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Opinião. Europeias sem Europa
António Costa num comício em Faro.

Opinião. Europeias sem Europa

Foto: Lusa
António Costa num comício em Faro.
Editorial Portugal 3 min. 15.05.2019

Opinião. Europeias sem Europa

Sérgio Ferreira Borges
Sérgio Ferreira Borges
Os debates televisivos registam níveis de audiência medíocres e até a propaganda de rua está mais contida do que o habitual.

Está em curso uma campanha eleitoral para o Parlamento Europeu que mal se vê.

Em Lisboa, podem ver-se com facilidade os cartazes da campanha eleitoral, sobretudo, os dos maiores partidos. No Porto, já há menos e, nas cidades de província, é precisa uma procura microscópica. Isto quer dizer que os partidos têm noção da indiferença do eleitorado e, por isso, poupam meios.

É evidente que as problemáticas europeias nunca entusiasmaram muito os portugueses. Os temas são quase esotéricos, para a maioria que nunca foi informada sobre a realidade de Bruxelas e também nunca fez grande esforço para penetrar naquela nebulosa de burocracia. Com os anos, tudo se tem agravado, com reflexo numa crescente taxa de abstenção.

Este ano, tudo será igual, sobretudo porque a campanha eleitoral não está a conseguir mobilizar as consciências, e tão pouco a curiosidade da opinião pública.

António Costa tem de lutar contra quatro adversários, enquanto PSD, CDS, PCP e BE só têm um inimigo..

Os principais partidos estão a direccionar os seus esforços para a luta interna que culminará nas legislativas de Outubro. O PS parece ser o alvo de todos os outros. E, de forma muito particular, o primeiro-ministro.

É contra António Costa que se dirigem os ataques políticos, com discursos de estrutura diferente, mas todos com a preocupação de o culpar e responsabilizar pela recente crise política, gerada à volta da contagem do tempo de serviço dos professores. Com isto, o cabeça de lista socialista, Pedro Marques, tornou-se numa figura secundária, subalterna.

Entre os estrategas do PS, pensa-se que isso não é mau, porque Pedro Marques se vinha revelando um péssimo candidato. Assim sendo, quanto mais escondido estiver, melhor será.

Os outros partidos – tanto à direita, como à esquerda – sonham com um mau resultado do PS, com uma derrota. Por essa razão, querem colocar António Costa à frente da candidatura socialista, de modo a que esse eventual desaire lhe possa ser atribuído por inteiro.

António Costa tem de lutar contra quatro adversários, enquanto PSD, CDS, PCP e BE só têm um “inimigo”. Isto quer dizer que a tarefa de António Costa é muito mais difícil, vendo-se obrigado a defender-se e a contra-atacar em quatro frentes distintas. Mas tem, claramente, privilegiado o PSD, uma escolha que facilmente se percebe, por ser a única candidatura que pode vencer os socialistas.

Há uma outra circunstância responsável por esta apatia, que é o elevado número de candidatos repetentes. Entre os cabeças de lista que têm possibilidade de ser eleitos, cinco já o fizeram noutras alturas. Só os socialistas estreiam um novo líder, o que quer dizer que falta novidade, levando muita gente a dizer que “são sempre os mesmos”. Mas Pedro Marques, até agora, não conseguiu retirar benefícios do factor novidade.

Depois disto, só resta um constante ataque pessoal entre candidatos, como se os defeitos dos outros fossem mais importantes que as virtudes próprias. Está provado que o eleitorado não aprecia este tipo de chicana, mas os candidatos persistem no erro.

Tudo se torna maçadoramente previsível. Na noite de 26 de maio, os que tiverem resultados mais compagináveis com as suas ambições vão tentar projetá-los, de imediato, para as legislativas de outubro. Os outros, como é habitual, inventarão novas justificações e usarão as já conhecidas, numa tentativa de sobreviverem à derrota.

Está em curso um processo de abandono da Europa por parte do Reino Unido. Existe uma “guerra” de comércio internacional que atingirá a União Europeia em cheio e que pode obrigar a fazer escolhas e a tomar decisões difíceis. Há a aplicação dos fundos estruturais. A crise dos refugiados continua sem solução. As políticas monetárias e financeiras criam mais problemas que soluções. No futuro imediato, os Estados-membros terão de escolher uma nova Comissão, com destaque para a figura do presidente. Mas nada disto parece interessar os candidatos portugueses.

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