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Orçamento com pouco dinheiro e muita conversa
Opinião Portugal 2 min. 18.10.2021
OE2022

Orçamento com pouco dinheiro e muita conversa

O ministro das Finanças português, João Leão cumprimenta o presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues após entregar o Orçamento de Estado para 2022, a 11 de outubro de 2021.
OE2022

Orçamento com pouco dinheiro e muita conversa

O ministro das Finanças português, João Leão cumprimenta o presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues após entregar o Orçamento de Estado para 2022, a 11 de outubro de 2021.
Foto: Lusa
Opinião Portugal 2 min. 18.10.2021
OE2022

Orçamento com pouco dinheiro e muita conversa

Sérgio FERREIRA BORGES
Sérgio FERREIRA BORGES
Fred Astaire sai pelo bastidor da esquerda, segurando triunfalmente Ginger Rogers, enquanto a plateia aplaude e suspira de alívio.

Toda a gente fala do Orçamento de Estado para 2022, sem saber muito bem o que há-de dizer. Até o Presidente da República não tem pejo, em se repetir, dramatizando a questão.

A acreditar no que ele próprio diz, Marcelo não quer qualquer crise política, logo, deseja ardentemente a aprovação do Orçamento pela esquerda parlamentar. Pouco importante serão as emendas que o Governo tenha de aceitar, para garantir o voto favorável, ou a abstenção, do PCP e do Bloco de Esquerda.

PCP e Bloco fazem grandes exigências, para depois se contentarem com pequenas cedências.

Os dois parceiros da geringonça engrossam a voz, para exigir mais cedências do Governo, no debate na especialidade. Em política, como noutras áreas, começa-se sempre por exigir muito, para depois poder ceder qualquer coisa, durante as negociações. Por isso, o Governo apareceu com uma proposta de orçamento mais austera, para agora poder ceder qualquer coisa. Pelo contrário, PCP e Bloco fazem grandes exigências, para depois se contentarem com pequenas cedências.

Esta controvérsia sobre o Orçamento de Estado é uma coreografia política que já vimos em espectáculos anteriores. No final, Fred Astaire sai pelo bastidor da esquerda, segurando triunfalmente Ginger Rogers, enquanto a plateia aplaude e suspira de alívio. Isto é, mais um orçamento aprovado que mantém a direita longe da governação.

Mas até ao epílogo, vamos ouvir muitas conversas espúrias, como se alguém estivesse interessado, numa crise política. Se houvesse eleições antecipadas, fruto de um chumbo do orçamento, é certo que o PS conseguiria subir a sua votação, embora ficasse distante da maioria absoluta. O PSD, embalado pelo resultado das autárquicas, provavelmente, conseguiria também uma melhoria, mas sem incomodar o PS.

Mas o PCP e o BE perderiam votação, fruto de penalização com que o eleitorado sempre castiga aqueles que provocam crises políticas. Portanto, só numa situação limite o PCP e o Bloco se atreveriam a chumbar o Orçamento, hipótese que lhes acarretaria prejuízos incontáveis.


A segunda vida de Felix Braz
"Quando um homem cai, cai sozinho." Dois anos depois do ataque cardíaco e do coma, o lusodescendente que chegou a vice-primeiro-ministro do Luxemburgo fala de traição e amor, combate e sobrevivência. Uma reportagem com depoimentos, vídeos e imagens exclusivas.

Uma última nota para dar conta da profunda comoção que me provocou a reportagem de Ricardo J. Rodrigues, sobre o drama de Felix Braz, publicada na última edição do Contacto. Durante os quatro anos que vivi no Luxemburgo, não conheci Felix Braz, apesar do muito que dele ouvi falar, sempre com estima e admiração. Percebo mal a situação que atravessa, tanto mais que tenho a ideia que o Luxemburgo é um Estado socialmente justo. 

Por isso, não pode deixar um seu servidor de mão estendida, quando a desdita lhe interrompeu uma carreira brilhante. Deixo-lhe aqui a minha solidariedade que, infelizmente, de pouco lhe servirá.

(Este autor escreve de acordo com o antigo Acordo Ortográfico.)

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