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OPINIÃO: Bani…fim!
Editorial Portugal 3 min. 23.12.2015 Do nosso arquivo online

OPINIÃO: Bani…fim!

Editorial Portugal 3 min. 23.12.2015 Do nosso arquivo online

OPINIÃO: Bani…fim!

Avenida da liberdade, por Sérgio Ferreira Borges - Luís Amado foi cúmplice do Governo PSD/CDS, que pretendeu apenas adiar a falência para depois das eleições legislativas. E asssim, o Banif transformou-se numa bomba-relógio que explodiu nas mãos de António Costa.

Avenida da liberdade, por Sérgio Ferreira Borges - A notícia era esperada há muito tempo, mas foi sendo adiada, como quem esconde o lixo debaixo do tapete. O Banif faliu, cinco anos depois da morte do seu fundador, Horácio Roque.

Horácio Roque conseguiu alvará para fundar um banco, perante a admiração de muita gente. Argumentava ele que o seu banco, nascido dos escombros da também falida Caixa Económica do Funchal, seria determinante na cativação das poupanças dos emigrantes madeirenses, radicados, sobretudo, na África do Sul e na Venezuela. Muitos analistas advertiram, na altura, que esses fluxos de capitais não eram suficientes para dar solidez a um banco. E não eram suficientes para resolver o enorme passivo da Caixa Económica do Funchal.

Mas ele conseguiu vencer e fez alarde disso. As suas empresas começaram a recorrer ao Banif para se financiarem e, poucos anos depois da fundação, já se percebia que o banco começava a passar por grandes dificuldades. As empresas do universo Horácio Roque eram eucaliptos que iam secando o Banif. Tal e qual como o grupo BES foi secando o Banco Espírito Santo.

Joe Berardo, outro dos fundadores, foi-se afastando, enquanto o mar ia ficando mais alto que a terra. Muita gente viu neste distanciamento um primeiro sinal de que o fim podia estar perto.

Horácio Roque era um homem de valor. Fez fortuna na África do Sul, depois alargou os seus interesses para Angola. Mas como muitos outros, começou a dar passos mais largos do que a perna. A fundação de um banco foi uma delas. Era um empresário de sucesso, mas sem qualquer experiência, na área financeira.

Vieram novos dias, muita gente nova e renovadas promessas de que o Banif seria salvo. Mas os sintomas letais foram-se avolumando. O Estado injectou capitais que não serviram para nada. Ou melhor, serviram para pagar ordenados faraónicos e mordomias de todo o tipo aos mais de 20 membros dos órgãos sociais. E assim, mais de 60 por cento do capital do banco passou a ser detido pelo Estado. Transformou-se num banco público, mas gerido com uma lógica privada.

Na presidência, foi colocado Luís Amado, um carreirista sem qualquer experiência no sector financeiro. Para além da política, foi técnico do Tribunal de Contas. Nunca apresentou uma proposta para salvar o banco. Luís Amado foi cúmplice do Governo PSD/CDS, que pretendeu apenas adiar a falência para depois das eleições legislativas. E asssim, o Banif transformou-se numa bomba-relógio que explodiu nas mãos de António Costa.

Os contribuintes já pagaram muito. Mas ainda vão pagar mais. De acordo com as primeiras contas, o Estado terá de injectar mais 4000 milhões de euros para concretizar a venda ao grupo espanhol Santander.

Como noutros casos, o governador do Banco de Portugal é um dos grandes culpados de tudo isto. Tem falhado sistematicamente na sua função de supervisor da actividade bancária. Pode queixar-se de Vítor Constâncio, que também teve responsabilidades na falência do Banco Português de Negócios e do Banco Privado Português. Mas, nos casos do BES e do Banif, as culpas são todas de Carlos Costa. E, no entanto, viu o seu mandato renovado.

Desde 2008, já faliram quatro bancos e outros passam por indisfarçáveis aflições. O único banco público, a Caixa Geral de Depósitos, também vive dias difíceis, depois de ter absorvido passivos de bancos falidos e de ter contribuído para o fundo de resolução. A história pode não acabar aqui.


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