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OPINIÃO: Entre o bom e o péssimo

OPINIÃO: Entre o bom e o péssimo

Editorial Portugal 2 min. 27.12.2017

OPINIÃO: Entre o bom e o péssimo

Numa eventual guerra nuclear, todos seremos vencidos, com custos e consequências incalculáveis.

Por Sérgio Ferreira Borges - O ano que agora termina teve de tudo. Coisas boas e, sobretudo, coisas muito más, como os fogos, com muitas vítimas mortais, ou a ameaça constante e ainda não resolvida de uma guerra nuclear. Será que as boas notícias, aquelas que falam dos progressos da economia portuguesa, serão suficientemente fortes para anularem as tragédias dos incêndios? Claro que não.

Sempre que as televisões me recordam aquele inferno de Pedrógão Grande, de Castanheira de Pêra, de Oliveira do Hospital e por aí fora, com gente morta quando procurava escapar à tragédia, fico com a alma apertada, sem conseguir encontrar respostas, para tantas perguntas. Como foi possível uma coisa daquelas, como é que o Estado falhou, tão clamorosamente, na proteção que é devida aos seus cidadãos?

No próximo ano, voltará a haver verão, calor, humidades baixas, isto é, condições climáticas severas. Resta saber se aprendemos alguma coisa com a tragédia de 2017, para nos protegermos em 2018. Veremos.

Portugal teve também boas notícias, especialmente na área económica. O défice baixou e pode mesmo atingir valores inferiores aos estimados pelo Governo. Mas certezas absolutas só as teremos em finais de março, quando a União Europeia validar os números. A dívida pública, finalmente, começou a baixar, embora os números, por enquanto, sejam quase simbólicos. É uma tendência que se deseja que tenha vindo para ficar. E, como consequência disto, as agências de rating valorizaram a economia portuguesa, o que pode facilitar a chegada de investimento estrangeiro.

Mas 2017 ficou ainda marcado pelo desaparecimento de figuras destacadas da vida portuguesa. De entre elas, distingue-se Mário Soares. Amado por muitos, detestado por outros, foi um vulto incontornável da segunda metade do séc. XX, um dos fundadores do regime nascido a 25 de Abril e o homem que soube explicar ao mundo as idiossincrasias da então emergente democracia portuguesa.

No plano internacional, merece destaque o conflito entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos, que pode acabar numa guerra nuclear, se acreditarmos nas ameaças. É um conflito insubstantivo, que existe só porque alguém deseja uma guerra, que não terá vencedores. Numa eventual guerra nuclear, todos seremos vencidos, com custos e consequências incalculáveis. É uma questão que terá desenvolvimentos em 2018. Tanto a Coreia do Norte como os EUA têm líderes imprevisíveis, a quem falta o bom senso. Esperemos que outras potências consigam mediar, com sucesso, este jogo de teimosos.

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