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Portugal é o primeiro país a sequenciar o genoma do vírus Monkeypox
Portugal 3 min. 23.05.2022
Varíola dos macacos

Portugal é o primeiro país a sequenciar o genoma do vírus Monkeypox

Varíola dos macacos

Portugal é o primeiro país a sequenciar o genoma do vírus Monkeypox

Foto: AFP
Portugal 3 min. 23.05.2022
Varíola dos macacos

Portugal é o primeiro país a sequenciar o genoma do vírus Monkeypox

Lusa
Lusa
Segundo o INSA, a sequenciação genética do vírus, endémico na África Ocidental e Central, "poderá ser fundamental para compreender a origem do surto e as causas para a rápida disseminação da doença", que é rara.

Portugal foi o primeiro país a sequenciar o genoma do vírus Monkeypox, parente do vírus que causa a varíola e na origem de um recente surto que afeta vários países onde a infeção não é endémica.

A informação foi hoje divulgada em comunicado pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), onde uma equipa de investigadores "foi a primeira a identificar a sequência genética do vírus Monkeypox", em circulação em vários países, incluindo Portugal, onde foram detetados 37 casos.

Segundo o INSA, a sequenciação genética do vírus, endémico na África Ocidental e Central, "poderá ser fundamental para compreender a origem do surto e as causas para a rápida disseminação da doença", que é rara.


As erupções cutâneas são um dos sintomas desta doença viral.
OMS acredita que a transmissão do vírus Monkeypox pode ser interrompida na Europa
De acordo com Rosamund Lewis, especialista em varíola do programa de emergências da OMS, esta não é uma doença nova, uma vez que têm sido detetados casos de infeção pelo menos há 40 anos e que tem ainda “sido bem estudada na região africana”.

O vírus foi sequenciado "alguns dias" após a confirmação dos primeiros casos de infeção humana em Portugal por especialistas do Núcleo de Genómica e Bioinformática do INSA, que partilharam a informação com a comunidade científica internacional.

Citado no comunicado, o microbiologista João Paulo Gomes, responsável do Núcleo de Genómica e Bioinformática do Departamento de Doenças Infecciosas do INSA, refere que "a rápida identificação da sequência genética do vírus em circulação, e a sua imediata divulgação à comunidade científica, constitui um primeiro passo de colaboração internacional para a caracterização deste surto".

Segundo João Paulo Gomes, "a comparação das sequências genéticas do vírus Monkeypox obtidas nos vários países poderá ser fundamental para a compreensão da origem do surto, bem como da forma como se deu rapidamente a disseminação da doença".

"Uma boa caracterização deste tipo de surtos permite retirar ensinamentos que podem ser-nos úteis para a adoção de medidas de saúde pública com vista a uma melhor monitorização e controlo do problema", acrescentou.

O INSA realça que "os esforços dos especialistas" do instituto "tinham já permitido a Portugal ser dos primeiros países a confirmar laboratorialmente casos suspeitos desta doença, tendo o rápido diagnóstico sido efetuado através das metodologias já implementadas na Unidade de Biopreparação e Resposta a Emergências do Departamento de Doenças Infecciosas".


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O Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) recomendou hoje aos países que atualizem os meios de rastreio e diagnóstico para o vírus Monkeypox, quando já existem 67 casos em nove Estados-membros da União Europeia (UE).

Os macacos não são o reservatório natural do vírus

O comunicado esclarece que a doença que tem o nome do vírus é zoonótica, em que roedores e primatas não humanos, como macacos, podem ser portadores de Monkeypox e infetar pessoas.

O vírus é transmitido de uma pessoa para outra por contacto próximo com lesões, fluidos corporais, gotículas respiratórias e materiais contaminados.

A doença foi identificada pela primeira vez em humanos em 1970 na República Democrática do Congo, depois de o vírus ter sido detetado em 1958 na sequência de dois surtos de uma doença semelhante à varíola que ocorreram em colónias de macacos mantidos em cativeiro para investigação - daí o nome "Monkeypox" ("monkey" significa macaco e "pox" varíola).

Não sendo os macacos o reservatório natural do vírus, que permanece desconhecido, especialistas consideram que é incorreto designar a doença ou a infeção como "varíola dos macacos".

O Monkeypox pertence ao género 'Orthopoxvirus', que inclui o vírus da varíola, o vírus 'Vaccinia' (usado na vacina contra a varíola) e o vírus da varíola bovina.

Em humanos, os sintomas da infeção com o vírus Monkeypox são semelhantes, mas mais leves, aos da varíola. No entanto, ao contrário da varíola, a Monkeypox faz com que os gânglios linfáticos inchem.

O período de incubação (tempo desde a infeção até ao aparecimento dos sintomas) do vírus Monkeypox é geralmente de 7 a 14 dias. A doença dura, em média, duas a quatro semanas.


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Segundo a organização, o vírus terá sido "trazido para o festival por visitantes do estrangeiro". O Luxemburgo não detetou nenhum caso até agora.

Apesar de a doença não requerer uma terapêutica específica, a vacina contra a varíola, antivirais e a imunoglobulina 'vaccinia' (VIG) podem ser usados como prevenção e tratamento para a Monkeypox.

Fora da Europa, o vírus já foi detetado nomeadamente nos Estados Unidos, Israel, Canadá e Austrália.

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