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Opinião. O rigor e o relaxe
Editorial Portugal 2 min. 30.04.2020

Opinião. O rigor e o relaxe

Opinião. O rigor e o relaxe

Foto: Lusa
Editorial Portugal 2 min. 30.04.2020

Opinião. O rigor e o relaxe

Sérgio FERREIRA BORGES
Sérgio FERREIRA BORGES
Os péssimos efeitos do relaxe podem destruir os bons resultados do rigor.

Com o anúncio para breve da suavização das medidas de confinamento, tudo se vai tornar mais difícil, para o governo e, sobretudo, para António Costa. Até agora, Portugal tem estado unido, na observação das medidas de contenção, para enfrentar a pandemia. Antes mesmo de o governo ter aconselhado o confinamento, já os portugueses, voluntariamente, tinham aderido à reclusão profilática.

Assim se criou uma quase unanimidade no apoio à atuação do governo que nem sequer foi perturbado por alguma crítica residual. E a comparação dos números de Portugal, com os de outros países da Europa, reforçou esse apoio a António Costa e à equipa do Ministério da Saúde.

Mas essa unidade começa a apresentar algumas brechas e, a partir de agora, tudo se vai complicar. A sociedade pode ficar dividida e isso, necessariamente, debilita o apoio de que o executivo tem beneficiado.

O governo prometeu um alívio das restrições, para permitir a retoma de alguns setores da economia e o regresso às aulas dos estudantes de alguns graus de ensino. Os pequenos negócios vão poder respirar, sem auxílio de ventilação e as famílias poderão recuperar a vida, com mitigada normalidade. As pressões nesse sentido são cada vez mais audíveis.

Mas a comunidade científica, pelo contrário, vem avisando que tudo isto pode provocar uma recaída de proporções ainda maiores. Dizem os especialistas que, com este alívio, se está a passar a ideia errada de que a pandemia está controlada. Na realidade, o número de pessoas que circulam nas cidades cresceu muito, há muitos mais automóveis nas ruas. Os cuidados afrouxaram de forma bem visível e os ajuntamentos são cada vez mais e maiores. O convívio social cresceu, por exemplo, nas estações de serviço, que agora substituem os bares, cafés e restaurantes, ainda encerrados.

No plano legal, o governo pondera substituir o estado de emergência ainda vigente, por uma declaração de situação de calamidade pública. A questão não é meramente semântica. Esta segunda opção reduz a capacidade constitucional de o governo decretar medidas de confinamento mais severas. Por exemplo, a proibição de circulação, seja qual for a respetiva amplitude. Daí que, muita gente prefira a renovação do estado de emergência por mais duas semanas, a partir de 4 de maio. Esta foi a posição, por exemplo, da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública.

Os péssimos efeitos do relaxe podem destruir os bons resultados do rigor. A pandemia chegou a Portugal, vinda do norte de Itália. Mas hoje, o vírus está alojado na comunidade, o que torna a sua disseminação muito mais rápida.

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