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Opinião. PSD à procura de um líder
Editorial Portugal 2 min. 09.01.2020 Do nosso arquivo online

Opinião. PSD à procura de um líder

Opinião. PSD à procura de um líder

Foto: Lusa
Editorial Portugal 2 min. 09.01.2020 Do nosso arquivo online

Opinião. PSD à procura de um líder

Sérgio FERREIRA BORGES
Sérgio FERREIRA BORGES
Este sábado, com três candidatos na corrida, o PSD vai a votos, para escolher a sua liderança. Mas a votação pode não ser decisiva, obrigando a uma segunda volta.

Rui Rio pretende manter-se na liderança, pelo menos, até às eleições autárquicas do próximo ano. Se o resultado for considerado, por ele, como positivo, fica. Caso contrário, demite-se. Foi ele próprio que o disse, embora a fasquia que estabeleceu seja muito pouco ambiciosa. Basta que o PSD alcance mais presidências de câmara, que aquelas que tem actualmente.

Os outros dois candidatos parecem indiferentes às eleições municipais e nada prometeram, em função desses resultados. Luís Montenegro e Miguel Pinto Luz pretendem um PSD de linha claramente liberal, por oposição a Rui Rio que quer recuperar a inspiração social-democrata que esteve na génese e fundação do partido.

Entre os notáveis do partido, nota-se alguma indiferença, em relação a estas eleições e aos três candidatos. 

Até agora, o debate tem sido morno, quase não se dá por ele, até porque, Rio tem fugido ao confronto direto com os seus opositores que trata até com alguma sobranceria. Montenegro parece mais apostado em organizar sindicatos de voto, um pouco por todo o país, do que em debater o futuro do partido. Pinto Luz, embora tenha passado o último fim de semana, no norte, parece apenas apostado em cativar algumas simpatias e votos na região de Lisboa, que lhe permitam guardar o lugar, para posteriores aventuras.

Entre os notáveis do partido, nota-se alguma indiferença, em relação a estas eleições e aos três candidatos. Parecem convencidos que este processo não vai resolver grande coisa, sobre o futuro do PSD. Até aqueles que pensam que o Governo não vai conseguir cumprir a legislatura.

Seja quem for o líder saído deste processo, o PSD e a direita no seu conjunto vão prolongar uma crise que deixa António Costa tranquilo, enquanto Macelo Rebelo de Sousa vai ficando mais nervoso, porque percebe que não existe uma alternativa, para um governo minoritário. E, a cumprirem-se as profecias de muitos comentadores, o Governo de Costa pode não durar mais de dois anos. Se isso acontecer, o país pode ficar sem governo e sem alternativa.

Num cenário destes, o Presidente da República terá de dissolver o Parlamento e convocar novas eleições, sendo extremamente duvidoso que alguém consiga uma maioria absoluta. Pior ainda: essa crise pode rebentar no último semestre do mandato presidencial, período em que o Presidente perde a prerrogativa constitucional de dissolver o parlamento. Se estas circunstâncias infelizes se conjugarem, o sistema político fica bloqueado.

Para que tudo isto não passe de um pesadelo, são necessárias duas coisas: que a esquerda consiga unir-se como aconteceu na legislatura anterior e que a direita consiga apresentar-se como alternativa. Se isto não acontecer, é a abalada credibilidade dos políticos que ficará ferida de morte. A tudo isto, pode juntar-se uma crise económica internacional.


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