Pedrógão Grande

Chamas fazem 64 mortos

Foto: Reuters

O número de pessoas que morreram no incêndio florestal que deflagrou no sábado em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, aumentou esta noite para 64, segundo a GNR.

A 64.ª vítima mortal é, segundo o tenente-coronel da GNR Carlos Ramos, um habitante da localidade de Pobrais, no concelho de Pedrógão Grande. As autoridades não avançaram com um novo balanço de feridos, fixando-se em 135, a maioria com ferimentos ligeiros.

Já hoje o número de vítimas mortais tinha aumentado para 63, com a morte de um bombeiro que se que se encontrava hospitalizado em Coimbra.

“Em relação aos cinco bombeiros feridos, tenho que dar esta triste notícia. O Gonçalo estava internado no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra e há cerca de uma hora acabou por falecer. Efetivamente, os bombeiros portugueses estão de luto […], já estavam de luto por aquilo que aconteceu a tantas pessoas que pereceram neste brutal incêndio. Agora choramos a morte de um dos nossos”, afirmou aos jornalistas Jaime Marta Soares, presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, junto ao posto de comando em Avelar, no distrito de Leiria.

Jaime Marta Soares confirmou que o morto é um bombeiro da corporação de Castanheira de Pera, de 40 anos, casado e que deixa um filho.

Visivelmente emocionado, o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses explicou que a vítima mortal tinha sido internada com ferimentos no rosto e queimaduras nas vias aéreas, adiantando ainda que era um dos bombeiros que se deslocava numa viatura no Itinerário Complementar 8 (IC8) que colidiu com um veículo ligeiro de civis e que tentaram salvar a vida dos outros, dando a própria vida.

O fogo, que deflagrou às 13:43 de sábado, em Escalos Fundeiros, concelho de Pedrógão Grande, alastrou depois aos concelhos vizinhos de Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera, no distrito de Leiria, e entrou também no distrito de Castelo Branco, pelo concelho da Sertã.

O último balanço dá conta de 64 mortos civis e 135 feridos, entre os quais 121 civis, 13 bombeiros e um militar da GNR. Dos 135 feridos, sete estão em estado grave: cinco bombeiros voluntários e dois civis. Há ainda dezenas de deslocados, estando por calcular o número de casas e viaturas destruídas.

Além de Pedrógão Grande, existem quatro grandes fogos a lavrar nos distritos de Leiria, Coimbra e Castelo Branco, mobilizando um total de cerca de 2.150 operacionais, 654 veículos e 16 meios aéreos.

Marcelo lamenta morte de bombeiro de Castanheira de Pera

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, lamentou hoje a morte de um bombeiro de Castanheira de Pera e vai visitar a sua corporação no final do dia para o homenagear.

Este bombeiro “morreu em serviço do seu país, de todos nós”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, durante uma visita ao posto de comando da serra de São Macário, de onde pôde ver uma das frentes do incêndio que deflagrou no sábado em Pedrógão Grande e já provocou 63 mortos.

O Presidente deveria terminar a sua deslocação de hoje aos locais afetados pelos incêndios nos últimos dias nos distritos de Leiria e Coimbra em Góis, cerca das 18:00, mas juntou ao seu programa uma deslocação aos bombeiros de Castanheira de Pera, de onde era originário o bombeiro que faleceu hoje nos hospitais de Coimbra.

A informação sobre a morte dos bombeiros foi avançada pelo presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, Jaime Marta Soares, que confirmou que o morto é um bombeiro da corporação de Castanheira de Pera, 40 anos, casado e que deixa um filho.

Evitar, para já, “frente” da discussão de falhas

Pela terceira vez em dois dias, o Presidente da República pediu que não se arranje "mais uma frente" de combate, com a discussão sobre o que fazer para evitar incêndios como o que começou em Pedrógão Grande.

Primeiro na sua mensagem ao país, no domingo, e hoje, por duas vezes, na sua segunda visita à zona afetada pelos incêndios, pediu para que essa "reflexão" se faça mais tarde.

A fórmula foi idêntica em Avelar (Ansião) e em Cernache do Bonjardim, com Marcelo a pedir que não se faça a discussão por enquanto.

"Estamos no momento de combate em que, a pouco a pouco, vamos conseguindo controlar a situação", disse o chefe de Estado, pedindo que não se junte "mais uma frente" à "frente" de combater as chamas e apoiar as vítimas.

Depois, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa em Avelar, mas também em Cernache, haverá "todo o tempo do mundo para falar de causas, reflexões".

De críticas, Rebelo de Sousa respondeu com um sorriso quando uma jornalista lhe perguntou se não se chateava quando o criticavam por ir distribuir beijos.

Nestes momentos de dor, "os afetos ou chamem-lhe o que quiserem", são necessários.

O fogo, que deflagrou às 13:43 de sábado, em Escalos Fundeiros, concelho de Pedrógão Grande, alastrou depois aos concelhos vizinhos de Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera, no distrito de Leiria, e entrou também no distrito de Castelo Branco, pelo concelho da Sertã.

(Atualizada segunda-feira, 19, às 22:14)

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