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PAN.Da defesa dos animais para o partido que pode estar em qualquer governo
Portugal 4 min. 19.09.2019

PAN.Da defesa dos animais para o partido que pode estar em qualquer governo

PAN.Da defesa dos animais para o partido que pode estar em qualquer governo

Foto: LUSA
Portugal 4 min. 19.09.2019

PAN.Da defesa dos animais para o partido que pode estar em qualquer governo

Ao eleger um eurodeputado ao Parlamento Europeu, o PAN fez soar campainhas de alarme e começou a tornar-se ligeiramente incómodo, principalmente entre os que se sentiram “roubados” das suas tradicionais bandeiras da “ecologia e do ambiente” em geral.

Considerado por alguns como radical e extremista, por alegadamente dar mais importância aos animais do que às pessoas, o PAN, que agora se auto-intitula como sendo um “partido progressista pós-esquerda e direita”, é um fenómeno urbano que veio perturbar a pacatez do sistema partidário e que cresceu, sem qualquer ideologia política, apostando apenas nas bandeiras da proteção animal, com as quais se destacou na luta contra as touradas.

O PAN (Pessoas-Animais-Natureza, sigla atual, alterada pela segunda vez de “Partido dos Animais e Natureza” e “Partido Pelos Animais”) considera-se "diferente dos outros", mas nem quando elegeu em 2015 o seu primeiro deputado ao parlamento nacional foi levado muito a sério. De certo modo, essa indiferença só mudou quando alcançou a proeza de eleger um deputado ao Parlamento Europeu.

Criado em maio de 2009, sob a designação de Partido Pelos Animais (PPA), o PAN viu crescer a sua base eleitoral, mesmo sem defender qualquer ideologia, roubando votos aos partidos tradicionais da direita e da esquerda.  

Foi na faixa etária urbana entre os 18 e os trinta anos, que não se revia nos partidos e na política em geral e que buscava desesperadamente uma causa, que o PAN encontrou o seu nicho oferecendo-o de bandeja. Começou pela proteção animal e alargou-a ao ambiente, o que lhe trouxe apoios de pessoas provenientes da direita e da esquerda.

Nas eleições Legislativas de 2011, obteve 57.995 votos (1,04%), tornando-se a 7.ª força política em Portugal (6.ª em distritos como Lisboa, Setúbal e Faro) e quase elegendo um deputado por Lisboa. Ao ultrapassar a barreira dos 50 mil votos, o partido garantiu uma subvenção estatal.

Mesmo após a eleição do seu primeiro deputado à Assembleia da República, o PAN continuou a ser olhado com uma certa condescendência por quase todos os outros partidos. Do lado da esquerda, o PS procurou colocá-lo sob a sua asa protetora, evitando atacá-lo, não venha a necessitar de mais um “Queijo Limiano” (Deputado do CDS que a troco de promessas do governo votou a favor do OE de António Guterres)  enquanto que o Bloco de Esquerda, PCP e PEV não conseguem esconder uma certa incomodidade mal disfarçada.

O debate sobre o projeto de lei do PAN para pôr fim às beatas de cigarro no chão tornou claro essa inexplicável malaise face ao partido liderado por André Silva que foi criticado pelas coimas propostas e acusado, pelo PEV e pelo PCP, de querer impor um "Estado policial".

Numa entrevista ao Observador, Heloísa Apolónio declarou que o "PAN é um partido com pendor animalista”. “Nós (PEV) somos um partido ecologista", defendeu.

Recentemente, ao ser questionada sobre críticas feitas pela coordenadora do BE, em entrevista à TVI, pelo facto de o PAN "não ser de direita nem de esquerda", André Silva foi afirmou que "o PAN não se revê nas categorizações esgotadas de direita e esquerda". "Consideramo-nos um partido progressista pós-esquerda e direita", disse, sem explicar naturalmente o que isso verdadeiramente pode significar.

Em 2009, o Partido Pelos Animais (PPA) contou na sua constituição com uma Comissão Coordenadora composta por António Rui Santos, Pedro Oliveira, Fernando Leite e Paulo Borges.

Entretanto, Paulo Borges, que do nacionalismo de direita passou a fervoroso seguidor do Budismo e do Dalai Lama, afastou-se, desiludido “com o rumo e pelas lutas pelo poder” internas.

Borges disse, numa entrevista este ano à Renascença, que este partido está a “perder a sua essência ecológica e ambientalista” e que optou por uma “estratégia para captar eleitorado sensível à questão animal”, para depois se aproximar do poder e conseguir pequenas reformas pontuais.

O ex-dirigente denunciou nas redes sociais “manobras maquiavélicas, falta de ética, difamação e lutas pelo poder" no PAN e acusou André Silva de "carreirismo", "arrivismo" e de "golpe".

Em agosto, o atual porta-voz do PAN, André Silva, afirmou estar "disponível para falar com qualquer partido para qualquer solução" após as eleições, independentemente da relevância do partido "para a matemática parlamentar de governação".

"O PAN quer mais responsabilidades e a cada momento saberá assumi-las. Em função do resultado eleitoral, independentemente de contarmos, ou não, para a matemática parlamentar de governação. O PAN está disponível para falar com qualquer partido para qualquer solução", afirmou André Silva aos jornalistas no Porto, onde pretende eleger, pelo menos, um deputado.

Acabar com as touradas e caça desportiva, subsídios à pecuária, promover o apoio à agricultura biológica, distribuição de copos menstruais nos centros de saúde, extensão da licença de parentalidade para um ano, redução das horas de trabalho semanais para 30, aplicação de uma fiscalidade verde, que penalize a pecuária intensiva e faça depender o valor do IVA da "pegada ecológica" e a criação de um Rendimento Básico Incondicional são alguns dos temas que o programa do PAN vai colecionando ou alterando a eito.

SRS



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