OPINIÃO: Bárbara e Carrilho

Foto: Lusa

Sergio Ferreira Borges

Um ex-ministro da Cultura foi condenado a quatro anos e meio de prisão, com pena suspensa, pelo crime de violência doméstica. Aquela que o tribunal considerou vítima é uma apresentadora de televisão.

Não conheço nenhum dos dois protagonistas desta novela negra e não sei o que se passou, no recato da sua vida comum. Não sei, nem quero saber. Mas venho a este assunto pela falta de carácter que, ao longo dos anos, Manuel Maria Carrilho manifestou, trazendo os seus dramas domésticos para a imprensa cor-de-rosa, contanto episódios macabros de uma vida conjugal que, pelos vistos, depois da arrebatadora paixão inicial, foi um autêntico pesadelo para ambos.

Isto acontece com muita gente. O sonho vira pesadelo e o divórcio é a única solução possível. Ao que parece, Manuel Maria Carrilho não acreditou nisto e usou todos os meios para vingar um amor mal sucedido.

Bárbara Guimarães, ingenuamente, pensou que seria no mesmo local – as revistas cor-de-rosa – que faria reverter os acontecimentos, negando as acusações do ex-marido e atacando com outras acusações contra ele.

Resultado: variadíssimos processos em tribunal, o que quer dizer que a procissão, provavelmente, ainda não saiu do adro. Muito vasculho pode estar para aparecer.

Não sou especialista nestes assuntos, nem quero ser. Mas impressiona-me que um homem, professor universitário, que foi ministro, deputado e candidato à principal câmara do país, não tenha o pejo suficiente para tratar os seus dramas passionais com o recato que lhes é devido. Escandaliza-me que uma criatura desta estirpe tenha dirigido um ministério que é da mais alta importância para todos nós. E indigna-me que um partido político lhe tenha confiado essa missão, sem antes ter escrutinado o seu carácter. Quem assume responsabilidades públicas tem de dar garantias de elevação inatacável, mesmo quando a sua competência merece reservas ou críticas.

Mas até hoje, Carrilho não mostrou qualquer tipo de arrependimento, qualquer vontade de alterar o seu comportamento, de modo a poder resolver os seus problemas matrimoniais com a discrição que os seus filhos merecem. Quanto maior é a cova, mais fundo ele cava.

Admito até que ele possa ter alguma razão, embora, como já disse, eu desconheça todo o processo. Admito também que existam questões à espera de uma resolução. Mas mesmo assim, Carrilho teria outras sedes para trazer a si a justiça de que se acha credor.

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