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Portugal é o mundo

Portugal é o mundo

Foto: Manuel Dias
Editorial Portugal 2 min. 25.07.2018

Portugal é o mundo

Paulo Jorge PEREIRA
Paulo Jorge PEREIRA
Foram finalmente aprovadas alterações à lei eleitoral que tornam mais simples o voto dos portugueses que vivem no estrangeiro. Agora é importante que não se perca demasiado tempo até as mudanças estarem, de facto, em prática.

A discussão prolongou-se durante décadas e muitos chegaram a perder a esperança de que algum dia houvesse mudanças. Finalmente, a Assembleia da República aprovou alterações à lei eleitoral que tornam mais simples a votação dos portugueses que vivem no estrangeiro. Mas, se a vitória é de inegável peso e assume importância fundamental para o exercício de uma componente essencial da cidadania, convém perceber que o processo não acaba aqui.

Votar é uma conquista da Revolução do 25 de abril que os portugueses nem sempre avaliam da melhor forma. Tendo sido privados desse e de outros direitos ao longo dos 48 anos de ditadura, seria de esperar que o entusiasmo com que aderiram às primeiras eleições em democracia não se diluisse com o tempo. Porém, 44 anos depois de garantida a Liberdade, os números da abstenção são bem ilustrativos de como os cidadãos se têm afastado do exercício do voto. A responsabilidade, contudo, não é só dos próprios cidadãos.

A verdade é que muitos portugueses cansaram-se de promessas. Ficaram fartos de ver no poder quem se servia dessa passagem para colocar interesses pessoais acima dos interesses do país. Não gostaram de sentir-se enganados por quem fazia exatamente o oposto do que fora afirmado nas campanhas. E, vendo sucessivos escândalos com protagonistas que continuam a passar pelos intervalos da chuva, deixaram de acreditar no poder do seu voto. Mas, como em qualquer democracia, quando se olha para resultados obscuros deve refletir-se sobre o nosso papel em melhorar a sociedade. E, nesse sentido, só podemos impedir que chegue ao poder quem nos engana precisamente através do voto. É preciso votar e, antes de fazê-lo, estar bem informado sobre as diversas propostas dos partidos. Porque só assim se consegue evitar que estruturas clientelares se instalem nas diversas áreas da governação.

Se as alterações agora aprovadas dizem respeito a quem vive no estrangeiro, vale a pena lembrar também quem pretende voltar para Portugal. Obrigados a procurar condições de vida fora de um país de onde foram demagogicamente aconselhados a sair por quem não teve sequer hesitações no mal que causava aos compatriotas, muitos têm estado a sofrer longe do seu espaço natural. No final do passado mês de maio, o primeiro-ministro afirmou que o Orçamento do Estado para 2019 iria ter medidas para possibilitar o regresso de quem saíra durante a crise. Tal como nas mudanças que simplificam o voto de quem está no estrangeiro, essas medidas são vitais para Portugal ser um país melhor, inclusivo, sem limitações para os seus cidadãos, estejam onde estiverem. O país é, afinal, o mundo.

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