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Portugal. É "demolidor" ver médicos a "decidir quem vive e quem morre" com covid
Portugal 2 min. 18.01.2021

Portugal. É "demolidor" ver médicos a "decidir quem vive e quem morre" com covid

Portugal. É "demolidor" ver médicos a "decidir quem vive e quem morre" com covid

Foto: AFP
Portugal 2 min. 18.01.2021

Portugal. É "demolidor" ver médicos a "decidir quem vive e quem morre" com covid

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
Ricardo Baptista Leite, médico e deputado do PSD faz o relato angustiante do turno de sábado, no 'serviço covid' do Hospital de Cascais onde é voluntário. "Nunca vi morrer tantos doentes num dia". Veja o vídeo que publicou.

Há cada vez mais doentes a chegar ao covidário do Hospital de Cascais, há cada vez mais doentes a não sobreviver, há cada vez mais médicos e enfermeiros num desespero e choro constante, já não há camas e ventilação para todos os infetados graves que chegam àquele hospital.

O relato angustiante é feito por Ricardo Baptista Leite, médico e deputado do PSD num vídeo recentemente partilhado no Facebook (mais abaixo no artigo). "Desde o início da pandemia"  Ricardo Baptista Leite é médico voluntário no 'serviço covid' no Hospital de Cascais, que "trata os doentes covid e os casos suspeitos de infeção".

"Nunca assisti a tantas mortes, na minha vida profissional, num tão curto espaço de tempo como no dia de ontem[sábado]", confessa Ricardo Baptista Leite no dia a seguir ao seu turno de "12 horas" que assemelhou a um "cenário de guerra".

"Ver colegas a chorar"

"É de facto demolidor ver médicos a terem de decidir, priorizar os quem são doentes que vão ter acesso a ventilação e quem não vai, a determinar no fundo quem vive e quem morre, porque não há camas de intensivos escasseiam vagas de internamento, muitas vezes temos de entubar os doentes em pleno serviço de urgência", conta este médico voluntário referindo a sua frustração e de ter ficado "mentalmente exausto" depois daquele dia.

 

"Ver os colegas exaustos, muitos a chorar a não aguentarem mais e o número de doentes apenas continuava a aumentar, aumentar naquele serviço. Não aguentamos este ritmo", desabafa no vídeo realçando que "esta é apenas uma amostra do que se passa em todo o País".

"A dor e o sofrimento são indiscritíveis. A sensação de impotência por não podermos fazer mais. Vi uma colega médica a chorar depois de sair do covidário mais de cinco horas depois do término do seu turno. Física e psicologicamente esgotada", recorda no texto que acompanha o vídeo. "Vi uma enfermeira praticamente a não conseguir respirar ao tirar o fato de proteção depois de horas infindáveis junto dos doentes. Perguntei-lhe se estava bem e ela limitou-se a acenar com a cabeça enquanto olhava para mim com olhos encarnados antes de simplesmente ficar a olhar para o chão. O silêncio é o nosso companheiro na dor". 


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Mortes que "podem ser evitadas"

Ricardo Baptista Leite frisa que fala de "vidas humanas, mortes que podem ser evitadas", que "depende de cada um de nós ficar em casa" e que este "confinamento não está a funcionar".

O Governo tem de reagir já para "salvar vidas", tem de aumentar as restrições e adotar um "confinamento como o de março", encerrar as escolas e voltar a fechar tudo como naquele estado de emergência. "Por três semanas", acredita. Se assim não for, os "números de fevereiro", a seguir ao confinamento, vão subir para "níveis demasiado elevados".

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