armando Ferreira diz que a situação tem de ser resolvida rapidamente, lembrando que, para um polícia estar totalmente fardado, desembolsa “cerca de 300 euros”. Segundo o contrato entre a PSP e a Latino, uma farda, se incluir um pólo de manga curta, calças, blusão, botas e barrete rondará os 195 euros. Mas um blusão de cabedal, por exemplo, já ficará por mais de 200 euros.

Paulo Rodrigues, da ASPP, diz que um agente novo, que queira ter todo o fardamento necessário – incluindo mudas de roupa e os quatro modelos exigidos para diferentes situações – desembolsará “cerca de dois mil euros”. Valores que não são condizentes com uma degradação de materiais que os agentes dizem ser muito rápida, argumenta Armando Ferreira. O subsídio para aquisição de fardas de cinquenta euros mensais também fica “muito aquém do que os agentes gastam em fardamento”, garante.

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