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Opinião. Marcelo recandidato

Opinião. Marcelo recandidato

Foto:LUSA
Editorial Portugal 3 min. 13.06.2019

Opinião. Marcelo recandidato

Sérgio Ferreira Borges
Sérgio Ferreira Borges
Como derrotar Marcelo é uma missão quase impossível, o PS terá de arranjar um candidato para perder, com dignidade. E não se vê alguém que esteja na disposição de interpretar tão ingrato papel.

Se havia dúvidas, elas foram dissipadas na análise política do Presidente da República, feita depois das europeias: Marcelo Rebelo de Sousa vai mesmo ser candidato a um segundo mandato em Belém.

Não foram precisas muitas palavras para o dizer, ainda que implicitamente. Falou da crise na direita e da falta de soluções e propostas, tanto no PSD como no CDS, para se configurarem como alternativa à esquerda.

Perante a falência política da direita, Marcelo disse que o regime precisa de factores de equilíbrio. Sendo assim, os eleitores de direita, se pretendem constituir uma força que trave eventuais abusos da esquerda, só têm uma alternativa: votar em Marcelo Rebelo de Sousa nas próximas eleições presidenciais. Claro como água.

A análise de Marcelo só foi surpresa porque ele a fez publicamente a quatro meses das eleições legislativas. Com isso, deu também o seu contributo para a anunciada derrota do PSD e do CDS em outubro. Mas, substantivamente, já se sabia que era essa a ideia de Marcelo e que o segundo mandato estava no seu horizonte.

O primeiro mandato de Rebelo de Sousa não tem sido outra coisa senão uma prolongada campanha eleitoral para a reeleição. Isto pode significar que, no segundo mandato, ele não vai ser tão brando para a esquerda como o foi no primeiro.

Numa primeira reação, tanto no CDS, como no PSD, houve dirigentes que pensaram, de imediato, numa coligação pré-eleitoral, para responder às observações do Presidente da República. Mas a ideia caiu quase instantaneamente porque, tanto no Largo do Caldas como na rua de S. Caetano, se deseja que os dois partidos se deixem medir isoladamente. Quer isto dizer que tanto os adversários internos de Rui Rio, como os de Assunção Cristas, esperam pelas respetivas derrotas para os apear do poder e desencadear processos de eleições internas.

Mas há um pormenor na análise do PR que merece especial atenção, sobretudo dentro do PSD: ele disse que a crise na direita irá prolongar-se pelos “próximos anos”, o que pode querer dizer que os putativos candidatos à sucessão de Rui Rio não corporizam a solução ideal para a liderança do partido.

Se é verdade que estes avisos de Marcelo causaram agitação dentro dos diretórios partidários, também é verdade que deram alguma tranquilidade aos eleitores de direita. Já estão praticamente convencidos da vitória da esquerda em outubro, mas podem contar com um fator de equilíbrio – para não dizer contra-poder – em Belém.

O PS leu as palavras de Marcelo Rebelo de Sousa com evidente euforia, considerando-as uma enorme ajuda para a campanha das legislativas. Mas percebeu também que ficou desde já com um problema para resolver, apesar de ser previsível. Quem será o candidato, da área socialista, às próximas presidenciais? Para já, os socialistas empurram com a barriga, mas a questão vai colocar-se.

Como derrotar Marcelo é uma missão quase impossível, o PS terá de arranjar um candidato para perder, com dignidade. E não se vê alguém que esteja na disposição de interpretar tão ingrato papel.

Tem outra possibilidade, já usada pelo PSD, quando era liderado por Cavaco – não apresentar qualquer candidato às presidenciais. Mas isso será sempre uma derrota.

Há, finalmente, um terceiro cenário a ponderar. O PS fará um lacónico comunicado a apoiar Marcelo Rebelo de Sousa, não participará na campanha e limita-se a assistir às eleições pela televisão. Será também uma derrota. E, em política, a pior derrota é por falta de comparência.

Nos próximos tempos, o PS tem outra questão a incomodar Costa. Os resultados das europeias não auguram a tão desejada maioria absoluta que ele ainda deseja para as legislativas. Junto dele, ainda há quem acredite num golpe deteatro, como o da contagem do tempo de serviço dos professores para insuflar a votação no PS. Ou, então, um surpreendente resultado nas regionais da Madeira, em setembro. Mas isto é quase tão impossível como derrotar Marcelo Rebelo de Sousa nas presidenciais.

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