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Plantei.eu. Um Borda d’Água dos nossos tempos para dar vida à Terra
Portugal 3 min. 16.05.2020

Plantei.eu. Um Borda d’Água dos nossos tempos para dar vida à Terra

Plantei.eu. Um Borda d’Água dos nossos tempos para dar vida à Terra

Foto: DR
Portugal 3 min. 16.05.2020

Plantei.eu. Um Borda d’Água dos nossos tempos para dar vida à Terra

Francisco COLAÇO PEDRO
Francisco COLAÇO PEDRO
“Este é um mês de muito trabalho, a primavera está a chegar e as sementeiras de agora permitirão abundância no verão!”, lê-se ao abrir a página Plantei.eu. “Cortar as ervas indesejadas, usando-as como cobertura de solo e, no seu lugar, semear, semear, semear!”

Foi no inverno deste ano que o Almanaque Agroflorestal Plantei.eu brotou na cidade alentejana de Montemor-o-Novo. A sua semente foi o desejo de divulgar conhecimento e informação útil sobre práticas agrícolas e florestais sustentáveis. Em papel e em formato digital, propõe um calendário de plantações e uma lista de ações, e explora um novo tema a cada mês. Em março? Aborda-se o ciclo da água, sugere-se semear acelgas, alfazemas, nespereiras ou capuchinhas, colher favas ou pastinacas… 

“Apetecia-me fazer algo na horta, e sentia que a informação estava muito dispersa, precisava de pesquisar em vários lugares”, recorda Isabel Pinto Coelho, cooperadora da Cooperativa Integral Minga e mentora do projeto. “Uns sites têm informação sobre árvores, outros sobre flores, outros sobre hortícolas. Há artigos muito interessantes, sobre propagação de árvores ou recolha de sementes, perdidos dentro do site do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas. Apaixonava-me pela informação que os meus amigos biólogos me davam, e sentia necessidade de fazer a ponte entre estas pessoas e o público em geral. Simplificar a informação técnica e torná-la mais atrativa.”

Como o hortelão faz a sua colheita, Isabel colhe histórias de pessoas e de agroflorestas, técnicas, fotografias, vídeos, artigos e fichas de plantas, com que vai nutrindo o site e as redes sociais. Plantei.eu é fruto das mãos, das mentes e dos corações de um grupo de cooperadoras da Minga, uma experiência de economia solidária que promove o consumo local, a responsabilidade ambiental e social em Montemor-o-Novo. Tem a participação dos biólogos Bernardo Sá Nogueira e José Mateus, e a ilustração a aguarela de Miguel Schreck. O apoio do programa No Planet B!, da AMI, permitiu pagar parte de um trabalho que foi essencialmente voluntário. 

O almanaque tem circulado gratuitamente por escolas, associações ou cooperativas, e pode ser comprado online. Com as receitas, pretende-se continuar a produzir conteúdos, criar mais materiais educativos e financiar ações concretas, como formações de agrofloresta ou instalações de viveiros. 

O projeto, qual Borda d’Água dos nossos tempos, propõe-se assim apoiar e inspirar pessoas que tenham ou utilizem terrenos e hortas em qualquer parte do país. “São urgentes práticas mais sustentáveis de produção alimentar. Criarmos mais zonas florestais, que permitam mais biodiversidade. O solo é a base de toda a vida. Através dele consegues perceber a saúde de uma paisagem. Hoje os solos estão a morrer. Mais de metade de Portugal corre risco extremo de desertificação”, sublinha Isabel. 

A agrofloresta surge como uma resposta, ao combinar a produção florestal com produção hortícola, e ajudando a regenerar o solo. Em Montemor-o-Novo, a Minga procura trabalhar com produtores no terreno e ajudar a transformar o paradigma da monocultura e do uso de produtos químicos.“Tendo uma maior variedade de produções, incluindo florestal, consegues ter rendimentos a 5, 15, 30 anos. Da beringela à madeira da nogueira, das aromáticas e dos óleos essenciais de sálvia e lavanda às bagas dos arbustos... Permite maior diversidade de produção, em vários extratos, e maior rentabilidade.”

A ótica é a de recuperar e manter a saúde dos solos e das plantas, de cuidar da natureza. “Compreendendo que todos os elementos fazem parte, que todos fazem falta. Da joaninha que come os pulgões aos cogumelos que comunicam entre si…”, conta Isabel. “Sabiam que os morcegos consomem diariamente dezenas de toneladas de insectos, eliminando os que poderiam constituir pragas para a agricultura? Sabiam que um gaio enterra entre 3.000 e 5.000 bolotas por inverno?”, lê-se em Plantei.eu, Esta é, afinal, a inspiração principal para o projeto: “Perceber que o ser humano é só mais um desses elementos. Só mais um trabalhador, entre os vários trabalhadores da natureza.”

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