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Opinião. Disparate diplomático
Editorial Portugal 2 min. 27.02.2020

Opinião. Disparate diplomático

Opinião. Disparate diplomático

Foto: LUSA
Editorial Portugal 2 min. 27.02.2020

Opinião. Disparate diplomático

Sérgio FERREIRA BORGES
Sérgio FERREIRA BORGES
Ao reconhecer Juan Guaidó como presidente interino, implicitamente, Portugal deixou de reconhecer Nicolas Maduro.

A Venezuela suspendeu os voos da TAP para Caracas, por um período de 90 dias, como represália a uma série de acusações que ainda carecem de prova.

Como já é hábito, o ministro dos Negócios Estrangeiros respondeu de forma infantilmente ignorante. Disse que esta sanção imposta à TAP é um “acto inamistoso”. E o reconhecimento de Juan Guaidó como Presidente interino da Venezuela foi um acto amistoso? Claro que não e, a partir daí, Portugal não tem muito de que se possa queixar.

O incidente serve para provar como foi precipitada e irresponsável a decisão das autoridades portuguesas de terem dado o seu reconhecimento a um triste golpe de teatro que não teve qualquer consequência política.

Quando Guaidó se autoproclamou presidente interino do país, esperava que Nicolas Maduro claudicasse e que o poder acabasse por cair nas mãos da oposição. Mas não foi isso que aconteceu e, até hoje, Juan Guaidó não conseguiu protagonizar qualquer acção digna de um chefe de Estado.

Ao reconhecer Juan Guaidó como presidente interino, implicitamente, Portugal deixou de reconhecer Nicolas Maduro. E, quando um Estado deixa de reconhecer o Presidente de outro Estado, na prática, isso resulta num corte de relações diplomáticas. Ainda que, neste caso, continuem a existir, nas duas capitais, representações diplomáticas recíprocas.

O disparate português foi cometido, na observação cega e pouco racional de decisões tomadas pela União Europeia e pelos Estados Unidos. E prejudicou gravemente os interesses nacionais. Na Venezuela existe uma extensa comunidade portuguesa, oriunda, sobretudo, da Madeira e da Bairrada. 

E os interesses desta comunidade deixaram de estar protegidos, a partir do momento em que os responsáveis políticos portugueses substituíram, como interlocutor, o Estado venezuelano, por um aventureiro que representa intenções obscuras, de uma extrema-direita populista e manhosa. Se surgir um qualquer problema com a comunidade portuguesa, com quem é que Portugal vai dialogar? Com as autoridades de Caracas, ou com Juan Guaidó?

A figura de Nicolas Maduro também me merece sérias reservas. Acho-o politicamente incompetente, mais preocupado em segurar o poder que em resolver os graves problemas que dilaceram a sociedade venezuelana. Mas esses problemas também não serão resolvidos por Juan Guaidó. Estamos perante dois teimosos. Um quer conservar o poder, o outro quer conquistá-lo. No meio disto, fica um povo pobre, exposto às manipulações de ambos os lados.

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