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PJ. João Rendeiro usou tecnologias "que custam uma exorbitância" para não ser detido
Portugal 2 min. 11.12.2021 Do nosso arquivo online
Justiça

PJ. João Rendeiro usou tecnologias "que custam uma exorbitância" para não ser detido

Justiça

PJ. João Rendeiro usou tecnologias "que custam uma exorbitância" para não ser detido

Foto: Lusa
Portugal 2 min. 11.12.2021 Do nosso arquivo online
Justiça

PJ. João Rendeiro usou tecnologias "que custam uma exorbitância" para não ser detido

Ana TOMÁS
Ana TOMÁS
O ex-banqueiro e antigo presidente do BPP foi detido esta manhã na África do Sul e as autoridades portuguesas vão pedir a sua extradição para Portugal, onde foi condenado a um total de 19 anos de prisão efetiva.

A polícia judiciária confirmou, esta manhã que João Rendeiro preparou a fuga durante meses e que recorreu a meios tecnológicos avançados para cobrir o rasto da sua fuga à justiça.

"Detetámos que esta fuga foi preparada durante vários meses", declarou, em conferência de imprensa esta amanhã, o diretor nacional da Polícia Judiciária, Luís Neves.


João Rendeiro detido na África do Sul
O banqueiro, sobre quem pendia um mandado de detenção internacional, foi detido este sábado.

O responsável afirmou também que o ex-banqueiro "utilizou todos os meios tecnologicamente mais avançados e que custam uma exorbitância para poder comunicar de uma forma indetetável", tendo a entrevista que deu, no final de novembro, à CNN Portugal, sido feita "de forma encriptada que não permitia que qualquer trabalho fosse feito para o localizar". "Estamos a falar de tecnologia e de meios que não estão ao dispor de forma fácil e que são o grande sinal de que, de facto, João Rendeiro jamais, em tempo algum, pretendia apresentar-se às autoridades judiciárias", afirmou Luís Neves.  

Embora em boa parte da sua estadia na África do Sul tenha ficado hospedado em hotéis de cinco estrelas, na zona financeira de Joanesburgo, "a zona mais rica"  da cidade, segundo a PJ, o ex-banqueiro fez tudo para se esconder, para conseguir "ganhar tempo" e criar "algum estatuto" que lhe permitisse "inviabilizar a extradição" para Portugal.

João Rendeiro tem uma autorização de residência naquele país, "emitida no dia 10 de novembro", adiantou ainda o responsável.

Banqueiro não pretendia regressar a Portugal

Num artigo publicado no seu blogue Arma Crítica, citado pela agência Lusa, o ex-banqueiro escreveu que não pretendia regressar a Portugal, por se sentir injustiçado, e que iria recorrer a instâncias internacionais, avançando ter pedido ao advogado para comunicar a decisão à justiça portuguesa.

Na entrevista à CNN Portugal, referida pelo diretor da PJ, na conferência de imprensa de hoje, o antigo presidente do Banco Privado Português (BPP), reiterou a ideia, afirmando que só regressaria a Portugal se fosse "ilibado ou com indulto do Presidente [da República]”.  


Rendeiro diz que só regressa a Portugal se for ilibado ou com indulto de Marcelo
À CNN Portugal, que arrancou esta segunda-feira, o antigo presidente do BPP considerou-se injustiçado e comparou o seu caso com o de Ricardo Salgado, que “segue com a sua vida tranquila em Lisboa”.

Apesar de Portugal não ter um acordo formal de extradição com a África do Sul,  há acordos de cooperação entre os dois países e as autoridades portuguesas vão pedir a extradição do antigo-banqueiro para o país, onde deverá cumprir penas a que já foi condenado e que totalizam 19 anos de prisão efetiva, resultantes do acumular dos três processos a que foi condenado, relacionados com crimes de  fraude fiscal qualificada, abuso de confiança qualificado e branqueamento de capitais.

 O diretor da Polícia Judiciária sublinhou que se mantém o risco de fuga de João Rendeiro, uma vez que se trata de “pessoa com grande capacidade económica, o que lhe dá grande mobilidade”, referindo que será pedida a prisão preventiva do banqueiro, na África do Sul, até à sua extradição para Portugal.  

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