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Portugal. Confinamento geral pode durar dois meses
Portugal 3 min. 09.02.2021

Portugal. Confinamento geral pode durar dois meses

Portugal. Confinamento geral pode durar dois meses

LUSA
Portugal 3 min. 09.02.2021

Portugal. Confinamento geral pode durar dois meses

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
A ministra da Saúde, Marta Temido declarou que o país continua com "elevado número de infeções diárias" pelo que é necessário prolongar o confinamento até ao final de fevereiro, podendo durar até 15 março.

Portugal já terá ultrapassado o pico da epidemia que o tornou no país do mundo com maior número de infeções diárias, no entanto, para os especialistas e para a ministra da Saúde ainda não é hora de aliviar as medidas adotadas, sobretudo o confinamento.

Há que continuar a diminuir as infeções e fazer descer o número de internamentos que deixou os hospitais portugueses sobrelotados e obrigou o Governo a aceitar a ajuda do Luxemburgo, Alemanha e Áustria ao nível de profissionais de saúde, nos dois primeiros casos e de transferência de doentes graves para os hospitais austríacos.

 “Temos uma situação epidemiológica que é ainda de elevado número de novos casos por dia que precisamos de continuar a controlar”, disse hoje a ministra Marta Temido à saída da reunião com especialistas no Infarmed para debater a situação pandémica em Portugal.


Portugal com grande redução de internamentos no último dia
Número de novos casos e de mortes subiram ligeiramente.

“Apesar de as medidas estarem a produzir resultados, é evidente que o atual confinamento tem de ser prolongado por mais tempo, para já durante o mês de fevereiro”, e terá se haver uma avaliação sobre a situação, disse a ministra da Saúde. Mas, Se se  justificar esta medida poderá prolongar-se por mais tempo, “provavelmente por um período que os peritos estimaram de 60 dias a contar do seu início”, acrescentou.

Diminuição dos internamentos

“Previsivelmente precisaremos deste período temporal para trazer o nível de internamentos em UCI [cuidados intensivos] abaixo de 200”, explicou a ministra da saúde.

Segundo Marta Temido o confinamento já está a ter efeitos com menos novos casos diários, e com “uma incidência decrescente, o mesmo acontece com a incidência das hospitalizações e óbitos, emboras estes últimos indicadores estejam numa fase mais atrasada”.

Na reunião desta manhã, vários especialistas aconselharam o prolongamento do confinamento geral atual prevendo ser necessário 60 dias para estabilizar as infeções, hospitalizações e óbitos causados pela covid-19. Dois meses a contar desde a entrada em vigor do confinamento, no passado dia 15 de janeiro. Se assim for e se tudo correr bem só a partir de 15 de março o país poderá desconfinar.


Fronteiras com Espanha mantém-se fechadas até março
O Governo espanhol prolongou as restrições nas fronteiras terrestres com Portugal, devido à pandemia de covid-19, até 01 de março, de acordo com uma resolução publicada hoje no Boletim Oficial do Estado espanhol.

 “Os peritos fizeram vários cenários matemáticos de projeção sobre o tempo que demoraríamos a atingir este cenário”, abaixo dos 200 internamentos nas UCI e apontaram os 60 dias como o “período de tempo como necessário para chegar a esse nível”, explicou Marta Temido.

A ministra frisou que ficou “bastante claro que quanto maior é a intensidade do confinamento mais rápida é a redução do risco efetivo de transmissão”.

“O confinamento teve impacto das estimativas do INSA em relação às novas variantes, relativamente à variante do Reino Unido em que era estimado uma predominância de 60% no país e conseguimos já reduzir essa predominância.

Do mesmo modo “a taxa de reprodução efetiva já baixou neste período” de confinamento “estando agora nos 0,6, disse a ministra. Uma taxa de 0,6 significa que cada infetado contagia menos do que uma pessoa.

"Necessário manter medidas"

Baltazar Nunes, investigador do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (INSA) foi um dos peritos a defender o prolongamento do confinamento. Para aliviar a pressão hospitalar e poder tratar bem todos os doentes covid-19 e com outras patologias.

 “Precisamos de manter estas medidas de confinamento por um período de dois meses para trazer o número de camas ocupadas em cuidados intensivos abaixo das 200 e a incidência acumuladas a 14 dias abaixo dos 60 casos por 100 mil habitantes”, que “ainda continua bastante elevada” explicou o investigador na reunião desta manhã, citado pela Lusa.

“Mais recentemente, a partir de 15 de janeiro, quando as medidas são introduzidas, começámos a ver que Portugal passa para os países com redução de mobilidade e, atualmente, Portugal é o país com uma redução de mobilidade mais acentuada na União Europeia, com uma diminuição na ordem dos 66%”, precisou Baltazar Nunes.

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