Escolha as suas informações

Opinião. O direito à Pátria
Opinião Portugal 2 min. 14.05.2020

Opinião. O direito à Pátria

Opinião. O direito à Pátria

Foto: AFP
Opinião Portugal 2 min. 14.05.2020

Opinião. O direito à Pátria

Sérgio FERREIRA BORGES
Sérgio FERREIRA BORGES
O dinheiro é um bem finito que não chega para todas as necessidades.

Nas últimas semanas, alguma imprensa portuguesa tem apostado na intriga política, com falsas notícias, na tentativa de provocar desgaste no governo. Uma dessas falsidades dizia que os emigrantes seriam proibidos de visitar Portugal, nas férias de verão.

O primeiro-ministro foi rápido a desmentir a intriga, em termos que eliminam qualquer tipo de dúvida. António Costa disse que os emigrantes serão bem-vindos, tanto por via aérea, como de automóvel. Disse ainda que esse regresso é importante, porque vai ajudar a retoma da economia, com um incremento da procura interna, aquilo que os comerciantes mais desejam neste momento.

Nem precisou de dizer que uma tal proibição, além de estúpida, seria de uma enorme ilegalidade, porque nenhum português, seja a ele quem for, pode ser impedido de regressar à sua terra. É um direito consagrado na Constituição, o direito à Pátria, reconhecido também pelo artº 13º da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Além da ilegalidade, uma eventual proibição seria um erro político, de consequências desastrosas.


Operação ir a Portugal nas férias: difícil mas aconselhado
O governo português quer os emigrantes no verão e a Comissão Europeia já desenhou um plano para que os europeus possam ir de férias. Mas ainda falta abrir fronteiras, pôr aviões no ar, e garantir a segurança dos veraneantes.

Ao que disse o primeiro-ministro, eu acrescentaria ainda a importância social das férias dos emigrantes. Muitos, com toda a certeza, têm familiares de idade avançada, em confinamento, necessitando por isso, da presença dos afetos. Também por isto, os emigrantes serão bem-vindos e a sua presença necessária.

É natural que, entretanto, o governo tome providências, para garantir que esse regresso decorra em segurança, quer para os que vão atravessar a Espanha por via terrestre, quer para os que vão passar por aeroportos e aviões. Espera-se, por isso, uma campanha de informação, sobre as precauções que todos devem adotar, para que as férias de sonho não se tornem num enorme pesadelo.

Mas há outras notícias falsas em circulação, com o objetivo de provocar alarme social e espalhar cascas da banana, neste caminho tão difícil, que é a luta contra a pandemia. Depois da crise sanitária, há uma crise económica à nossa espera. As empresas pedem ajuda aos governos de toda a Europa, querem sobretudo injeções de capital a fundo perdido. Dizem que não precisam de empréstimos, porque isso provoca dívidas. E dívidas já têm de sobra. Uma verdade que não será suficiente para convencer os decisores políticos.

Mas certa imprensa tem aproveitado essa circunstância, dizendo que os governos só meterão dinheiro nas empresas, a troco de uma nacionalização. Não é verdade. Como não será verdade que os governos estejam na disposição de dar dinheiro a fundo perdido.

Há empresas consideradas estratégicas que podem beneficiar de dinheiros públicos, sem a obrigação de o devolver. Mas, há outras com menos sorte que terão de se contentar com linhas de crédito, com juros benevolentes. O dinheiro é um bem finito que não chega para todas as necessidades. Por isso, há que fazer escolhas.

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.