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O mau estado da Nação
Opinião Portugal 2 min. 26.07.2021
Parlamento português

O mau estado da Nação

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O mau estado da Nação

Foto: Lusa
Opinião Portugal 2 min. 26.07.2021
Parlamento português

O mau estado da Nação

Sérgio FERREIRA BORGES
Sérgio FERREIRA BORGES
António Costa explorou estas fragilidades da oposição e fez o elogio de si próprio, traçou o quadro mais radiante que imaginar se pode.

Mais um debate sobre o estado da Nação que só serviu para provar que o Portugal político está tão decrépito, como as forças partidárias, com representação na Assembleia da República. Uma coisa é reflexo da outra.

Num debate que se anunciava com tanta pompa e circunstância, era de esperar que o estado da Nação fosse analisado ao mais ínfimo pormenor e que dali saíssem algumas soluções, para os problemas mais prementes. Esperavam os mais incautos, claro. Os outros já estavam avisados para a pobreza que, por via de regra, domina os trabalhos parlamentares.

Há que reconhecer razão ao Primeiro-Ministro, quando acusou a oposição de direita de usar aquele espaço nobre da democracia, para discutir os casos que a espuma dos dias tem produzido. Estão neste caso, as venturas e desventuras dos ministros, Eduardo Cabrita, Marta Temido, ou Pedro Nuno Santos. Muitas vezes, são assuntos importantes que merecem a reflexão dos portugueses e a interpelação ao Governo. Mas não têm dignidade suficiente para preencher o espaço dedicado ao debate do estado da Nação.

Os dinheiros públicos continuam a ser o maior factor de crescimento das empresas privadas.

São questões periféricas, com as quais a direita decidiu gastar o tempo, porque as questões nucleares exigem mais apetrecho político que não estava ao alcance de grupos parlamentares de modestas capacidades.

António Costa explorou estas fragilidades da oposição e fez o elogio de si próprio, traçou o quadro mais radiante que imaginar se pode, pintou um Portugal em fase de crescimento económico, pronto a vencer, dentro de semanas, um vírus que ameaçou derrotar o mundo.

Sobrou-lhe tempo para defender e elogiar os seus ministros, sobretudo aqueles que a direita quis transformar em sacos de boxe. E abusou. Mesmo quando os adversários já jaziam por terra, sem força para se erguerem, continuou a bater desalmadamente, sem levar em consideração que Rui Rio estava ausente, por uma questão de luto familiar.

E como tudo lhe estava a correr bem, prometeu muitos milhões, saídos da bazuca europeia. Um anúncio que caiu como sopa no mel, a pouco mais de dois meses das eleições autárquicas. Governo e Primeiro-Ministro saíram reforçados e os autarcas socialistas ampliaram as suas possibilidades de vitória.

Os dinheiros públicos continuam a ser o maior factor de crescimento das empresas privadas. Por isso, os empresários mantêm-se expectantes, sabendo que os momentos de maior prosperidade da economia portuguesa foram proporcionados por dinheiros vindos de Bruxelas. Pode ser que, desta vez, a história se repita. O Estado - quer o aparelho central, quer as autarquias - podem voltar a ser o principal cliente da maioria das empresas portuguesas.

(Este autor escreve de acordo com o antigo Acordo Ortográfico.)


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