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Tensão entre Marcelo e Costa
Opinião Portugal 2 min. 21.06.2021
Política portuguesa

Tensão entre Marcelo e Costa

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Tensão entre Marcelo e Costa

Foto: Lusa
Opinião Portugal 2 min. 21.06.2021
Política portuguesa

Tensão entre Marcelo e Costa

Sérgio FERREIRA BORGES
Sérgio FERREIRA BORGES
Marcelo Rebelo de Sousa aproveitou as palavras do Primeiro-Ministro para o amarrar a um compromisso que não vai poder cumprir.

Estou perfeitamente consciente da inocuidade dos avisos que, nas últimas semanas, aqui deixei a António Costa e a Marcelo Rebelo de Sousa. Nenhum deles lhes deu qualquer importância, como eu não daria a qualquer coisa que eles me dissessem.

Mas a vida tem mostrado que eu tive alguma razão no que disse, apesar da irrelevância que reconheço em mim. Por exemplo, a situação pandémica em Lisboa têm-se agravado, tal como eu temi, desde os festejos sportinguistas. Por esses dias, cumpri um ritual de muitos anos e fui até ao Bairro Alto, subi a Rua do Norte, quase deserta, cortei para a Travessa da Queimada, passei à frente da redacção de A Bola onde tenho sempre um amigo para cumprimentar, e aterrei na improvisada explanada do histórico restaurante Bota Alta, onde me travei de razões com uns linguados fritos com açorda, prescrição que sigo há muitos anos. Em todo este trajecto, cruzei-me com pouca gente, quase ninguém.

Dois dias depois, à frente da televisão, vejo a Rua do Norte repleta de uma multidão irresponsável, jovens de cerveja na mão, abraços histriónicos e só não vi um tal de coronavírus, porque o safado não consente que lhe deitemos a vista em cima.

A gravidade da situação justifica medidas repressivas, para que, em breve, possamos recuperar a nossa liberdade.

Comentei em família que a coisa não iria acabar bem, apesar das expectativas do momento serem animadoras. Dei conta disso, nestas páginas. Daí em diante, a situação pandémica entrou numa espiral de agravamento, como se existisse um ácido corrosivo a queimar-nos a pele.

António Costa falou sobre o assunto, inventado justificações que não convencem ninguém. Queria ele dizer, com o seu instinto infantil de político habilidoso, que a situação não era tão grave, como pintavam os agoirentos. Marcelo Rebelo de Sousa aproveitou as palavras do Primeiro-Ministro, para o amarrar a um compromisso que não vai poder cumprir. Voltar atrás, nem pensar, disse o Presidente da República.


Portugal. Proibida entrada e saída de Lisboa aos fins de semana
Ministra da Presidência anunciou a proibição da circulação de e para a Área Metropolitana de Lisboa aos fins de semana, onde se concentram a maioria dos casos.

No fim de semana que passou, a região de Lisboa já ficou em isolamento forçado. E metade das camas reservadas para doentes de Covid já estava ocupada, à hora a que escrevo.

A partir daqui, foi a discussão estéril, e uma polémica sem nexo, entre o Presidente da República e o Primeiro-Ministro. Nenhum deles tem razão, porque o mais avisado teria sido a proibição, pura e dura, de tantos festejos, tivessem eles origem no futebol ou, em qualquer outra coisa de somenos.

A gravidade da situação justifica medidas repressivas, para que, em breve, possamos recuperar a nossa liberdade. Não perceber isto é muito mais danoso, que o vírus que nos vai flagelando.

(Este autor escreve de acordo com o antigo Acordo Ortográfico.)

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