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Patriarcado de Lisboa apelou voto em Basta
Portugal 3 min. 16.05.2019

Patriarcado de Lisboa apelou voto em Basta

Patriarcado de Lisboa apelou voto em Basta

Foto: DR
Portugal 3 min. 16.05.2019

Patriarcado de Lisboa apelou voto em Basta

“Uma imprudência”. Foi assim que o cardeal patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, definiu a publicação de um post no Facebook do Patriarcado de Lisboa a apelar ao voto da coligação Basta, do CDS e do Nós Cidadão. A publicação foi apagada, mas os partidos reagiram.

 A página de Facebook do Patriarcado de Lisboa teve segunda-feira, durante mais duas horas, uma publicação a apelar ao voto nos movimentos Basta, Nós Cidadãos e no CDS-PP. O post partilhava um gráfico da Federação Portuguesa pela Vida (FPV) que compara as posições de todos os partidos sobre as suas seis bandeiras como a “rejeição da eutanásia”, “oposição ideologia de género”, ou “combate à prostituição”. O gráfico apelava ao voto naquelas três forças políticas - como as únicas defensoras da “vida” - através de duas hashtags “eu voto pró-vida” e “a vida em primeiro lugar”. Porque defendiam os mesmos valores que a FPV.

“Vida por nascer”, “liberdade de educação” e “proibição barrigas de aluguer” são os restantes batalhas da FPV. O gráfico desta federação mostra que PS, CDU e Pan são totalmente contra todos os valores defendidos pela FPV.

Quando confrontado pelo Diário de Notícias (DN) sobre a publicação do mapa da FPV, o gabinete de comunicação do cardeal patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, admitiu que a partilha a apelar ao voto foi uma “imprudência” e disse logo que iria apagar a publicação da página do Facebook. E assim fez.

"Admitimos que foi uma imprudência. Para o Patriarcado, é essencial que toda a gente tenha a possibilidade de discernir o seu voto”, afirmou o Patriarcado de Lisboa, àquele diário. “Para não criar qualquer dúvida, retiramos o post e remetemos a posição do Patriarcado para a Carta Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa”, acrescentou.

Também o jornalista António Marujo, especialista em Assuntos Religiosos, afirmou à TSF que a situação em causa foi, de facto, “uma imprudência lamentável”. E, num tom crítico vinca que este episódio é principalmente “revelador de algumas mentalidades católicas”, que “dão primazia a determinados fatores” da doutrina cristã, “mas não a outros”.

António Marujo considerou que até há questões “mais importantes no momento que estamos a viver” do que as ali referidas. “A luta contra a pobreza”, a distribuição mais justa de rendimentos” ou “o acolhimento de refugiados”, também deveria constar na lista, declarou à TSF. “Aí, os partidos que aparecem como mais próximos da doutrina católica perderiam, seguramente, essa qualidade”, vincou.

Reações à “imprudência”

CDS e CDU já reagiram à polémica publicação, mas o PS não se quis pronunciar, segundo o Observador.

“O CDS não é o Patriarcado”, declarou Nuno Melo, o candidato do CDS-PP às Europeias, aos jornalistas em Évora, citado pelo Observador. “O CDS não pode responder por ele [Patriarcado], e não tem que achar coisa nenhuma”, considerou. Embora Nuno Melo defenda que nenhuma entidade deve fazer apelo ao voto, não pode deixar de aproveitar para frisar que os partidos do “centrão” têm sempre vantagem porque beneficiam de “apelos indiretos de entidades e nunca ninguém se chateou por isso”, cita o Observador.

Já para João Ferreira, o cabeça de lista da CDU ao Parlamento “a retirada do post e o reconhecimento do erro resolvem a questão”. Mas deixou o aviso: “O fundamental é que todos, crentes e não crentes, tenham total liberdade de voto”.

Perante a polémica, a Federação Portuguesa pela Vida garantiu, em comunicado que “o quadro não constituiu uma indicação de voto nem um apoio a qualquer partido, é apenas uma informação sobre a posição dos partidos relativamente à agenda pró-vida”.

Paula Santos Ferreira

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