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Opinião. Coronavírus e gripe espanhola
Editorial Portugal 2 min. 26.03.2020

Opinião. Coronavírus e gripe espanhola

Uma chefe vietnamita prepara pães de hambúrguer em forma do novo coronavírus Covid-19, num restaurante em Hanoi, capital do país.

Opinião. Coronavírus e gripe espanhola

Uma chefe vietnamita prepara pães de hambúrguer em forma do novo coronavírus Covid-19, num restaurante em Hanoi, capital do país.
Foto: AFP
Editorial Portugal 2 min. 26.03.2020

Opinião. Coronavírus e gripe espanhola

Sérgio FERREIRA BORGES
Sérgio FERREIRA BORGES
Enquanto a Alemanha já destinou 22 por cento do seu PIB para minimizar os efeitos económicos da crise, Portugal não conseguiu ir (por enquanto) além de uns modestos 4,5.

Alguns dizem que as guerras liberais dizimaram um terço da população portuguesa, outros preferem recordar a gripe espanhola que ceifou talvez 60 mil pessoas, em menos de três anos.

Eu prefiro manter a esperança. O coronavírus é uma tragédia, com consequências menores que as 15 grandes batalhas das guerras liberais, ou que a pneumónica, a que chamámos gripe espanhola, porque começou na zona raiana, trazida por operários agrícolas portugueses que, sazonalmente, trabalhavam em Espanha.

A gripe espanhola atingiu rapidamente a totalidade do território nacional e levou, entre uma enorme multidão de anónimos, figuras bem conhecidas. Por exemplo, o pintor modernista Amadeo de Souza-Cardoso que deixou uma obra profícua e de inegável valor. Mas também o maestro David de Souza, nascido na Figueira da Foz, onde ainda hoje é constantemente lembrado. E os irmãos, Jacinta e Francisco Marto, dois dos videntes de Fátima.

Os historiadores dizem que o vírus “influenza” contaminou 500 milhões de pessoas, o equivalente a 27 por cento da população mundial da época. O produtor cinematográfico Walt Disney, apesar de contaminado, escapou, mas foi sempre dizendo que a pneumónica lhe deixou lesões irreversíveis. O mesmo se terá passado com o presidente dos Estados Unidos, Franklin Roosevelt, ou com o escritor checo de língua alemã, Franz Kafka.


A Gripe Espanhola seria hoje tão devastadora?
A pandemia de 1918-1919 matou mais de 20 milhões de pessoas no mundo, só em Portugal, mais de 100 mil. Atualmente seria assim tão mortal? Podem os estudos sobre este flagelo ajudar nos planos de combate à pandemia do novo coronavírus? As respostas do especialista.

Hoje, a indústria farmacêutica possui meios que, naqueles anos de 1918 a 1920, eram completamente desconhecidos. Os hospitais da época serviam apenas para suturar feridas e para pequenas cirurgias. Pouco mais faziam que isso.

A ciência vai encontrar rapidamente uma vacina e um medicamento, para expurgar das nossas vidas atormentadas esse inimigo chamado coronavírus e a doença que ele provoca, a Covid-19. Para muitas centenas de vítimas, já vem tarde. Mas será fundamental, para as sociedades que, por estes dias, vivem o maior pesadelo das suas vidas. A reação dos poderes públicos foi tardia e repleta de hesitações.


Temos que ser iguais para vencer o vírus
A pandemia é uma máquina de morte, mas também é, sem uma ação consequente dos Estados e das sociedades, um destruidor da economia e um produtor de desigualdades sociais.

Mas há outros factos chocantes. O governo abriu linhas de crédito para as empresas, com um juro de 3,5 por cento. Esquecido que, desde 2008, injetou milhões na banca falida, com uma taxa de 0.75 por cento.

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