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Partidos ouvidos até ao momento por Presidente rejeitam nova ‘geringonça’
Portugal 6 min. 08.10.2019

Partidos ouvidos até ao momento por Presidente rejeitam nova ‘geringonça’

Partidos ouvidos até ao momento por Presidente rejeitam nova ‘geringonça’

Foto: Lusa
Portugal 6 min. 08.10.2019

Partidos ouvidos até ao momento por Presidente rejeitam nova ‘geringonça’

Marcelo Rebelo de Sousa recebe hoje os 10 partidos com representação parlamentar saídos das eleições legislativas de domingo, com vista à indigitação do primeiro-ministro. Livre, Iniciativa Liberal, Chega, PAN e Verdes já foram ouvidos e até agora nenhum se mostrou disponível para repetir a ‘geringonça’.

O Livre foi a primeira força política a ser recebida e o PS será a última, por ordem de votação.

Livre rejeita coligação

A deputada eleita Joacine Katar Moreira considerou hoje “fundamental que haja um entendimento” entre os partidos que apoiaram a solução governativa em 2015, esclarecendo que o Livre está disposto ao diálogo mas não pretende entrar numa "coligação partidária".

Falando aos jornalistas no Palácio de Belém, em Lisboa, no final de uma audiência com o Presidente da República, Joacine Katar Moreira começou por notar que “deu entrada aqui hoje a verdadeira esquerda verde”.

“Nós consideramos fundamental que haja um entendimento mas, inicialmente, entre os partidos que constituíram esta união nestes últimos quatro anos”, afirmou a deputada, assinalando que “é necessário que haja uma responsabilização e um entendimento entre os que efetivamente começaram isto”.

Apesar disso, os dirigentes do Livre mostraram-se “completamente disponíveis para conversar, dialogar com todos partidos políticos”, e a deputada eleita pelo círculo de Lisboa defendeu ser “útil e necessário que houvesse uma espécie de entendimento multilateral”.

Ainda assim, “não é o nosso objetivo entrar na constituição de nenhuma coligação partidária”, salientou.

Nesta reunião com o chefe de Estado, o Livre não se manifestou contra a indigitação de António Costa como primeiro-ministro, mas Joacine Katar Moreira diz que, nos próximos quatro anos, o partido vai “estar completamente orientado para a defesa” do programa eleitoral, e vai insistir na necessidade de “uma maior justiça social e maior justiça climática”.

“Nunca apoiaremos” um Governo do PS

Já o presidente do Iniciativa Liberal, Carlos Guimarães Pinto, manifestou-se hoje contra a indigitação do secretário-geral do PS como primeiro-ministro e, por isso, não lhe dará apoio parlamentar, mas admite que “não havia qualquer alternativa”.

“Não havia qualquer alternativa, e nós entendemos isso, à indigitação de António Costa como é evidente. Obviamente que não lhe daremos apoio parlamentar”, afirmou o líder do IL à saída da audiência com o Presidente da República, que decorreu no Palácio de Belém, em Lisboa.

Notando que “neste momento existem seis partidos a concorrer” para dar apoio parlamentar a um Governo do PS, Carlos Guimarães Pinto apontou que existiu “até agora uma ‘geringonça’”, mas parece que no futuro dará lugar a “uma ‘aranhonsa’ de seis partidos”.

“A Iniciativa Liberal não fará parte desta ‘aranhonsa’ […] não apoiaremos a solução de Governo”, salientou, justificando que o partido é “uma clara oposição ao socialismo” e, como tal, não podiam apoiar “um Governo deste tipo”.

“Claramente somos um partido liberal, de oposição ao socialismo, uma posição clara e ideológica, nunca apoiaremos” um Governo do PS, vincou.

Chega não apoia PS

O presidente do partido Chega reconheceu hoje que o PS, enquanto partido mais votado nas eleições legislativas de domingo, tem legitimidade para formar governo, mas indicou que não o apoiarão, pelo que será oposição na Assembleia da República.

“O Partido Socialista, provavelmente o próximo Governo, não contará com a viabilização nem com o apoio do Chega, exceto em medidas que nos pareçam pontualmente proveitosas para o povo português e para aqueles que mais têm sofrido ao longo dos últimos anos”, disse André Ventura aos jornalistas à saída da audiência com o Presidente da República, que decorreu no Palácio de Belém, em Lisboa.

O líder do partido assinalou que “reconhece que o Partido Socialista foi o partido mais votado” e por isso, que o secretário-geral socialista, António Costa, deverá ser o próximo primeiro-ministro.

“Embora nem sempre tenha sido assim, nomeadamente nos últimos anos, o Chega entende que o partido mais votado é o que tem legitimidade para governar”, acrescentou.

“Contarão connosco para oposição, que é o papel que os portugueses nos atribuíram”, assinalou André Ventura.

PAN prefere acordos pontuais

O porta-voz do PAN, André Silva, mostrou-se hoje favorável a que o secretário-geral do PS, António Costa, seja indigitado primeiro-ministro, caso consiga garantir “um Governo de estabilidade”, mas descartou coligações partidárias ou acordos para a legislatura.

“O PAN transmitiu que não se opõe a que António Costa seja indigitado como primeiro-ministro. Trata-se do líder partidário do partido mais votado e também, a avaliar por aquilo que são as declarações quer do Partido Socialista quer de outros partidos à sua esquerda, e partindo do princípio que António Costa, logo à tarde, junto do senhor Presidente da República, garantirá um governo de estabilidade, e partindo de todos estes pressupostos, o PAN não se opõe a esta indigitação”, disse André Silva aos jornalistas no final da audiência com o Presidente da República, no Palácio de Belém.

O partido Pessoas-Animais-Natureza “não está, à partida, disponível para fazer um apoio de governo, de coligações partidárias para os próximos quatro anos”, mas não descarta "acordos pontuais".

"Queremos contribuir para a estabilidade governativa, mantendo o relacionamento que temos tido com o Partido Socialista, como com outros partidos, e estamos disponíveis para, sendo vontade do Partido Socialista ou de outros partidos, fazermos acordos pontuais, seja em processo legislativo ordinário, seja ao nível do orçamento de Estado", vincou André Silva, notando que o objetivo do PAN é continuar o trabalho "feito ao longo dos últimos quatro anos" mas de "forma mais aprofundada, mais madura".

O PAN, continuou o líder, “tem um compromisso forte com os eleitores, que é fazer cumprir o seu programa”.

Acordos “sem documento escrito”

Os Verdes” manifestaram hoje disponibilidade para aprovar propostas de um futuro Governo PS e Orçamentos “caso a caso”, remetendo uma posição sobre a reedição da atual solução de apoio parlamentar para depois da reunião com os socialistas.

O deputado José Luís Ferreira, do Partido Ecologista “Os Verdes”, indicou ainda que não haverá “qualquer documento escrito” que estipule os contornos de uma eventual solução governativa, porque o Presidente da República não o exige, ao contrário de Cavaco Silva.

“Nós não vamos fazer qualquer documento escrito porque isso, como disse, há quatro anos foi uma exigência do então Presidente da República, Cavaco Silva”, exigência “que agora não está presente”, afirmou o ecologista aos jornalistas no final de uma audiência com o atual chefe de Estado no Palácio de Belém, em Lisboa.

José Luís Ferreira notou, então, que “o cenário também não é idêntico a 2015”.

“Em 2015 houve, de facto, um documento escrito, que nós chamamos a posição conjunta do Partido Ecologista “Os Verdes” com o Partido Socialista, porque isso decorreu de uma exigência do então Presidente da República, Cavaco Silva. Agora sabemos que não vai haver qualquer exigência dessa natureza porque foi inclusivamente dito pelo senhor Presidente da República que não haverá qualquer exigência dessa natureza”, insistiu.

Com Lusa

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